Santa Maria, 26 de outubro de 2005. Edição nº 1054

Ontem, Sérgio Bambini repetiu a viagem feita em 1975
Foto(s): Claudio Vaz/Diário
Militar
'Nem me pergunta de novo que vou chorar'
Há 30 anos, o então major da Base Aérea de Santa Maria Sérgio Pedro Bambini realizava um sonho: aos 34 anos, trazer para a cidade o que havia de mais moderno na aviação do país na época, o AT-26 Xavante. Ontem, Bambini repetiu a façanha.
Agora, já como tenente-brigadeiro e chefe do Estado Maior da Aeronáutica em Brasília, o militar de 64 anos trouxe o Xavante de Porto Alegre até Santa Maria.
Aqui, a aeronave ganhará um monumento onde ficará exposta para a comunidade. Foi o último vôo do Xavante e um dos últimos feitos pelas mãos de Bambini, que está entrando para a reserva. Leia a seguir os trechos da entrevista.
Diário de Santa Maria - Qual a emoção de pilotar novamente um Xavante?
Sérgio Pedro Bambini - Estou bem emocionando. Nem me pergunta de novo que eu vou chorar. Não teve como não chorar. Foram 40 minutos pilotando hoje o Xavante, que eu não pilotava desde 1988. Isso mexe com o coração da gente.
Diário - O senhor lembra do dia em que trouxe o Xavante para a cidade?
Bambini - Foi no dia 29 de dezembro de 1975. Eu cheguei de manhã e foi aquela correria em volta do Xavante. No outro dia, peguei outro avião e fui para São Paulo buscar o outro Xavante. Hoje, o coração está dando uma mostra de que está bom.
Diário - Quanto tempo o senhor pilotou o Xavante?
Bambini - Fiquei oito anos aqui em Santa Maria, mas voando no Xavante foi um ano.
Diário - O senhor lembra alguma situação inusitada com o Xavante?
Bambini - O Xavante era o primeiro avião a jato da cidade, e a equipe não estava preparada. Não tínhamos os equipamentos completos para as acrobacias (macacões especiais que impedem que o sangue vá para as pernas e falte oxigênio no cérebro). Então, quando se fazia uma manobra forte demais dentro do Xavante, a gente ficava tonto e perdia a noção por alguns segundos. Lembrei todas essas histórias hoje.
Diário - O senhor imaginou que iria fazer o último vôo de um Xavante?
Bambini - E um dos meus últimos vôos, porque estou indo para a reserva no mês que vem. Nós, quando pensamos em entrar na Força Aérea Brasileira, pensamos em ser piloto. Eu tive a felicidade de ser piloto e seguir a carreira militar. Tenho 8 mil horas de vôo. Sou um homem feliz.

