Autor: Comandante Wanderley Duck - (Fotos coleção do autor)
Hoje os helicópteros de reportagem são comuns nos céus de São Paulo e do Rio de Janeiro, via de regra são aqueles pequeninos Robinson R22 e R44, mas também existem alguns Esquilo e uns poucos Bell 206, que já são um tanto maiores, fazendo esse tipo de trabalho. Inclusive alguns "repórteres aéreos", como o pioneiro Aluani Neto, já falecido, e o nosso querido Geraldo Nunes, são profissionais bastante conhecidos do público.
O primeiro helicóptero de reportagem do Brasil, entretanto, foi muito anterior a isso tudo, foi este Westland-Sikorsky S-51 Dragonfly, o PT-HAL, o c/n WAH-30 do seu fabricante.
Ele pertencia à TV Record de São Paulo, do Paulo Machado de Carvalho, na época a mais importante emissora de televisão do país, ela seria o equivalente a atual Rede Globo, que naquele tempo ainda nem existia.
Essa aeronave foi comprada pela Record em 1959 e serviu a aquela emissora durante a década de 1960, até ser vendido para a Ocian - Organização Construtora e Incorporadora Andraus, que o utilizava para levar clientes e investidores aos seus empreendimentos, como a Cidade Ocian, no município litorâneo de Praia Grande.
Na última foto que estou lhes anexando, ele já pertencia à Ocian e aparece em uma propaganda pousado no heliponto do antológico Edifício Andraus. Ao contrário do que diz a propaganda, aquele não foi o primeiro heliporto da América do Sul, nem mesmo do Brasil, e na verdade nem era um heliporto, era apenas um heliponto. O que ele foi, para lhe fazer justiça, é o primeiro heliponto de topo de edifício da América do Sul e, como vocês sabem, ele foi fundamental no resgate de vítimas do fatídico incêndio daquele prédio, em 1972.
Falando um pouco mais desses S-51, eles foram os primeiros helicópteros do mundo que foram vendidos para operadores civis.
Todos os que operaram no Brasil, tanto os da Marinha quanto os civis, foram fabricados sob licença da Sikorsky pela Westland, na Inglaterra. Na verdade apenas três S-51 civis operaram no Brasil, o PT-HAK, que era o c/n 29 e que originalmente teve o prefixo inglês G-AMHC, esse PT-HAL da Record, que era o c/n 30 e que originalmente teve o prefixo inglês G-AMHB e mais um cujo prefixo brasileiro eu nunca consegui descobrir, que era o c/n 48 e que originalmente teve o prefixo inglês G-AMHD. Todos eles três, depois da Inglaterra, voaram na Bélgica (com prefixo OO), no México (com prefixo XB) e nos Estados Unidos (com prefixo N), para só depois serem vendidos para compradores brasileiros e receberem o prefixo PT.
Dos três civis brasileiros apenas um sobreviveu, justamente esse nosso PT-HAL da TV Record, ele faz parte do acervo do polêmico museu de Bebedouro.





