Aviação no Vale do Taquari completa 80 anos

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Aviação no Vale do Taquari completa 80 anos

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Matéria publicada na edição deste final de semana (sábado e domingo, 18 e 19 de julho de 2020) do jornal O Informativo de Lajeado no Rio Grande do Sul.

Aviação no Vale do Taquari completa 80 anos

Historiador relembra momentos marcantes e fala dos processos para a criação do primeiro aeroclube

Mônica da Cruz Domingo , 19 de Julho de 2020 09:00 / Atualizado em 18/07/2020 02:54

Para o historiador, Éverton Gregory, a aviação no Vale do Taquari era um exemplo para outras regiões do Estado e, até mesmo, do país

Ver o céu da região cheio de aviões locais parece, hoje, algo impossível. Porém, há 80 anos essa era a realidade. Em 13 de julho de 1940, no salão do então Clube Ginástico Estrela, um grande projeto criava asas: o Aero Clube Alto Taquari (Acat).

De acordo com o Licenciado em História, Éverton Luís Gregory, a criação se deu a partir da chegada de Getúlio Vargas ao poder, em 1930, e de seu projeto de um país mais nacionalista. Vargas começou a envolver o Estado no setor aéreo, o que antes era apenas feito por empresas privadas.

Gregory explica que no início da década de 30, o Rio Grande do Sul assumiu a Viação Aérea Rio-Grandense (Varig). A partir deste fato, lideranças de Estrela e Lajeado começaram a pensar em um aeroclube - uma associação de caráter privado, mas que teria apoio do setor público. Assim, em julho de 1940, surgiu o primeiro aeroclube da região.

"Munido de ajuda material e financeira, tanto pública quanto privada, o aeroclube se desenvolveu, tendo como premissa formar pilotos de aeronáutica de pequeno porte, fortalecendo o aparato tecnológico local e criando uma mentalidade de gosto popular pelo projeto", destaca o historiador.

Segundo Gregory, entre 1940 e 1945, há a chamada "fase de criação". A Varig, com seu setor desportivo, atuava na formação dos pilotos, ajudava na manutenção dos aviões e disponibilizava outras ferramentas e materiais.

"O aeroclube foi se tornando um sucesso. Nos finais de semana, dezenas de pessoas visitavam as dependências da entidade para assistir os voos e até, se possível, voarem de carona paga nos pequenos 'teco-tecos'", relembra.

O historiador conta que entre 1946 e 1954 ocorreu a "era de ouro" do aeroclube. O Acat fazia integração com aeroclubes de outras cidades do Estado e fora do país, chegando, inclusive, a fazer viagens para Uruguai, Argentina e Paraguai. "A partir de 1948, contava também o campo de aviação com serviço de táxi aéreo, transportando passageiros entre regiões", comenta.

Mudanças

Conforme o historiador, Éverton Gregory, após o suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, muitas pessoas começaram a se afastar da aviação. Isso porquê, não existia mais um elo entre os entusiastas. Em 1955, após alguns problemas internos na Acat, alguns lajeadenses se retiraram do grupo e resolveram criar um novo aeroclube, dessa vez na margem direita do rio (no que hoje compreende o município de Cruzeiro do Sul), o Aero Clube de Lajeado (ACL).

Gregory conta que em 1961 veio um novo acontecimento. Alegando paralisação escolar do aeroclube, o Departamento de Aviação Civil recolheu as aeronaves locais e terminou com o funcionamento normalizado da sociedade desportiva. "A aviação em Estrela dava uma pausa, enquanto que, do outro lado do rio, o novíssimo ACL criava expectativas de se tornar o novo representante aéreo do Vale", salienta.

O historiador diz que em 1966, algumas pessoas resolveram reanimar o aeroclube de Estrela. Assim, o antigo Aero Clube Alto Taquari (Acat), passou a se chamar Aero Clube de Estrela (ACE). Após alguns meses, membros do ACE e do ACL resolveram fundir os dois grupos, criando o Aero Clube Vale do Taquari (ACVT).

Lembranças que deixam saudade

Com a chegada dos anos 70, o historiador ressalta que novas mudanças ocorreram. O Governo Federal, então militar, decidiu investir em um projeto de renovação da logística de transportes fluvial e terrestre e, nesta proposta, o Vale do Taquari foi tomado como um dos locais-chave do processo.

"O desespero dos membros do aeroclube era evidente. O Vale perderia um dos seus mais bem-sucedidos meios de locomoção. E isso aconteceu em 1975. O campo de aviação foi destituído como propriedade, passando para as construções do Porto Fluvial de Estrela", frisa.

Segundo Gregory, foi somente na década de 1980, que a Prefeitura de Estrela se engajou para adquirir terras ao norte do Porto - hoje Linha São José. Lá, a administração abriu uma pista, que permaneceu durante os anos 1990 sem grandes alterações. "Ali se estabeleceram hangares particulares de pilotos não-associados, interessados na região."

De acordo com o historiador, de 2000 a 2020 houve a abertura e o fechamento do aeródromo diversas vezes. Ele explica que entre interdições e reaberturas burocráticas, o novo campo de aviação foi frequentado nos últimos 20 anos, principalmente, como local de lazer para voos em fins de semana. "O denominado Aeródromo, seja regional ou de Estrela, é o resquício do poderio aéreo regionalista. Os anos mágicos dos aeroclubes, ao que tudo indica, não voltarão. Desde então fica, registrada nos anais da história, a saudade", afirma.


https://www.informativo.com.br/geral/av ... 4202.jhtml

Aeródromo de Estrela (ICAO: SSEE) Pista 06/24 (Grama) 570m
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