CRISE NO AR
Mercado não é solução para aéreas, diz analista
Para economista da Coppe, o desafio para o governo é achar equilíbrio entre liberdade e regulação no setor
GABRIELA WOLTHERS
DA SUCURSAL DO RIO
Pesquisadora da Coppe (Coordenação dos Programas de Pós-Graduação em Engenharia da UFRJ), a economista Heloisa Pires, 42, especialista em aviação civil, avalia que o governo federal pode tomar uma atitude "leviana" se buscar apenas "soluções de mercado" para a crise do setor aéreo. Ela afirma que o desafio é o equilíbrio entre a regulação e o livre mercado.
Para ela, não é coincidência o fato de as três empresas brasileiras com mais tempo de atuação -Varig, Vasp e Transbrasil- terem sucumbido à crise, pois os governos foram, em parte, responsáveis pela ineficiência.
Leia a seguir entrevista concedida à Folha.
Folha - Como a senhora avalia a declaração do ministro Palocci de que as empresas aéreas em crise financeira devem buscar uma "solução de mercado"?
Heloisa Pires - Acho que o governo, especialmente o Ministério da Fazenda, precisa estudar isso com muito cuidado. Esse é um setor bastante importante, de soberania nacional. O desafio é encontrar o ponto de equilíbrio. A aviação tem o objetivo social de integrar o país. O governo é garantidor desse objetivo.
Folha - Qual o problema de buscar soluções de mercado?
Pires - A aviação não é um setor puramente de mercado em nenhum lugar do mundo. O mercado internacional é regido por acordos bilaterais. Os países, por meio dos governos, fazem acordo bilaterais. O governo brasileiro sabe quantas empresas americanas pousam no país. E o governo americano sabe quantas empresas brasileiras pousam nos EUA.
Já as regras do transporte doméstico mudam de país para país. O governo precisa garantir a manutenção dos aviões, existe uma questão de segurança envolvida.
Folha - A senhora defende que o governo federal socorra financeiramente a Varig, mesmo considerando a administração da empresa ineficiente?
Pires - Não creio que o governo tenha de colocar dinheiro em nenhum negócio que não seja produtivo. O problema é que o setor aéreo não é trivial. Colocar dinheiro em uma administração ineficiente não é bom negócio, mas deixar o mercado livre e não atender à integração também não é bom negócio. Sou a favor da livre iniciativa, mas achar que o setor não precisa de regulamentação é inconsequência.
Folha - Mas o DAC (Departamento de Aviação Civil) não cumpre esse papel?
Pires - O DAC, que antes era um órgão bastante regulador, tem deixado a função. Ele tem deixado o mercado bem livre. Tem companhia que vende passagem e não decola porque o avião não lotou. E pronto. A liberalização muitas vezes penaliza o consumidor.
Folha - O DAC regulava essa questão, mas também impedia as empresas de concederem grandes descontos nas passagens.
Pires - O que acontecia é que havia uma acordo no país de banda tarifária. Existia um preço por quilômetro voado e as empresas poderiam variar suas tarifas dentro de uma banda. Mas, em 1998, o DAC eliminou a banda e deixou as empresas competirem entre si. E teve início a guerra tarifária.
Num curto prazo, a guerra tarifária é muito boa para o consumidor. Mas isso significou a saída da Transbrasil e da Vasp do mercado. E a Varig está à beira de sair. Não sou contra descontos, mas existe um limite para operá-los sem dar um tiro no pé.
Folha - Para a senhora, a crise não é agravada pela falta de eficiência de empresas como a Transbrasil, Vasp e Varig?
Pires - A ineficiência destas três empresas tem uma origem. Os governos que passaram participaram da construção desta ineficiência. Na década de 80, houve congelamento de preços. As empresas eram concessionárias e tinham a obrigação de voar, não importando se o que elas arrecadavam era suficiente para suportar a operação. E não era. Elas voavam com prejuízo.
