Procuradoria e PF investigam empresa de carga aérea que presta serviço aos Correios e foi denunciada por Jefferson
Mariana Barbosa
A empresa de carga aérea Skymaster, acusada no escândalo de corrupção dos Correios, é investigada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal por falsidade ideológica e falsificação de documentos. As investigações partiram de denúncia de Paulo Roberto de Vasconcelos Gonçalves, ex-engenheiro de vôo da Skymaster e primo dos donos, os irmãos Luiz Otávio e Hugo César Gonçalves.
Ao Estado, Vasconcelos lança suspeita de que os primos enriqueceram muito rapidamente desde que passaram a fornecer para os Correios, em 2000. "Em 1993, o Hugo estava desempregado, vivia de favor na casa da mãe e recebia uma mesada de US$ 100 do irmão. É no mínimo estranho que hoje more numa mansão no Lago Sul em Brasília, tenha lancha, e um apartamento de luxo em Fortaleza."
A Controladoria da União investiga os contratos da Skymaster com os Correios e já detectou indícios de irregularidades. O deputado Roberto Jefferson denunciou superfaturamento e transporte fantasma de carga.
Vasconcelos rompeu com os primos em março do ano passado, quando foi demitido por justa causa. Ele entrou com processo e diz que foi demitido por se recusar a ser cúmplice de falsificação de documentos para revalidar carteiras de habilitação. O Departamento de Aviação Civil (DAC) informa que depois de receber sua denúncia, em dezembro, fiscalizou a empresa e confirmou as irregularidades. "Várias medidas foram tomadas, dentre elas a suspensão das licenças dos envolvidos e a aplicação de multas." O DAC explica que, dada a gravidade das irregularidades, foi determinado o envio das constatações ao Ministério Público do Rio.
Na ação trabalhista, Vasconcelos aponta outras irregularidades. Diz que os tripulantes eram advertidos a não reportar ocorrência de panes no livro de manutenção e que que a empresa pagava trabalhadores "por fora", declarando uma quantia mínima em carteira, para pagar menos impostos e contribuições previdenciárias.
A Skymaster informou, por sua assessoria, que Luiz Otávio Gonçalves, que normalmente fala pela empresa, não daria entrevista porque o que tem para falar será dito em seu depoimento à CPI dos Correios, quarta-feira.
A empresa enviou ainda nota em que "repudia veementemente" as acusações de Vasconcelos, dizendo que são "oportunistas" e partem de um ex-funcionário, "parente de diretores da empresa, inconformado com sua demissão". Já as denúncias da ação trabalhista "merecerão resposta judicial, no momento oportuno".
Fonte: O Estado de SP
CPI: Skymaster é suspeita de falsificar papéis
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CPI: Skymaster é suspeita de falsificar papéis
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Ontem a TAF Linhas Aéreas também foi citada na CPI dos Correios
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Diretor da Skymaster diz que procurou Sílvio Pereira
Diretor da Skymaster diz que procurou Sílvio para reclamar da ECT
Brasília - O diretor comercial e sócio da Skymaster Airlines, Luiz Otávio Gonçalves, afirmou ontem que, em novembro de 2003, procurou o então secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, porque sua empresa estava se sentindo prejudicado pela direção da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Em depoimento à CPI Mista dos Correios, Gonçalves disse que se encontrou com Sílvio Pereira porque a cúpula da estatal não aceitou repactuar o contrato da Skymaster e insistia em promover licitação para o transporte aéreo noturno.
Segundo Gonçalves, o presidente do grupo de trabalho criado para renegociar os preços com as empresas que faziam o transporte aéreo noturno não aceitou negociar com a Skymaster. "O presidente do grupo de trabalho se dizia do PT de carteirinha e, por isso, procurei o Sílvio Pereira e fui levar a ele o que estava acontecendo nos Correios. Ninguém me sugeriu procurá-lo", afirmou Gonçalves.
Gonçalves contou que o encontro com Pereira foi no hall de um hotel em São Paulo, mas disse que, depois, não teve mais contato com o petista. "O Sílvio disse que ia estudar o meu problema e depois me comunicaria, mas ele nunca me deu uma resposta", afirmou o diretor da Skymaster.
Em dezembro de 2003, a Skymaster ganhou licitação dos Correios para fazer o transporte aéreo noturno da empresa. A Skymaster venceu por ter pedido o preço mais baixo: R$ 4,7 milhões ao mês. Mas, dois meses depois, Gonçalves começou a pedir o realinhamento de preços, sob alegação de que houvera aumento de preços de combustíveis. "Levei um prejuízo de R$ 21 milhões com esse contrato", afirmou Gonçalves. Em dezembro de 2004, o contrato de R$ 4,7 milhões foi renovado por R$ 9,8 milhões.
No depoimento, o diretor e sócio da Skymaster disse ainda que não tinha conhecimento de uma suposta remessa ilegal de quase US$ 1 milhão de sua empresa para o Exterior. Segundo o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), do relatório final da CPI do Banestado consta que a Skymaster enviou recursos para um paraíso fiscal.
Eugênia Lopes
Agência Estado
Brasília - O diretor comercial e sócio da Skymaster Airlines, Luiz Otávio Gonçalves, afirmou ontem que, em novembro de 2003, procurou o então secretário-geral do PT, Sílvio Pereira, porque sua empresa estava se sentindo prejudicado pela direção da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT). Em depoimento à CPI Mista dos Correios, Gonçalves disse que se encontrou com Sílvio Pereira porque a cúpula da estatal não aceitou repactuar o contrato da Skymaster e insistia em promover licitação para o transporte aéreo noturno.
Segundo Gonçalves, o presidente do grupo de trabalho criado para renegociar os preços com as empresas que faziam o transporte aéreo noturno não aceitou negociar com a Skymaster. "O presidente do grupo de trabalho se dizia do PT de carteirinha e, por isso, procurei o Sílvio Pereira e fui levar a ele o que estava acontecendo nos Correios. Ninguém me sugeriu procurá-lo", afirmou Gonçalves.
Gonçalves contou que o encontro com Pereira foi no hall de um hotel em São Paulo, mas disse que, depois, não teve mais contato com o petista. "O Sílvio disse que ia estudar o meu problema e depois me comunicaria, mas ele nunca me deu uma resposta", afirmou o diretor da Skymaster.
Em dezembro de 2003, a Skymaster ganhou licitação dos Correios para fazer o transporte aéreo noturno da empresa. A Skymaster venceu por ter pedido o preço mais baixo: R$ 4,7 milhões ao mês. Mas, dois meses depois, Gonçalves começou a pedir o realinhamento de preços, sob alegação de que houvera aumento de preços de combustíveis. "Levei um prejuízo de R$ 21 milhões com esse contrato", afirmou Gonçalves. Em dezembro de 2004, o contrato de R$ 4,7 milhões foi renovado por R$ 9,8 milhões.
No depoimento, o diretor e sócio da Skymaster disse ainda que não tinha conhecimento de uma suposta remessa ilegal de quase US$ 1 milhão de sua empresa para o Exterior. Segundo o deputado Eduardo Paes (PSDB-RJ), do relatório final da CPI do Banestado consta que a Skymaster enviou recursos para um paraíso fiscal.
Eugênia Lopes
Agência Estado
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