27/10/2005 - 17h41
Varig diz que sofreu corrida por milhagem ao acionar Lei de Falências
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JANAINA LAGE
da Folha Online, no Rio
O vice-presidente comercial da Varig, Marcelo Bottini, reconheceu hoje que a companhia enfrentou um aumento do número de interessados em trocar milhas por passagens aéreas logo que a empresa pediu recuperação judicial --mecanismo que substitui a concordata com a entrada em vigor da nova Lei de Falências.
No final de junho, a Varig chegou a enviar um e-mail aos participantes do programa Smiles para garantir que eles continuariam a acumular milhas e ganhar prêmios mesmo com a crise financeira enfrentada pela empresa.
Segundo Bottini, atualmente a procura pela troca de milhas por passagens está normal. "A procura está normal por troca de passagens, houve uma pequena corrida quando a Varig entrou no plano de recuperação", disse. O vice-presidente comercial disse que conversas com outras empresas aéreas que superaram dificuldades financeiras mostraram que os clientes apresentaram comportamento similar em momentos de crise.
A tentativa de antecipar a conversão de milhas em bilhetes tem impacto sobre o faturamento da empresa porque mais passageiros procuram assentos sem pagar.
Bottini esclareceu que há mais de um ano a Varig não enfrenta problemas com a reserva de passagens para clientes do Smiles, devido a uma mudança de política da empresa. Entre as categorias do programa de milhagem, 80% são os chamados clientes Gold e Diamante, que não enfrentam restrições de reservas.
Segundo Bottini, o que há hoje é um aumento da procura por informações junto ao serviço de atendimento ao consumidor. "A conscientização da situação da empresa ocorre por meio do agente de viagem ou da imprensa. Tem gente que liga para pegar informações no call center", disse.
O principal impacto da crise sobre a área comercial foi a mudança no prazo de compra de bilhetes. Segundo Bottini, o cliente Varig costumava comprar bilhetes com até seis meses de antecedência e hoje costuma comprar com um mês ou até mesmo quinze dias de antecedência. "Isto não significa que tenham deixado de fazer reservas de longo prazo, mas apenas que passaram a comprar o bilhete com prazo menor", disse.
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Há de se louvar o fato de a empresa não impor qualquer dificuldade ou usar de qualquer artifício para dificultar a emissão de bilhetes Smiles. Fiz uma troca há dois dias, para a semana anterior ao feriado, rumo ao Nordeste e não encontrei qualquer dificuldade. Agir com honestidade é um bom jeito de sair da crise...
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Clientes da Varig mudam hábitos
Processo de recuperação judicial acelerou troca de milhas por passagens e diminuiu as reservas
Companhia deve pelo menos US$ 72 milhões em leasing para empresas americanas
Rio - A entrada da Varig no plano de recuperação judicial provocou uma corrida de clientes para troca de pontos do programa de fidelidade Smiles em passagens-bônus. Segundo o vice-presidente comercial da empresa, Marcelo Bottini, os participantes das classes básicas (Prata e Azul), que respondem por cerca de 80% dos 5 milhões de clientes cadastrados, foram responsáveis pelo maior número de trocas. 'Houve uma corrida que consideramos normal pela troca de milhas por passagens assim que a Varig anunciou o processo de recuperação. Chegamos a consultar outras empresas americanas, como a Delta Airlines, e verificamos que isso aconteceu com todas. Mas esta procura já foi normalizada e a oferta está garantida."
O executivo reconheceu também que foi detectada uma mudança de hábito por parte dos clientes, preocupados com a atual situação da empresa. A mudança ocorre principalmente com relação às reservas, que antes do início do processo de recuperação eram feitas com até seis meses de antecedência. 'Agora o cliente compra com 15 dias de antecedência. O pagamento efetivo é feito com um mês de antecedência. Essa mudança tem impactos no fluxo de caixa, mas o departamento de finanças já se adequou a isso', destacou.
O presidente do BNDES, Guido Mantega, salientou que o banco já está trabalhando para a criação do fundo de investimentos e a Sociedade de Propósito Específico (SPE), que será responsável pela compra das subsidiárias VarigLog e Varig Engenharia e Manutenção como parte do plano emergencial para pagamento das empresas de leasing nos EUA. A Varig deve pelo menos 72 milhões de dólares a essas empresas e o prazo final para pagamento vence no dia 9 de novembro. Caso contrário, a companhia perderá de 20 a 40 aviões. 'O empenho agora é a constituição da SPE e o papel do BNDES será financiar investidores para a compra da VarigLog e da VEM. Para essa etapa chegaram algumas propostas, e a da TAP é uma delas', explicou Mantega.
Além da portuguesa TAP, o fundo Matlin Patterson e a empresa européia ATS estão entre as interessadas nessa fase do plano de salvamento da Varig. De acordo com Mantega, outras propostas estão chegando e serão analisadas.
Fonte: jornal "Correio do Povo" 30 out 2005
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambopck@brturbo.com.br
Clientes da Varig mudam hábitos
Processo de recuperação judicial acelerou troca de milhas por passagens e diminuiu as reservas
Companhia deve pelo menos US$ 72 milhões em leasing para empresas americanas
Rio - A entrada da Varig no plano de recuperação judicial provocou uma corrida de clientes para troca de pontos do programa de fidelidade Smiles em passagens-bônus. Segundo o vice-presidente comercial da empresa, Marcelo Bottini, os participantes das classes básicas (Prata e Azul), que respondem por cerca de 80% dos 5 milhões de clientes cadastrados, foram responsáveis pelo maior número de trocas. 'Houve uma corrida que consideramos normal pela troca de milhas por passagens assim que a Varig anunciou o processo de recuperação. Chegamos a consultar outras empresas americanas, como a Delta Airlines, e verificamos que isso aconteceu com todas. Mas esta procura já foi normalizada e a oferta está garantida."
O executivo reconheceu também que foi detectada uma mudança de hábito por parte dos clientes, preocupados com a atual situação da empresa. A mudança ocorre principalmente com relação às reservas, que antes do início do processo de recuperação eram feitas com até seis meses de antecedência. 'Agora o cliente compra com 15 dias de antecedência. O pagamento efetivo é feito com um mês de antecedência. Essa mudança tem impactos no fluxo de caixa, mas o departamento de finanças já se adequou a isso', destacou.
O presidente do BNDES, Guido Mantega, salientou que o banco já está trabalhando para a criação do fundo de investimentos e a Sociedade de Propósito Específico (SPE), que será responsável pela compra das subsidiárias VarigLog e Varig Engenharia e Manutenção como parte do plano emergencial para pagamento das empresas de leasing nos EUA. A Varig deve pelo menos 72 milhões de dólares a essas empresas e o prazo final para pagamento vence no dia 9 de novembro. Caso contrário, a companhia perderá de 20 a 40 aviões. 'O empenho agora é a constituição da SPE e o papel do BNDES será financiar investidores para a compra da VarigLog e da VEM. Para essa etapa chegaram algumas propostas, e a da TAP é uma delas', explicou Mantega.
Além da portuguesa TAP, o fundo Matlin Patterson e a empresa européia ATS estão entre as interessadas nessa fase do plano de salvamento da Varig. De acordo com Mantega, outras propostas estão chegando e serão analisadas.
Fonte: jornal "Correio do Povo" 30 out 2005
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