Grande parte da ineficiência saiu daí. O preço que ela praticava não importava mais. As empresas entraram com ações na Justiça pedindo ressarcimento. Se o governo as tivesse ressarcido prontamente, poderia se dizer que a ineficiência delas as levou a uma situação falimentar. Mas a verdade é que os governos foram parceiros da ineficiência. O segundo baque foi a guerra de preços em 1998. Em 2001, com os atentados de 11 de Setembro, as empresas entraram em processo falimentar.
Folha - Qual é a solução?
Pires - Certamente, o mercado não pode ser livre totalmente, mas não pode ser completamente tutelado. Não se pode reduzir a questão à discussão se a Varig pode quebrar ou não. Tem que ver a possibilidade que ela tem de ser eficiente. Se não tem essa possibilidade, tem que morrer. Mas será que a TAM ou a Gol têm o interesse em atender as regiões para integrar o Brasil? A Varig fazia isso.
Folha - Como fazer a integração sem ter prejuízos?
Pires - Cabe ao governo negociar para que determinada empresa fique com a rota rentável, mas atue também em rotas deficitárias. Tem que regular. Se deixar livre, as empresas vão querer apenas fazer a ponte aérea.
Crise no ar
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jambock
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Deus seja louvado!
Prezado Velásquez:
Hosana
Helás
Deus seja louvado
Alá é grande e Maomé é seu profeta
Ogunhê misifio
Finalmente alguém disse, em alto e bom som, que o govêrno teve e tem culpa na situação que envolveu TRANSBRASIL, VASP e, agora, VARIG. Como é que o govêrno não convoca a Dra. Heloisa Pires para por uma luz neste túnel
O eng. Ozires Silva, em artigo publicado na AeroMagazine ou AviãoRevue, já dizia que a culpa não era das empresas.
A timidez, para não dizer omissão, do governo quanto à regulamentação do setor está penalizando demais as companhias.
Até as Regionais querem uma parte do filé mignon (leia-se Rio-São Paulo-Brasília), quando elas foram criadas para servirem o interior do Brasil, que conta com apenas, snme, 165 localidades servidas pela aviação regular.
Govêrno é isso aí, um bando de amadores cuidando de um assunto que não entendem, enquanto uma especialista, com imenso conhecimento na área, possivelmente nem é chamada a colaborar para desfazer este nó górdio.
É duro....
Hosana
Finalmente alguém disse, em alto e bom som, que o govêrno teve e tem culpa na situação que envolveu TRANSBRASIL, VASP e, agora, VARIG. Como é que o govêrno não convoca a Dra. Heloisa Pires para por uma luz neste túnel
A timidez, para não dizer omissão, do governo quanto à regulamentação do setor está penalizando demais as companhias.
Até as Regionais querem uma parte do filé mignon (leia-se Rio-São Paulo-Brasília), quando elas foram criadas para servirem o interior do Brasil, que conta com apenas, snme, 165 localidades servidas pela aviação regular.
Govêrno é isso aí, um bando de amadores cuidando de um assunto que não entendem, enquanto uma especialista, com imenso conhecimento na área, possivelmente nem é chamada a colaborar para desfazer este nó górdio.
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Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambockrs@gmail.com
Na aviação, só a perfeição é aceitável
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Re: Deus seja louvado!
Grande Jambock,jambock escreveu:Prezado Velásquez:
HosanaHelás
Deus seja louvado
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Ogunhê misifio
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Finalmente alguém disse, em alto e bom som, que o govêrno teve e tem culpa na situação que envolveu TRANSBRASIL, VASP e, agora, VARIG. Como é que o govêrno não convoca a Dra. Heloisa Pires para por uma luz neste túnelO eng. Ozires Silva, em artigo publicado na AeroMagazine ou AviãoRevue, já dizia que a culpa não era das empresas.
