"Jato regional da China concorre com Embraer
CLÁUDIA TREVISAN
DE REPORTAGEM LOCAL- Jornal Folha de São Paulo- 24/09/05
A China anunciou ontem que fará no fim de 2006 o vôo inaugural do primeiro jato regional desenhado no país, que deverá concorrer com aviões da brasileira Embraer, da norte-americana Boeing e da européia Airbus.
A Embraer é a única empresa estrangeira que produz aeronaves na China. Desde 2003, a companhia brasileira está associada à estatal Avic II para a fabricação de aviões de até 50 lugares.
O jato regional chinês será produzido pela Avic I, a outra estatal do setor aeronáutico. O avião, batizado de ARJ-21, terá versões de 78 a 105 lugares e a sua produção deverá começar no fim deste ano.
A expectativa do governo chinês é vender 300 ARJ-21 nos próximos 20 anos. A Avic I já teria recebido encomendas de 35 jatos das companhias aéreas do país.
A entrada no mercado do novo avião pode atrapalhar os planos de expansão da Embraer na China. A empresa decidiu se instalar no país em 2003 depois de tentativas frustradas de vender seus jatos regionais a companhias locais.
Mesmo antes da entrada do ARJ-21 no mercado, a empresa brasileira já enfrenta problemas para se firmar na China. No ano passado, vendeu 6 aviões a companhias chinesas e, em 2005, deve atingir a marca de 10 aeronaves, número bastante inferior à capacidade de produção da fábrica, de 24 jatos por ano.
O principal problema para a expansão da Embraer é o fato de a legislação chinesa não estimular a utilização de aviões regionais. Não há, por exemplo, gradação das taxas aeroportuárias ao tamanho das aeronaves, o que aumenta o custo de operação dos aviões pequenos, já que pagam o mesmo que os grandes e têm menor possibilidade de diluir o custo entre os passageiros.
A alteração das regras está sendo negociada desde o ano passado entre a Embraer -com apoio do governo brasileiro- e autoridades de Pequim.
Com crescimento anual médio de 9,4% nos últimos 25 anos, a China é hoje um dos mais promissores mercados para o setor de aviação. Nas últimas duas décadas, o tráfego aéreo aumentou 17,5% ao ano e a previsão é que ele cresça ao menos 9,2% ao ano na próxima década.
Os cálculos da Embraer apontam que a China terá necessidade de 635 aviões com menos de 120 lugares nos próximos 20 anos e aposta que parte desse mercado será suprido por suas aeronaves."
Abs. Regis.
Jato regional da China concorre com Embraer
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