Varig pode ter 31 aviões sem condições de vôo até o final do ano
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JANAINA LAGE
da Folha Online, no Rio
05/10/2005 - 15h58
A falta de recursos pode inviabilizar a operação de até 31 aeronaves da Varig até o fim do ano. O número representa 39,7% da frota da companhia aérea.
A informação consta de um documento assinado pelo vice-presidente de Operacional e Técnico da empresa, comandante Miguel Dau, e foi confirmado oficialmente pela Varig. Essa estimativa leva em consideração que não haja entrada de recursos que permitam normalizar as operações.
O presidente do Conselho de Administração da Varig, David Zylbersztajn, afirmou ter recebido o relatório, mas destacou o caráter técnico do informe e a participação de Dau na diretoria da empresa como sinais de que a administração está ciente da gravidade do problema operacional da Varig. "Não foi por acaso que a gente propôs a venda de um ativo. A carta é uma formalização de discussões que ocorrem normalmente", disse.
Em nota oficial, divulgada na noite de ontem, a Varig afirma que "o Conselho de Administração está engajado na busca de meios de capitalização para a indispensável reestruturação operacional da Varig". Além disso, destaca que a prioridade é manter a excelência de aspectos como regularidade e segurança das operações. A nota menciona ainda que a Assembléia Geral de Credores, marcada para o dia 13, vai analisar medidas necessárias para o processo de solução dos problemas financeiros de curto prazo.
Para contornar a situação financeira que a companhia enfrenta, Zylbersztajn afirmou que o presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha, e que o membro do Conselho de Administração Eleazar de Carvalho seguiram hoje para Nova York e em seguida para a Europa a fim de realizar uma espécie de "road show" com investidores interessados nos ativos da empresa.
O cenário traçado pelo comandante no documento não é dos mais otimistas. Dau não foi localizado pela reportagem para comentar o teor do relatório. Segundo ele, o percentual destinado a suprimento de material aeronáutico passou de 80% da necessidade mínima da empresa em janeiro de 2004 para apenas 10% em setembro deste ano nos pagamentos acumulados até o dia 26. Neste período, o montante passou de US$ 6,4 milhões para US$ 813,8 mil.
Com o agravamento da crise ao longo de 2005, a média mensal do ano ficou em 40% das necessidades mínimas da empresa. Dau destaca que os valores não incluem recursos para o reparo de motores.
Atualmente, Varig, Rio Sul e Nordeste têm 15 aeronaves paradas. A frota tipo B737-300/500 tem 10 aviões parados, o equivalente a 25%. O modelo B767-300 tem uma das três aeronaves paradas. A frota tipo MD11, usada em vôos internacionais, tem duas aeronaves paradas e a B777, mais dois aviões indisponíveis. Segundo Dau, diversas aeronaves precisam de motores e de componentes aeronáuticos.
Até o dia 29 de setembro, data do documento, a companhia precisava de US$ 70 milhões para reativar a frota indisponível. Ele ressalta, no entanto, que mesmo após a liberação dos recursos a reintegração das aeronaves à frota levará pelo menos seis meses. Sem recursos mensais disponíveis, o comandante menciona também o comprometimento dos padrões ideais para operação das aeronaves.
Segundo o documento, além das 15 aeronaves paradas, a Varig ainda poderá ter 16 aviões indisponíveis sem a entrada de novos recursos até o fim do ano. O documento afirma que os eventos técnicos que poderão afetar a frota até o fim do ano são a remoção de 14 motores CFM56, usados na frota B737 por limitação de utilização. Deste total, sete seriam removidos em outubro, dois em novembro e cinco em dezembro. Além disso, deverão ser removidos dois motores CF6-80-D1F, da frota MD-11, de vôos internacionais, no mês de outubro por limitação do uso.
Para evitar um impacto ainda maior sobre a frota da companhia, o comandante Dau destaca que depende do recebimento de cinco motores em revisão que serão entregues em outubro, da possibilidade de envio de mais seis motores para revisão no fim deste mês e de mais seis motores serem encaminhados para revisão até o início de novembro.
Estas alternativas requerem, no entanto, a liberação de US$ 14 milhões, um valor que representa praticamente a metade de tudo que a companhia aérea investiu neste ano em suprimento de material aeronáutico. Sem esses recursos, o relatório indica que mais aeronaves B737 deverão ficar fora de uso porque a revisão dos motores leva em média 50 dias. Dau ressalta que os cálculos não incluem as falhas prematuras de motores.
'Este índice de indisponibilidades deverá subir exponencialmente nos próximos meses, devido a esta falta de recursos e, por não haver mais disponibilidade de componentes aeronáuticos a serem removidos das aeronaves atualmente indisponíveis (processo de canibalização com o objetivo de manter a atual frota operativa)', afirma o relatório.
Ao final, o comandante sugere que sejam enviadas cópias para o administrador judicial, João Vianna, e para a Justiça. Vianna e o juiz Luiz Roberto Ayoub, que integra a comissão de magistrados que cuida da recuperação judicial da Varig, afirmaram não ter recebido o documento.
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- Marcelo Areias
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Marcelo Areias
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Re: Varig pode ter 31 aviões sem condições de vôo até o fina
Gosto da Varig e estou ficando preocupando...
To cheio de bilhetes da cia, o ultimo deles para janeiro..
Espero poder voar..
Força Varig!
César
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Muito triste ver a empresa na corda bamba.
Mas se há algo de positivo nisso tudo, é que os problemas estão sendo claramente expostos e ninguém está tentando tapar o sol com a peneira. A empresa assume sua situação difícil e assume suas necessidades. Coisa que nós não vimos acontecer com Vasp e TransBrasil que mantiveram as aparências até o último instante. Pode ser um diferencial.
Mas se há algo de positivo nisso tudo, é que os problemas estão sendo claramente expostos e ninguém está tentando tapar o sol com a peneira. A empresa assume sua situação difícil e assume suas necessidades. Coisa que nós não vimos acontecer com Vasp e TransBrasil que mantiveram as aparências até o último instante. Pode ser um diferencial.
Leonardo Vasconcelos- SBBR