A timidez, para não dizer omissão, do governo quanto à regulamentação do setor está penalizando demais as companhias.
Até as Regionais querem uma parte do filé mignon (leia-se Rio-São Paulo-Brasília), quando elas foram criadas para servirem o interior do Brasil, que conta com apenas, snme, 165 localidades servidas pela aviação regular.
Govêrno é isso aí, um bando de amadores cuidando de um assunto que não entendem, enquanto uma especialista, com imenso conhecimento na área, possivelmente nem é chamada a colaborar para desfazer este nó górdio.
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infelizmente o Governo sempre deixou a entender e sempre quis passar uma imagem de que a culpa é sempre dos empresários. É verdade, eles possuem parcela de culpa sim, porém o Governo quase nunca a sua parte no que diz respeito ao setor de transporte aéreo.
Falta regulamentação para um setor que está vivendo uma nova guerra tarifária. Uma regulamentação que se encaixa à realidade nacional e não sair por aí dizendo que os moldes da aviação brasileira se espelha no modelo desse ou daquele país.
Uma regulamentação que contemple o tão sonhado, porém ainda longe, desenvolvimento da aviação regional brasileira, para evitar exatamente o que tu dissestes: as regionais passarem a operar em linhas de alta densidade, como vai fazer a ONE (antes que alguém fale alguma coisa não estou criticando a empresa) e como fez no passado a TAM, Rio Sul, Nordeste e Taba.
Uma regulamentação que preserve o setor regional, como bem fez o Sitar em 1975 e a própria RIN em 1963 dando incentivos às empresas operarem em ortas deficitários porém necessários para a Integração Regional.
Uma Regulamentação que se evite essa sangria entre as companhias reduzindo suas tarifas. Uma Regulamentação que seje coerente com a demanda de uma determinada cidade ao autorizar empresas a operar nelas.
Mas enfim, quem sabe um dia, o Governo acorde e veja que o maior responsável pelo sucesso do transporte aéreo é ele mesmo.
Desculpa o desabafo
Abraços
Velásquez
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jambock
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Só êles não vêem...
Prezado Velásquez:
Concordo contigo em caso, gênero, número e grau
Estou pesquisando nas minhas revistas, tentando encontrar o artigo do eng° Ozires, a respeito. Tão logo o encontre, postarei aqui.
Um abraço e até mais...
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Cláudio Severino da Silva
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Na aviação, só a perfeição é aceitável
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Marco SBCT
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E´ isso aí Jambock!
Os caras foram colocados lá em Brasília por nós brasileiros para resolver os problemas, e não para criar , mas parece que as mordomias e a paparicação permanente, ou o poder sobe à cabeça, tira o raciocínio lógico desta turma. Antes falavam tão bem nos nossos ouvidos, agora parece que só temos carteira com muito dindin. Não há solução de mercado p/ aviação, como disse a Dra. Heloisa. Nem nos USA tem.
A RG é eficiente , tem lucro, porém o câncer da dívida é muito voraz.
Penso que o Ícaro está no Olimpo com os Deuses cuidando da RG, mesmo que o Fernando Pinto tenha permitido que raspassem o menino voador das fuselagens variguianas !!
Inté mais!
Os caras foram colocados lá em Brasília por nós brasileiros para resolver os problemas, e não para criar , mas parece que as mordomias e a paparicação permanente, ou o poder sobe à cabeça, tira o raciocínio lógico desta turma. Antes falavam tão bem nos nossos ouvidos, agora parece que só temos carteira com muito dindin. Não há solução de mercado p/ aviação, como disse a Dra. Heloisa. Nem nos USA tem.
A RG é eficiente , tem lucro, porém o câncer da dívida é muito voraz.
Penso que o Ícaro está no Olimpo com os Deuses cuidando da RG, mesmo que o Fernando Pinto tenha permitido que raspassem o menino voador das fuselagens variguianas !!
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Marco A Moraes
SBBI/SBCT
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