Wanderley Duck (*)
Da mesma maneira que, nos dias de hoje, a propaganda nos vende a ilusão de que uma pessoa só pode ser feliz com um copo de cerveja na mão, como se as bebidas alcoólicas não fossem uma droga tão ou mais nociva do que muitas das chamadas drogas ilícitas, antigamente essa ilusão era vendida pelas propagandas de cigarro.
Fumar era charmoso e você só seria uma pessoa bem sucedida e feliz se estivesse com um cigarro na boca.

(Coleção Helena Dornelles)
Havia até uma antiga música que se cantava nas missas, que foi logo parodiada pela molecada da época, que por sinal fumava escondido, para tentar ser adulto antes da hora:
O meu coração é só de Jesus, mas o meu pulmão, é da Souza Cruz...
Aliás, falando em músicas antigas, um dos grandes sucessos do passado foi um tango chamado Fumando Espero, que, entre outras coisas do gênero, dizia que " fumar es un placer, genial, sensual ".
Mesmo tendo sido composto em 1922 pelo Juan Viladomat e pelo Félix Garzo e gravado originalmente pelo Carlos Gardel, ele chegou até a época da minha adolescência, em versões em português gravadas por muitos cantores famosos daquele tempo.

(Coleção Helmut Fritz Popp)
Nem os médicos escapavam da propaganda da indústria do tabaco, existiam muitos anúncios iguais ao do cigarro português Porto, que associavam os esculápios com o então garboso hábito de fumar.
O nosso querido médico de família, o saudoso Dr. Pádua, aliás mais do que querido, ele era uma espécie de nosso santo protetor e herói familiar, fumava tanto que parecia uma chaminé de fábrica, não lembro se ele fumava Continental ou Luiz XV, duas marcas de cigarros sem filtro daquela década de 1950.

(Coleção W.Duck)
Nos dias de hoje, aonde nem na calçada do lado de fora dos aeroportos se pode fumar, isso seria inimaginável, mas eu me lembro bem da época em que as próprias companhias aéreas davam maços de cigarros de brinde para os nossos amados passageiros relaxarem durante o vôo.
Para quem não acredita, está aí a prova...

(Coleção Almagro)




