Santa Maria, 14 de outubro de 2005. Edição nº 1044
Militar
Missão: interceptar e destruir alvo inimigo
Cinco cidades do Estado participam da Operação Pampa das Forças Armadas. Na manhã de ontem, aviões do país vermelho conseguiram barrar os dos azuis
MATHEUS MIORIM BEUST
Os radares encontraram cinco aeronaves do país azul invadindo o território do país vermelho. Uma sirene estridente dá o alerta máximo. Em menos de cinco minutos, quatro caças F-5 acionam as turbinas e decolam da pista da Base Aérea de Santa Maria (Basm). A missão é interceptar e destruir os alvos inimigos, que vêm da Base Aérea de Canoas.
O confronto começa em poucos minutos. Sobre Candelária, os pilotos fazem manobras cortando o céu. A intenção é buscar a posição certa para disparar os mísseis. A habilidade da defesa vermelha é maior, e o ataque azul é anulado com sucesso.
Assim começou a simulação de ataque aéreo da Operação Pampa 2005 na manhã de ontem. A operação, que não usa armamentos, serve para testar as Forças Armadas Brasileiras. O palco escolhido para essa "guerra" foi o Rio Grande do Sul.
Desde segunda-feira até o dia 20 de outubro, cerca de 12 mil participantes de todo o país, entre Aeronáutica, Exército e Marinha, estarão simulando manobras militares nas cidades de Santa Maria, Alegrete, Bagé, Canoas e Rio Grande.
Para garantir o confronto, uma linha imaginária transformou o Rio Grande do Sul em dois países. Santa Maria e Alegrete ficaram com a metade oeste e representam a nação vermelha. Canoas, Rio Grande e Bagé, no lado leste, controlam todo o litoral e formam o país azul (veja no mapa).
Os confrontos da Operação Pampa estão sendo planejados desde março, mas só neste mês começaram as simulações. As batalhas ocorrem em terra, no céu e no mar, com diversas ações reais. As situações criadas servem para avaliar as formas de comando, de controle e de apoio logístico das Forças Armadas.
Nos próximos dias, a Basm e o céu do Estado estarão movimentados de novo. Haverá lançamento de pára-quedistas, reabastecimento em pleno vôo, defesa e ataque a alvos terrestres e testes da artilharia antiaérea e dos radares.
País vermelho recebeu reforço
Para apoiar o país vermelho, está na Basm o Esquadrão Pampa, que veio de Canoas e deve ficar até o fim da operação. O comandante é o tenente-coronel Luiz Alberto Pereira Bianchi, 42 anos. Piloto há 24 anos, ele tem a obrigação de defender os diversos pontos do país vermelho dos ataques do azul.
Bianchi, que já participou de diversas operações semelhantes a esta, disse que o esquadrão foi bem-sucedido neste começo da simulação. Ele quer manter o bom resultado e continuar superando o adversário nos confrontos.
O comandante explicou que este exercício serve para manter os pilotos bem treinados para o dia-a-dia, como o policiamento do espaço aéreo:
- Tudo deve estar funcionando perfeitamente para garantir o sucesso das missões. Em Canoas, temos serviços de alerta 24 horas. Podemos ser acionados a qualquer momento para cumprir uma situação real de interceptação.
Quanto custa?
- O Diário perguntou ao tenente-coronel Jorge Antônio Araújo Amaral, responsável pela Comunicação Social da Operação Pampa, quanto será gasto nos confrontos. Ele disse que os valores serão divulgados só após o fim dos exercícios

F-5 é o caça usado nas simulações de combate que estão ocorrendo em Santa Maria
Foto(s): Lauro Alves/Diário
