Folha de São Paulo - Segunda, 18/04/05
SANDRA BALBI
Estão abertas, a partir de hoje, as reservas para compra de ações da nova oferta pública da Gol Linhas Aéreas. Essa é a décima emissão do novo ciclo do mercado de capitais iniciado em maio do ano passado com as emissões de grandes empresas como Natura, CPFL Energia, Grendene, Dasa, Porto Seguro, Submarino e da própria Gol, que estreou na Bolsa em junho de 2004.
Os investidores interessados em comprar o papel devem procurar uma corretora para fazer sua reserva a partir de hoje até o dia 26. Os corretores recomendam a leitura do prospecto disponível no site da Gol -um calhamaço de 352 páginas. No documento, são apontados os pontos fortes e fracos da companhia.
Como todas as corretoras estão participando da colocação dos papéis, seus analistas estão impedidos de emitir opiniões sobre a empresa. No entanto, "off de record", alguns concordaram em avaliar a oportunidade do negócio para o investidor pessoa física. Segundo eles, poucos investidores fazem a "lição de casa". Ou seja, poucos lêem o prospecto da emissão antes de comprar.
Embora todos destaquem a saúde financeira da empresa -bem capitalizada e com boa geração de caixa-, alguns recomendam que os investidores olhem também o lucro por ação projetado pelo mercado para 2005 e 2006.
Essas projeções apontam para um lucro por ação de R$ 2,80, para este ano, e de R$ 3,15 para 2006. No ano passado o lucro por ação foi de R$ 1,69. Por esse parâmetro, como a empresa estava cotada a R$ 36,00 na sexta-feira, o P/L do papel seria 12,8 vezes para dezembro deste ano e 11,4 vezes para dezembro de 2006.
O P/L é o número de anos que, teoricamente, o investidor terá de esperar para recuperar o investimento. Ou seja, teoricamente, o investidor da Gol teria de esperar entre 11 e 12 anos para ter o retorno do seu investimento. Por esse critério de avaliação, o papel é considerado caro no mercado. O P/L da Gol está 42% acima do P/L médio projetado para as empresas da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), que é nove vezes.
Embora o preço da emissão só vá ser definido no dia 27, os corretores estimam que o valor de abertura ficará entre 2% e 3% abaixo do preço atual negociado nos pregões (em torno de R$ 36). Na primeira emissão, em 25 de junho do ano passado, foram colocados 33,050 milhões de ações, e o papel abriu cotado a R$ 26,32.
Desde então, subiu 29,8%. No mesmo período, a variação do Ibovespa (Índice da Bolsa de Valores de São Paulo) foi de 18,8% apenas. Os analistas lembram que na primeira emissão o mercado vivia outro momento: a Bolsa subia, e os investidores estrangeiros apostavam no mercado local. O cenário hoje é outro.
Prevaleceu, então, a demanda internacional. Segundo esses analistas, companhias aéreas com o perfil da Gol - com baixo custo e baixa tarifa- despertam o interesse do investidor na Europa e nos Estados Unidos.
Na atual oferta, serão colocadas no mercado 14,7 milhões de ações da Gol, sendo 5,5 milhões em uma oferta primária (nova emissão) e 9,2 milhões em uma oferta secundária (venda de papéis de um acionista, a BSSF Air Holding, afiliada a AIG Capital Partners, sócia da Gol).
As ações serão oferecidas internacionalmente por meio de ADS (American Depositary Shares) e no Brasil por meio de papéis preferenciais.
Gol abre nova oferta para compra de ações
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