Comet 4 da BOAC no Brasil

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Starliner
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Comet 4 da BOAC no Brasil

Mensagem por Starliner »

Como ninguém escreve nada nesta seção desde o dia 12 de novembro (!!) resolví escrever algo para não "deixar morrrer".

Sempre tive uma curiosidade sobre a operação dos Comets 4 da BOAC no Brasil.

Pelo que pude deduzir eles começaram a voar primeiramente para Recife e São Paulo. Ouvi dizer que no GIG a pista era de asfalto na época e, ao tomar posição de decolagem, o "jet blast" das turbinas "queimava" o chão da pista que derretia, não sei até onde isto é verdade.

Outra curiosidade minha é saber aonde eles operavam em São Pualo, CGH não podia recebe-los e VCP não existia, portanto deviam operar em Cumbica.

E aí pergunto aonde se dava o desembarque/embarque dos Paxs? Na Base Aérea penso.

Segundo um time-table da minha coleção, em 01.04.1962 eles assim operavam:

Vôo BA661 2as feiras
LON 19.45 MAD 22.00.22.50 LIS 23.59 (3as) 00.45 DKR 03.50/04.40 GIG 09.10/10.05 SAO 11.10/11.55 MVD 14.35/15.25 BUE 16.05/16.50 SCL 18.00

Vôo BA664 4as feiras
SCL 09.00 BUE 11.50/12.35 MVD 13.10/13.55 SAO 16.20/17.10 GIG 18.15/19.00 REC 21.50/22.40 (5as) DKR 06.10/07.00 LIS 12.00/12.50 LON 15.25

Vôo BA663 5as feiras
LON 21.15 LIS 23.55 (6as) 00.40 DKR 03.50/04.40 GIG 09.10/10.05 SAO 11.10/11.55 MVD 14.35/15.25 BUE 16.05/16.50 SCL 18.00

Vôo BA662 Sábados
SCL 09.00 BUE 11.50/12.35 MVD 13.10/13.55 SAO 16.20/17.10 GIG 18.15/19.00 REC 21.50/22.40 (Domingos) DKR 06.10/07.00 LIS 12.00/12.50 MAD 13.55/14.40 LON 16.55

Interessante notar que nas vindas para o Sul o vôo não escalava Recife, mas na volta sim. Problemas de autonomia?
Eea um longuíssimo vôo, imagino que pelo menos duas trocas de tripulação deviam acontecer.

Segundo o time - table estes eram os preços das passagens em USD

RIO/LON
1st cLASS
OW 757.00 RT 1362.60
Y/C
OW 410.00 RT 738.00

Parece barato, mas pelos padrões da época não devia ser.
As agências da BOAC :

Rio
Av. Rio Branco 251B

São Paulo
Rua Bráulio Gomes 44

Porto Alegre
Representante de Vendas BOAC
Rua dos Andradas 1251 - 6° andar - Conjunto 62 - Telefone 5251 ( só quatro dígitos !)
O que será que tem neste endereço hoje?

Recife
Vendas Gerais VASP
Rua Marques do Recife 154


Espero que alguns dos meus "contemporâneos" possa agregar alguns detalhes mais.

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Re: Comet 4 da BOAC no Brasil

Mensagem por PB26 »

Starliner

A BOAC operava em São Paulo, pelo aeroporto de VCP, inaugurado em 1960. Somente a Aerolíneas Argentinas operava em CGH, antes disso operou também em VCP, inclusive teve a triste distinção de ter o primeiro acidente de Viracopos, quando um Comet IV caiu logo após a decolagem.

