Air Tatoo 2004

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jambock
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Air Tatoo 2004

Mensagem por jambock »

Meus prezados:

Depoimento de quem lá esteve (infelizmente não fui eu :( )

Olhando as fotos feitas no RIAT 2004, é difícil não sentir a emoção de ter estado lá. Voltam os cheiros, os sons, os momentos mágicos, de extrema beleza e emoção. Onde mais você pode escutar a música de 4 Spitfires voando em formação e a decolagem de um B-2, afterburners ligados, trovejando a apenas alguns de metros de você? Bem vindo ao Royal International Air Tattoo, o melhor show de aviação militar do mundo.

Um ano de muitas comemorações

O RIAT 2004 foi marcado por algumas datas importantes. Começando pela mais antiga, quando França e Inglaterra celebraram os 100 anos da "Entente Cordiale" um acordo entre as nações que na prática, serviu como um elegante pacto de não-agressão, de divisão dos interesses colonialistas das duas maiores Metrópoles da história. Na prática, significou maior participição da Força Aérea Francesa no RIAT evôos especiais, com duas aeronaves, uma de cada país, voando em formação.

Outra importante data comemorada: os 60 anos do dia D, 6 de junho de 1944, o dia em que os aliados desembarcaram na Normandia e iniciaram a derrocada final do Reich de Hitler. Para comemorar o aniversário, várias aeronaves da Segunda Guerra se exibiram, entre elas os mágicos Spitfires, um C-47 Dakota, Avengers, Mustangs, e até mesmo um maravilhoso AVRO Lancaster.

Tivemos ainda o aniverário de meio século de um dos mais bem sucedidos aviões de todos os tempos, o Lockheed Martin C-130 Hercules. Da Amazônia ao Kosovo, da Somália ao Perú, milhares de Hercules voam em missões que vão do salvamento ao ataque, do reabastecimento a detecção de furacões. Não há trabalho que o Hercules recuse.

Outra data redonda foi o aniversário de 30 anos do BAe Systems Hawk, um treinador avançado vastamente empregado no mundo todo, até mesmo na exigente marinha norte-americana, que voa com uma versão "navalizada", o T-45 Goshawk.

E é claro, os Hawks tem mesmo na esquadrilha acrobática da Royal Air Force, os Red Arrows, seu mais célebre cliente. Por sinal, os Red Arrows também tinham uma razão adicional para comemorar: os 40 anos de formação desta espetacular esquadrilha, considerada por muitos como a melhor do mundo. Os Hawk voam com os Red Arrows desde 1980.

Para completar os eventos, celebrou-se ainda os 30 anos de serviço ininterrupto do SEPECAT Jaguar, desenvolvido como treinador avançado e transformado por suas capacidades, num dos mais eficientes aviões de ataque da Royal Air Force.

Flashback

O Tattoo, como é mais conhecido, acontece anualmente na base aérea da RAF Fairford, Gloucestershire, distante 120 km de Londres. O Tattoo nasceu como uma maneira de angariar fundos para um organismo criado para auxiliar financeiramente ex-membros da Royal Air Force, o RAF Benevolent Fund.

Esse encontro de aeronaves militares teve sua primeria edição em 1971, realizado em North Weald, acontecendo mais pelo entusiasmo e bons contatos dos co-fundadores, Jack Currie e Paul Bowen. Com uma realização absolutamente improvisada, foi na base de favores pessoais e sem qualquer organização mais formal que o primeiro Tattoo ocorreu. Além da RAF, quatro forças aéreas da Europa enviaram alguns aviões, e as tripulações encontram um velho galpão, com colchões no chão, para passar a noite.

Mas o amor pela aviação, elo indissolúvel e mais forte do que qualquer contratempo ou desconforto, já dominava os ares nesta antiga e abandonada base da RAF. Trinta e três anos depois, com a realização do Tattoo 2004, muita coisa mudou. A Casa Real Britânica empresta o "Royal" chancelando e abrindo oficialmente o evento, com a presença de Sua Alteza Real, o Duke of Kent que aterrissou no BAe Hawker 800 do Royal Flight para abrir oficialmente o Tattoo 2004.

Como o eventou cresceu muito, os encontros agora são em Fairford, que tem uma das mais longas pistas dentre todas as bases da RAF. E o público presente não se conta mais na casa das centenas. Nesta edição de 2004, um total de 168.000 pessoas prestigiaram os dois dias do evento, onde nada menos que 188 aeronaves podiam ser admiradas.

