
A fábrica Dornier, na Alemanha, construiu em 1929 uma gigantesca aeronave, toda metalica, que era de fato o "jumbo" da época, sem os recursos nem os materiais dos dias de hoje. Era um"bote voador", com uma envergadura de 48m. Tinha tres andares e levava normalmente 70 passageiros, mas foram feitos vôos com 170 a bordo. Seu interior era um verdadeiro luxo com subdivisões em muitas cabines. Havia recintos para senhoras, fumantes, para dormir, bar, cozinha, etc. Não havia cintos de segurança por ser considerado um "navio voador".
Era impulsionado por 12 motores de 640HP. É facil imaginar a confusao que deve ter causado esse superlativo da força motriz. Na realidade, isto era necessário porque estes eram os motores mais potentes disponiveis na época, que impossibilitava a instalação de um numero menor, com mais potencia. Nao tinham arranque; a partida era dada manualmente. As helices eram de madeira e evidentemente de passo fixo. Como o piloto nao pudia ter uma mao suficientemente grande, para acionar as doze manetes dos motores, foi feito um arranjo, reduzindo-as para apenas duas: um para os motores do lado esquerdo e a outra para os do lado direito. A sincronia e ajuste das manetes individuais era feito logo atrás no compartimento de controle onde haviam seis mecanicos a bordo a serviço simultaneamente! A velocidade de cruzeiro era de 170km/h. Voava geralmente a uma altura de 5m (durante o dia), num voo rasante e amendrontador, dando a todos uma sensação de tremenda velocidade. Isso era feito assim, a fim de aproveitar o 'ground effect' que melhorava a sustentação e aumentava o alcance. O piloto precisava estar sempre muito atento: imaginem que se ele tirasse a mao do comando por um instante pra coçar a cabeça, poderia chocar-se com a água numa questão de segundos.
Pelos padrões de hoje, seria inconcebível sair voando com um engenho desses, onde tudo era critico e nos limites extremos. Mesmo assim, nao podemos tirar o mérito desse magnifico trabalho de persistencia e pioneirismo.
("Falando de Avião: O que os passageiros não sabiam e continuam não sabendo" - Geraldo Knippling)