A rua dos Andradas hoje serve como apoio a empresas de informática da Rua Santa Efigênia, se não me engano, ela tem muita loja de computadores e peças usadas.
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Re: Comet 4 da BOAC no Brasil

Mensagem por Starliner »

Crazy Spotter e demais,
Fui pesquisar mais um pouco e no ABC World Airways Guide de Dezembro de 1961 os vôos assim operavam:

Vôo BA661 2as feiras
LHR 18.45 MAD 22.00.22.50 LIS 23.00/23.45 (3as) DKR 03.50/04.40 GIG 09.16/10.10 VCP 11.105/12.05 MVD 13.45/15.35 EZE 16.15/17.00 SCL 18.10

Vôo BA664 4as feiras
SCL 09.00 BUE 11.50/12.40 MVD 13.20/14.05 VCP 16.30/17.20 GIG 18.25/19.10 REC 22.00/22.45 (5as) DKR 06.15/07.00 LIS 11.00/11.50 LHR 14.30

Vôo BA663 5as feiras
LHR 20.15 LIS 22.55/23.45 (6as) DKR 03.50/04.40 GIG 09.15/10.10 VCP 11.15/12.05 MVD 14.45/15.35 EZE 16.15/17.00 SCL 18.10

Vôo BA662 Sábados
SCL 09.00 EZE 11.50/12.40 MVD 13.20/14.05 VCP 16.30/17.20 GIG 18.25/19.10 REC 22.00/22.45 (Domingos) DKR 06.15/07.00 LIS 11.00/11.50 MAD 13.55/14.40 LHR 15.55

Realmente aí eles mencionam VCP no time-table.

Tinha tido a informação de que logo no início dos vôos ( qual a data inicial ? Não sei.) ela
teria operado em Cumbica até VCP ficar pronto.

Acredito então que ela só inaugurou vôos para o Brasil quando VCP ficou pronto.
Pelas minhas pesquisa ela não voava para cá em 1958 e 1959.

A AR realmente nos últimos tempos dos Comet 4 voou para SAO -CGH mas só em linhas Argentina-Brasil, não para Europa ou USA.

O Comet 4 que você mencionou teve perda total ao decolar de VCP em 23.11.1961,era o LV-AHR "Arco Íris" c/n 6430. Tinha sido entregue em 08.03.1960 como LV-POY "Alborada".
Era bastante novo.

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Re: Comet 4 da BOAC no Brasil

Mensagem por PB26 »

Starliner

Tem um propaganda da BOAC em 12/1959 anunciando que no mês seguinte operaria no Brasil com os Comet IV. Viracopos deve ter sido inaugurado no primeiro trimestre de 1960, então creio também que eles operavam em Cumbica até inaugurar o aeroporto. Não sei se sabe, mas no final de 2000 a Flap fez uma reportagem (daquelas históricas) sobre o Comet e sua operação no Brasil.
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Re: Comet 4 da BOAC no Brasil

Mensagem por Starliner »

Obrigado Crazy Spotter.
Pesquisei mais e achei no livro "Aeroporto Intenacional de Viracopos - 40 anos ( da Infraero)
que no dia 21.10.1960 o 1° vôo a pousar oficialmente no Aeroporto de Viracopos -Internacional foi um DC-8 da Pan Am de matrícula N-812. Suponho que referem-se
ao DC-8-33 N812PA c/n 45265/91"Clipper Blue Jacket".
Sempre segundo o livro, o Captain Vanderberg pousou aos 9 minutos do dia 21.10 trazendo 10 Pax de New York e 1 de Port of Spain.
Desembarcaram 345 Kgs.de carga, 320 Kgs.de bagagem e 260 Kgs.decorreio.Decolou as 13.50 do mesmo dia (para onde ? NYC? GIG, Port of Spain e NYC?), tendo embarcado 24 Pax, 720 Kgs.de bagagem e 300Kgs. de correio.
No dia 28.10 figura a visita da aeronave da BOAL (suponho que BOAC) GAPDO ( refere-se ao Comet 4 G-APDO c/n 6416).

Sempre segundo o livro , VCP foi inaugurado como aeroporto Internacional em 19.10.1960.

Se os amigos Cursio e Sérgio Bica pudessem acrescentar mais, agradeço.