O que não mudou, desde 1971, foi o espírito de informalidade e de comunhão entre as tripulações e o público. O Tattoo é uma oportunidade exemplar para tripulantes trocarem informações, conhecerem novas técnicas de operação, ou simplesmente forjarem novas amizades. O contato com o público é a outra razão do sucesso do evento. Ao lado de dezenas de aeronaves em exibição estática, pilotos e técnicos mostram detalhes e segredos de suas máquinas para os visitantes.

Passear pela feira e observar o público é quase tão interessante quanto olhar para os aviões. Famílias inteiras, avós, pais e filhos trazendo suas máquinas fotográficas, binóculos e câmeras de video a tiracolo, passeiam excitados por entre os aviões. A expressão de felicidade e muitas vezes de assombro, enfim, o clima especial que apenas a aviação é capaz de criar, geram uma eletricidade indisfarçável. Quem não vira criança ao entrar dentro de um gigantesco C-5 Galaxy? Ou de sentar na cabine de um Tornado, ouvindo do piloto como foi atuar em combate no Golfo? O Tattoo é o lugar onde isso acontece.

Para o sucesso de um evento de tamanhas proporções, organização perfeita não é apenas desejável, e sim fundamental. O Tattoo funcionou exemplarmente, dando conta da enorme multidão com eficiência. Os sistemas todos funcionaram bem: não havia praticamente filas, tudo bem organizado, sinalizado. Enfim: tudo feito para permitir o máximo de satisfação e contato com aeronaves maravilhosas.

Por exemplo, uma estação de FM foi criada especialmente para o evento. Suas transmissões incluiam entrevistas com pilotos e personalidades da aviação, músicas de época, radio transmissões ao vivo desd eas cabines de commando, informações úteis sobre tráfego, tempo, pistas em uso. Espetacular. Ou ainda, a British Airways, que colocou um Boeing 747-400 entre Heathrow e Fairford, cobrando menos de 100 libras por pessoa pelo vôo de pouco mais de 20 minutos.

Chalés de comida, lojas especializadas em roupas com temas aeronáuticos, livros, kits, posters, videos sobre aviação: estava tudo lá, funcionando prefeitamente. Até mesmo um linha interna de ónibus funcionou, ajudando ao público que tinha, literalmente, quilômetros de atrações para ver. E por falar em atrações, vamos rever agora as principais máquinas expostas.

Bombardeiros: o show dos heavies

O Tattoo 2004 teve um sabor especial: o apoio da Força Aérea dos Estados Unidos, uma retribuição ao apoio da RAF e do governo do Reino Unido nos conflitos no Oriente Médio. Partindo da própria base de Fairford, os B-52H atacavam diariamente o Iraque. E, assim, como não poderia deixar de ser, lá estavam eles, os venerandos BUFFs (Big, Ugly, Fat Fella). Seus oito motores emitindo ruído e fumaça impressionantes, os B-52H se exibiram em vôo e estaticamente.

E, como detalhe final, passavam após a exibição em vôo, serpenteando pela própria pista, utilizando o sistema único de "steering" dos trens de pouso, que permitem ao avião manter os quatro conjuntos de rodas principais alinhados com a pista, mesmo que a aeronave gire em seu eixo longitudinal de um lado a outro. O sistema foi desenvolvido para permitir o pouso com segurança, mesmo enfrentando fortes ventos de través, que afetam especialmente os B-52, por suas características aerodinâmicas únicas.

Outra máquina impressionante do Strategic Air Command é o B-1B Lancer. Apelidade pelos tripulantes de "bone" (osso) devido ao formato de sua fuselagem, o belíssmimo Lancer exibiu-se magistralmente, suas asas de geometria variável colocadas para funcionar e encantar o público.

Mas a grande estrela entre os "heavies" era mesmo a asa voadora B-2 Spirit, o único bombardeiro com tecnologia "stealth." Nos dois dias, os B-2 exibiram-se apenas em vôo, numa passagem alta sobre a pista. Detalhe: eles vieram e voltaram voando as 10,000 milhas desde a Whiteman Air Force Base, no estado de Missouri, apenas para esta passagem baixa. E, mesmo assim, enquadravam-se perfeitamente ao "timing" do show, entrando perfeitamente na sequência de exibições em vôo, como se houvessem decolado da própria pista de Fairford.

Um abraço e até mais...
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Cláudio Severino da Silva
jambockrs@gmail.com

Na aviação, só a perfeição é aceitável
jambock
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Retificação...

Mensagem por jambock »

Meus prezados:


Através do Luiz Padilha do site ALIDE, recebí uma retificação, de autoria do Leandro Maldonado, referente à decolagem do B2. Segundo êle, o B2 só fez passagens com os afterburners ligados, não tendo decolado do local onde estava se realizando o Air Tatoo 2004. Com meus agradecimentos ao Leandro, fica o registro.
Um abraço e até mais...
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Cláudio Severino da Silva
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