Boeing aposta na recuperação da Varig e na AL para vender aviões
Fonte: Reuters
A América Latina é o mercado que mais cresce no mundo aos olhos da Boeing. Depois da China, claro. Na opinião da segunda maior fabricante de aviões do mundo, mesmo crises de clientes complicadas como a Varig serão superadas, desde que a reestruturação da companhia aérea brasileira não tenha que passar pela conversão de dívidas em ações.
Clientes novas como a Gol e potenciais como a empresa Lan levam a Boeing a projetar que o tráfego aéreo na região deve crescer 7,6% ao ano até 2024. Boa noticia para quem fabrica aviões.
O vice-presidente comercial da Boeing para América Latina e Caribe, John Wojick, disse à Reuters, em entrevista exclusiva, que a situação da Varig, provavelmente a principal cliente Boeing na região, não preocupa a fabricante norte-americana. "Não é uma situação única, estamos acostumados a lidar com isso e temos certeza que a crise será superada".
Ele espera que a empresa mais tradicional e endividada do setor aéreo do Brasil seja reestruturada e volte a fazer pedidos. O último foi em 2001, com a chegada de dois 777.
"Vamos participar dessa reestruturação, afinal somos credores, mas não queremos ser sócios e esperamos receber tratamento igual aos demais credores", afirmou, completando que sua participação vai depender da forma que será encontrada para salvar a Varig.
A entrada da Gol no mercado brasileiro garantiu à Boeing um fluxo expressivo de pedidos, ao mesmo tempo que as encomendas da Varig minguavam. No mercado brasileiro, a Boeing também tem como cliente a BRA, que embora atuando no mercado de aviões usados "é um cliente importante para serviços de manutenção e treinamento", observou Wojick.
A recuperação do mercado de aviação internacional após os atentados de 11 de setembro de 2001 foi consolidada no ano passado, "quando pela primeira vez foi superado o tráfego de 2000". Para este ano, a previsão do executivo é bem mais otimista: a volta de rentabilidade para todas as companhias aéreas da América Latina.
Além da Gol - que fez este ano sucessivos incrementos nos pedidos à Boeing, totalizando até agora 26 compras firmes e 63 opções de 737 -, a panamenha Copa Airline acrescentou, esta semana, mais cinco aviões ao pedido firme de 29 unidades.
A Lan, que no final de 2004 fez seis novos pedidos firmes à Boeing, recentemente adquiriu operações na Argentina e, na avaliação de Wojick, também representa grande oportunidade de vendas. "Eles compraram uma operação mas vão precisar de aviões". Outras empresas como Avianca e Aerolíneas Argentinas seguem o mesmo caminho da brasileira BRA e estão mantendo aquecido o mercado de aviões usados da Boeing.
"Estamos muito otimistas com a América Latina, que apesar de representar apenas cinco por cento das previsões de vendas nos próximos 20 anos tem tido um crescimento muito rápido."
Grande ou pequeno?
A Boeing prevê que nos próximos 20 anos a região será responsável pela compra de 1.621 aviões, totalizando vendas de de US$ 88 bilhões, com 43% deste total destinados ao Brasil.
Mais de 70% serão de aviões de médio porte, como o 737 da Boeing, o que reforça a aposta da companhia em aviões menores, ao contrário da sua principal concorrente, Airbus, que nesta quarta-feira fez voar pela primeira vez o gigante A380, de dois andares e para até 800 passageiros.
"Nossa visão de mercado é diferente, vemos aviões menores para atender um grande mercado, em vez de um grande avião para um pequeno mercado, e o sucesso das nossas vendas mostra que apostamos corretamente", explicou o executivo.
De acordo com Wojick, o novo produto da Boeing apresentado há um ano, o 787 de duas fileiras, com capacidade para entre 223 e 296 passageiros, dependendo da configuração, já conta com pedidos firmes de 217 unidades, "enquanto a Airbus levou cinco anos para vender pouco mais de 100 unidades (do A380)", alfinetou.
O novo avião da Boeing, segundo Wojick, terá um bom mercado na América Latina por contar com 20% a mais de espaço para carga em comparação a outros similares e gasto 20% menor de combustível. Mesmo assim, esse tipo de aeronave, junto com o 777 e 767, que integram a família da Boeing com dois corredores, representam apenas 17% das projeções de vendas para os próximos 20 anos.
Boeing aposta na recuperação da Varig e na AL para vender av
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