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Re: Comet 4 da BOAC no Brasil

Mensagem por Sergio de Faria Bica »

Oi , Starliner

Não tenho nada a acrescentar , pois você já disse tudo !

Abs

Sérgio Bica
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Re: Comet 4 da BOAC no Brasil

Mensagem por José Cursio »

Boa tarde amigos do Fórum.

Prezados companheiros:

Como já foi expressado pelo companheiro Sergio Bica, tudo já foi devidamente exposto pelos amigos Starliner e Crasy Spotter, sobre os Comet IV, em seus vôos pelo Brasil.
Somente acrescento os dados a respeito do acidente do LV-AHR, em 23/11/1961, em Campinas aeroporto de Viracopos (VCP) ou CPQ, de acordo com a revista Flap Internacional nº 340 da 2ª quinzena de dezembro 2000 e 1ª quinzena de janeiro de 2001.
Diz o texto:
O terceiro e mais trágico acidente com a frota da Aerolineas Argentina ocorreria em 23 de novembro de 1961, com a perda do LV-AHR ¨Alborada¨, destruído próxima à cabeceira da pista do aeroporto de Viracopos, em São Paulo (obs. não menciona qual das cabeceiras), ao iniciar a decolagem com destino a Trinidad, na rota para os Estados Unidos. Nesse acidente Faleceram 12 tripulantes e 40 passageiros.
Outros dados desta reportagem, diz que, os vôos da BOAC na rota Londres / Santiago do Chile, fazia as seguintes escalas: com dois vôos semanais (BA 663 e BA 661), decolavam do aeroporto londrino de Heathrow, a aeronave seguia para Madri,(ou alternadamente Lisboa) de onde seguia para Dacar, no Senegal. Após cruzar o Atlântico pousava em Recife, Rio de Janeiro e depois em São Paulo, e onde seguia, após uma permanência no solo de apenas 45 minutos, para Montevidéu e Buenos Aires. Numa ultima etapa alcançava Santiago do Chile. Nos vôos de retorno (BA 664 e BA 662), antes de rumar à África, os Comets da BOAC faziam uma breve escala de 45 minutos na capital Pernambucana.

Em abril de 1962, a AR, recebeu seu sétimo e ultimo Comet – LV-AIB ¨Presidente Kennedy¨. Único da empresa na versão 4C, configurado para transportar 102 passageiros, foi recebido para repor parte da frota perdida em acidentes.

Foram três os Comets da Aerolines Argentinas perdidos em acidentes.
LV-AHO em Buenos Aires e LV-AHP, em Assunção. Alem do LV-AHR em Campinas São Paulo.

Os Comet IV da AR, operou por algum tempo na rota EZE/CGH/GIG/CGH/EZE, com os vôos AR 220/221

Abraços

Cursio
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Re: Comet 4 da BOAC no Brasil

Mensagem por Starliner »

Conseguí descobrir o que queria,
o Vôo inaugural da BOAC para a América do Sul foi realizado nos dias 25/26 de janeiro de 1960. A rota, operada com o Comet 4 G-APDO, foi LON-MAD-DKR-SAO-MVD-BUE-SCL .
O Captain Andrew vou até DKR e o Captain Perry DKR-SCL).O vôo de retorno foi operado pela mesma aeronave nos dias 27/28 de Janeiro pousando em LIS em vez de MAD.
O trecho SCL/SAO foi sob o comando do Captain Alabaster, o Captain Main-Smith no trecho
SAO-DKR e o Captain Hadley DKR-LHR). O total de horas voadas ida/volta numa extensão de 14,073 milhas aéreas foi de 40 hrs 2 min.

Não tocou no GIG.

Starliner
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Re: Comet 4 da BOAC no Brasil

Mensagem por AeroEntusiasta »

Boa tarde:

Revivendo este tópico, o primeiro pouso de um jato puro no Brasil, em voo comercial com passageiros pagos, foi na Base Aérea de Cumbica. Vejam:
Na notícia do dia anterior, a Folha de SP (26/01) informa a rota com escala em REC. Então essa escala foi suprimida, certo?

