Para Abav, governo tem obrigações com a Varig
Gazeta do Paraná - 17/04/2005
A Abav está empenhada em salvaguardar o futuro da Varig. "A Varig é um patrimônio do Brasil e não pode cair nas mãos de operadores predatórios. O governo tem obrigações com a empresa", disse presidente nacional da associação, João Ferreira Martins Neto, após a abertura do 11º Salão Profissional de Turismo da Abav-PR. Ferreira Martins defendeu a manutenção da companhia em crise e que amarga uma dívida milionária calculada entre R$ 6 bilhões e R$ 9 bilhões. Caso o fechamento se confirme, cerca de 150 mil postos de trabalho direto e 550 mil indiretos serão fechados.
A empresa, sinônimo de sucesso no passado, já foi o principal símbolo e escola da aviação comercial brasileira. "Por muitos anos os escritórios da Varig eram também as sedes dos consulados do País no exterior". A Varig detém 82% das linhas internacionais e mantêm aproximadamente 70% de sua frota operando linhas em 27 diferentes países. "Quem pode substituir isso? Ninguém".
Segundo Ferreira Martins, o Banco do Brasil, Infraero e Petrobras são os principais credores da companhia. Para se ter uma idéia do prejuízo, só em dívidas trabalhistas, o montante chega a R$ 2,4 bilhões. A companhia ganhou a causa em última instância, mas segundo Martins Neto, o governo deverá recorrer da sentença. O presidente da Abav lembrou ainda de "golpes históricos" ao poder público. "Quantas vezes os produtores de álcool deram 'calotes' no País e o governo vai lá e perdoa a dívida?", indaga.
Martins Neto acredita que o momento atual é ideal para o governo ter coragem de assumir um dever constitucional de ajudar a Varig. A companhia, que em 2003 teve um prejuízo estimado em R$ 1,5 bilhão, em 2004 reduziu o rombo para R$ 85 milhões.
Legislação - Ele destacou a nova política adotada pelo governo federal em relação ao turismo. "O segmento tem uma lei satisfatória agora, além da criação do Ministério do Turismo, o ministro Walfrido dos Mares Guia teve a coragem de estipular uma meta, que é receber nove milhões de turistas estrangeiros até 2007".
Martins Neto embasou sua boa perspectiva no total de visitantes internacionais que vieram ao Brasil nos últimos anos. Em 2004 foram 4,9 milhões. Em 2005 na estimativa é chegar a 5,9 milhões.
Outro fator que contribui para um crescimento do turismo estimado em 14%, só esse ano, segundo o presidente da Abav é o aumento do turismo interno, a partir de 2001 em função dos atentados terroristas de 11 de setembro. "O brasileiro redescobriu o Brasil".
A associação defende a atenção de três itens para melhorar o atendimento e o fluxo turístico: qualidade (qualificar cada vez mais o receptivo), competência (certificar agências através de convênios com o Sebrae) e eficiência (capacidade de venda).
Agências faturam R$ 3,2 bilhões - João Ferreira Martins Neto revelou que as agências de viagens tiveram um faturamento líquido na ordem de R$ 3,2 bilhões em 2004. "Para 2005 o lucro das empresas deverá ser acrescido de 14% a 15%", acredita.
Mesmo com esses números, Ferreira Martins disse que o faturamento das agências não foi muito significativo, pois representa também um aumento do volume de trabalho. Esse fenômeno ocorreu em função da concorrência das companhias aéreas, em especial a Gol que baixou seus preços e refletiu na qualidade do serviço. "Isso explica também a demora na marcação de reservas de passagem e hospedagem", concluiu.
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