Sindicatos pedem para Justiça afastar conselho e diretores da Varig
FABIANA FUTEMA
JANAINA LAGE
da Folha Online, em SP e no Rio
Sindicatos de representação dos aeroviários e dos aeronautas entraram com pedido de destituição da direção da Varig na 8ª Vara Empresarial no Rio. Os trabalhadores alegam que há indícios de fraude na gestão da empresa. O administrador judicial da Varig, João Vianna, já havia pedido a destituição da administração na semana anterior.
A venda da subsidiária de transporte de cargas Varig Log foi o pivô de uma relação que já se mostrava conturbada desde maio, quando a nova administração assumiu.
Os funcionários contestam a venda da subsidiária e afirmam que a lista de credores apresentada pelos administradores à Justiça relaciona os empregados da Varig Log e da VEM (Varig Engenharia e Manutenção) no passivo trabalhista da Varig. Excluídas as subsidiárias, a Varig tem 11 mil funcionários. A lista apresentada pela Varig contém 19 mil pessoas.
Há desconfiança de que a intenção dos administradores, ao incluírem o passivo trabalhista das subsidiárias nas contas da empresa, é deixar as empresas de engenharia e de logística mais atraentes a futuros compradores. A percepção dos sindicatos é de que a atual gestão pretende vender os ativos saudáveis e deixar a Varig declarar falência.
O sindicato alega que o próprio presidente da empresa, Omar Carneiro da Cunha, teria confessado que o fundo norte-americano Matlin Patterson Global Advisers está interessado em comprar a VEM no futuro.
A contratação do UBS e da Lufthansa Consulting também é alvo de críticas. Os sindicatos alegam que as consultorias foram contratadas por valores injustificáveis, dada a situação da Varig.
O terceiro argumento do sindicato é que a empresa está negando informações ao administrador judicial. A empresa que adere à lei de recuperação judicial fica livre de execuções durante a tentativa de recuperação, mas em contrapartida precisa prestar contas de suas decisões a um administrador.
O futuro da Varig, segundo a presidente do Sindicato Nacional de Aeronautas, Graziella Baggio, deve passar por renegociações com antigos interessados em comprar a empresa.
Preocupados com o rumo que podem tomar as dívidas trabalhistas, os sindicatos pediram também a penhora dos ativos de todas as empresas do grupo, o que inclui a penhora da marca Varig. O receio dos trabalhadores é que a marca seja vendida por um preço irrisório caso a Varig não consiga se reerguer. Para Baggio, a escolha pelo processo de recuperação foi um equívoco porque a legislação ainda é muito recente e não se adapta a uma empresa do porte da Varig.
Outro lado
O advogado Marcelo Carpenter, do escritório de Sérgio Bermudes, que defende a Varig, negou as acusações. 'Não houve fraude alguma. Não existe nenhum interesse por parte da Varig em aumentar seu passivo trabalhista. Isso só atrapalharia a recuperação judicial da empresa', disse Carpenter.
Segundo ele, a companhia publicou no começo do mês uma lista de credores às pressas para cumprir os prazos estabelecidos pela lei de recuperação. "A primeira lista foi apresentada num prazo muito curto. Por isso houve um erro e passivos trabalhistas da Varig Log e da VEM acabaram entrando na listagem."
Carpenter disse que o erro será corrigido na próxima semana com a publicação de uma nova lista de credores. "O sindicato, entretanto, foi leviano, pois avisamos a eles que havia um erro e que ele seria corrigido. Não houve fraude."
Quanto à contratação das consultorias, o advogado afirmou que a Varig precisa de profissionais acostumados a fazer renegociações de débitos.
Carpenter também negou que a Varig esteja dificultando o acesso do administrador judicial, João Vianna, aos documentos da recuperação. "Estamos entregando a ele todos os documentos que são solicitados. Mas alguns documentos levam tempo para serem levantados."
Os dirigentes sindicais também são contrários à venda da VarigLog, que para eles estaria sub-avaliada. Pelo contrato a ser fechado com a Matlin Patterson, a VarigLog foi avaliada em US$ 100 milhões.
Mas a empresa só receberá US$ 38 milhões pela VarigLog, pois do valor de avaliação foram descontados o passivo de US$ 60 milhões e a participação de 5% que a Varig manterá na transportadora aérea de carga. Estudos indicariam que a VarigLog valeria US$ 300 milhões.
No entanto, Carpenter disse que os sindicatos reclamam do valor, mas não oferecem uma alternativa para a Varig, que precisa de injeção imediata de recursos financeiros. "Eles [sindicatos] têm uma proposta melhor? Eles encontraram alguém disposto a pagar US$ 300 milhões pela VarigLog?"
Segundo ele, a empresa tem uma audiência em Nova York no dia 31 para discutir o pedido de arresto de aeronaves feito pela ILFC (International Lease Finance Corporation). Pela lei, a empresa tem de manter em dia o pagamento das dívidas correntes. Entre as dívidas correntes estaria uma parcela vencida de uma dívida de US$ 20 milhões referente ao aluguel de aeronaves da ILFC.
A idéia da Varig é chegar à audiência de Nova York com um plano de pagamento dessa dívida. O plano envolveria o acordo de venda da VarigLog para a Matlin Patterson. O fundo também deve emprestar US$ 65 milhões para a companhia.
Sindicatos pedem para Justiça afastar conselho e diretores d
Moderador: Moderadores
Regras do fórum
As regras do fórum estão disponíveis CLICANDO AQUI.
As regras do fórum estão disponíveis CLICANDO AQUI.
- Marcelo Areias
- MASTER

- Mensagens: 3373
- Registrado em: Seg Dez 20, 2004 08:15
- Localização: Jundiaí-SP
Sindicatos pedem para Justiça afastar conselho e diretores d
_________________
Marcelo Areias
Marcelo Areias