Folha de SP 27/JAN/1960
Imagem

Folha de SP 26/JAN/1960
Imagem


Folha de SP 12/ABR/1960
Imagem
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Re: Comet 4 da BOAC no Brasil

Mensagem por AeroEntusiasta »

José Cursio escreveu:Boa tarde amigos do Fórum.

Prezados companheiros:

Como já foi expressado pelo companheiro Sergio Bica, tudo já foi devidamente exposto pelos amigos Starliner e Crasy Spotter, sobre os Comet IV, em seus vôos pelo Brasil.
Somente acrescento os dados a respeito do acidente do LV-AHR, em 23/11/1961, em Campinas aeroporto de Viracopos (VCP) ou CPQ, de acordo com a revista Flap Internacional nº 340 da 2ª quinzena de dezembro 2000 e 1ª quinzena de janeiro de 2001.
Diz o texto:
O terceiro e mais trágico acidente com a frota da Aerolineas Argentina ocorreria em 23 de novembro de 1961, com a perda do LV-AHR ¨Alborada¨, destruído próxima à cabeceira da pista do aeroporto de Viracopos, em São Paulo (obs. não menciona qual das cabeceiras), ao iniciar a decolagem com destino a Trinidad, na rota para os Estados Unidos. Nesse acidente Faleceram 12 tripulantes e 40 passageiros....

Abraços

Cursio
23/11/2014 07h00 - Atualizado em 23/11/2014 08h17

Praticamente desconhecida, pior tragédia de Viracopos faz 53 anos

Voo 322 terminou com a morte de 52 pessoas em Campinas (SP).

Avião caiu, se arrastou por eucaliptos, bateu contra barranco e explodiu.

A maior tragédia do Aeroporto Internacional de Viracopos completa 53 anos neste domingo (23). O voo 322 da Aerolíneas Argentinas, que vinha de Buenos Aires e tinha como destino os Estados Unidos, terminou com a morte de 52 pessoas no dia 23 de novembro de 1961, em Campinas (SP). A aeronave caiu logo após decolar e foi se arrastando por uma área de eucaliptos até se chocar contra um barranco e explodir. Apesar da gravidade, o desastre aéreo, que aconteceu um ano após a inauguração do local, é praticamente desconhecido no país. Para resgatar essa história, o G1 conversou com dois brasileiros e um argentino, que, de formas diferentes, foram marcados pelo acontecimento.

O fotógrafo Neldo Cantanti, de 78 anos, que trabalhava em um jornal diário da cidade, foi escalado para cobrir o acidente e chegou ao local algumas horas depois. Ele, que nunca tinha visto uma tragédia desse porte, disse que ao adentrar a área da queda era possível ver apenas os bombeiros resgatando corpos no barro. "O avião explodiu, então queimou tudo, sobraram só os destroços. Conseguimos ver pouca coisa, porque estava misturado corpo e mato. Eu estava começando minha carreira, então foi um batismo de fogo", relembra.
Apesar do tempo, o fotógrafo não esquece aquele dia e guarda na memória detalhes como a cabeceira da pista de onde o avião partiu, como era o aeroporto e até o horário da tragédia. "Naquela época não tinha nada além da pista e um barracão, que era a área de embarque. O acidente foi por volta das 3h. Ele levantou da cabeceira 14, conseguiu subir e foi na direção dos eucaliptos em um vale e foi deslizando até o barranco onde explodiu", conta.

Fotógrafo relembra a tragédia que deixou 52 mortos

Ainda segundo Cantanti, o município quase não tomou conhecimento da tragédia porque Viracopos ficava distante da região central de Campinas. "Ficou sabendo por ouvir falar, porque Viracopos era muito isolado. Hoje está emendado. Naquele tempo era praticamente longe de tudo", destaca.

