Meus prezados:
Lembram-se do acidente com um Ximango da Brigada Militar/RS?
Pois o piloto sobrevivente está retornando as suas funções, após 11 meses de tratamento físico e psíquico. Eis uma reportagem do jornal Zero Hora, de 20 out 2005:
Sobrevivente de acidente aéreo volta a voar
Capitão da BM retoma atividades 11 meses após queda de avião na Capital
Acompanhado por quatro colegas, o capitão da Brigada Militar Carlos Franck da Costa Simanke, 37 anos, deixa o hangar do Grupamento de Polícia Militar Aéreo (GPMA), no aeroporto Salgado Filho, na Capital.
É manhã de quinta-feira. Em silêncio, ele caminha em direção ao helicóptero MD500E da BM. Dá uma volta no aparelho, checa os instrumentos, acerta os fones nos ouvidos e acomoda-se na cabine. Em poucos segundos, o ruído do rotor e o vento tomam conta do local. Os esquis do helicóptero desgrudam do asfalto.
Onze meses após o acidente com o Ximango AMT 200 da BM que culminou na morte do colega e amigo capitão Ibes Pacheco, 30 anos, Franck, que instruía o exercício em 29 de novembro, está de novo no ar.
Para retornar à atividade, foram meses de sessões diárias de fisioterapia para recuperar o movimento das pernas. Neste período, Franck desempenhou funções administrativas na BM. Com a parte física restaurada, o sonho de voltar a pilotar veio com o aval de uma psicóloga.
O piloto se mantém sério durante todo o exercício no ar. Ele só se permite falar depois que o helicóptero está de volta.
- Para muitos, posso ser considerado um vencedor. Mas fui bem treinado. O policial está sujeito a esses percalços. Estou feliz por rever meus amigos - afirmou.
As lembranças do acidente não desapareceram. De vez em quando, elas irrompem durante o vôo.
- Não é um ponto intocável. Não é uma coisa que me traumatizou. Perder um amigo não passa. Tu te acostuma. Mas não passa - garante.
Com a liberação física e psicológica, o piloto passou três meses de treinamento de vôo, quando repassou todas as normas de segurança.
Com as habilitações renovadas, o retorno aos céus ocorreu no dia 15 de julho. Franck voou no helicóptero MD500E acompanhado pelo comandante do GPMA, tenente-coronel Kleber Roberto de Lima Senisse, que acompanhou toda a recuperação.
- No primeiro dia, ele respirou fundo, perguntou sobre o painel da aeronave e imediatamente entrou em situação de normalidade - contou Senisse.
Franck confessou noites de incertezas se o tratamento havia atingido o resultado esperado.
- Por mais que eu pensasse nos dias anteriores, acreditasse no suporte psicológico, tinha dúvidas se podia voltar - contou.
Hoje, o piloto está lotado no Centro de Formação Aeropolicial do Brasil (Cfaer) - direcionado para a instrução de PMs de outros Estados.
Como foi o acidente
O primeiro acidente com uma aeronave da BM em 16 anos aconteceu quando Franck e Ibes treinavam simulações de pane. Ibes estava no manche. O Ximango, um motoplanador, estava com a rotação do motor de 81 HP reduzida ao mínimo, para fingir a perda de controle. A aeronave se incendiou ao cair entre eucaliptos na zona sul da Capital. Ibes, que teve 80% do corpo queimado, morreu no dia 24 de janeiro, no Rio. Frank, habilitado para vôos por instrumentos, piloto comercial de aviação e de helicóptero, teve fraturas no tornozelo direito e joelho esquerdo.
Carlos Frank Simanke, Capitão da BM e piloto
"Os acidentes ocorrem. Não existem novos acidentes. Existem novos pilotos cometendo velhos acidentes. Por isso é preciso ser o mais profissional possível."
" O instrutor não é infalível"
O laudo do Instituto-geral de Perícias (IGP) concluiu como causa do acidente uma manobra realizada em baixa altitude, a uma velocidade insuficiente e agravada por turbulências de ar. O parecer ressaltou ainda que o tanque de combustível da aeronave, feito em fibra de vidro, deveria ser construído em metal, para evitar o vazamento de gasolina que acabou causando a morte do capitão Ibes. A Polícia Civil indiciou o capitão por lesões seguidas de morte. O inquérito, feito pela Polícia Civil, considerou que Franck agiu com imperícia e poderia ter evitado a colisão do Ximango contra o solo. O inquérito militar apontou o choque de um objeto na aeronave. O laudo pericial da Aeronáutica ainda não foi concluído. - O instrutor não é infalível. Se o avião é colocado em uma situação X, não tem reação - diz Franck.
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambock@brturbo.com.br
O retorno...
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