Fogaréu

Apesar do aeroporto ser afastado da cidade, alguns bairros periféricos começavam a nascer na região e a família do engenheiro agrônomo Etevaldo Alves Amorim, de 57 anos, morava na época em um deles. Por isso, seu pai e um tio foram chamados para ajudar no resgate aos corpos. "Meu pai e meu tio foram convocados como voluntários para ajudar o Corpo de Bombeiros a debelar o incêndio provocado pela queda do avião", conta.
Segundo Amorim, como a família morava há seis quilômetros do local do acidente foi possível avistar o fogo que consumia a área de mata. "De casa avistamos o fogaréu. Meu pai e meu tio foram com eles [os bombeiros]. Na volta, o relato estarrecedor deles era que em meio ao fogo intenso, lutando com os poucos recursos, ainda se deparavam com corpos carbonizados", lembra.

"Ele perdeu o avião porque já tinha dado o embarque e começou a brigar com o motorista. Quando ele soube que o avião caiu, ele começou a beijar o motorista porque salvou a vida dele"

De acordo com o relatório do acidente feito na época por órgãos governamentais e cedidos ao G1 pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), a aeronave Comet 4, da Aerolíneas Argentinas, partiu de Buenos Aires com 12 membros da tripulação e 37 passageiros. Em Campinas mais três embarcaram no dia 23 de novembro de 1961. Não há informações de brasileiros a bordo.

Segundo Cantanti, os jornais da época informaram que havia uma quarta pessoa, que vinha de São Paulo para embarcar em Viracopos, mas acabou perdendo o voo porque o táxi atrasou. "Ele perdeu o avião porque já tinha dado o embarque e começou a brigar com o motorista. Quando ele soube que o avião caiu, começou a beijar o motorista porque salvou a vida dele", relembra.

Minutos finais

O Comet 4 deu início ao taximento às 2h20 do dia 23 novembro na pista 14/32 com destino a Trinidad e Tobago e depois seguiria para os Estados Unidos. Entre a partida dos reatores e a decolagem houve uma demora de 18 a 20 minutos. A aeronave saiu do solo na altura dos 2 mil m da pista, voou até a altura de 120 m em 55 segundos e atingiu a velocidade necessária. O avião não apresentava excesso de carga, segundo o relatório.

Nesta situação, estava a meio caminho entre os 1 mil m da pista e os 1.930 m que vão da cabeceira 14 ao local do primeiro impacto. No entanto, de acordo com a investigação, ao atingir a velocidade o piloto do Comet 4 precisava comandar manualmente uma unidade que modificava a atitude de subida para um abaixamento do nariz da aeronave. "O avião bateu em linha de voo, donde conclui-se que, um pouco antes, o piloto notara a perda de altura, isto é, voltava a observar os instrumentos básicos em uma decolagem por instrumentos, e corrigiu a atitude. Porém, tarde demais, visto que os impactos já se sucediam", conclui o relatório.

Ao perder o controle, a aeronave atingiu uma área de eucaliptos, que fica próxima ao aeroporto, e os troncos foram sendo cortados pelo avião, que seguiu em linha horizontal. O Comet 4 prossegiu em impactos sucessivos até se chocar com árvores maiores, o que causou fogo na asa esquerda e depois com outra, na altura do reator um. "Nesta altura a aeronave não obedecia mais aos comandos. Após tocar o solo, prosseguiu em impactos violentos e de arrasto, até chocar-se em um barranco, num grotão, havendo explosão e desintegração total", detalha o relatório.

A Investigação de Acidente Aeronáutico (IAA) conclui na época que o motivo do desastre foi uma falha operacional, caracterizada pela não observação dos instrumentos básicos numa decolagem noturna.

Repercussão na Argentina

O jornalista argentino Roberto Solans nunca esqueceu o dia 23 de novembro de 1961. Ele era sobrinho e afilhado do comandante da aeronave, Roberto Luis Mosca. Apesar de ter apenas 12 anos na época, ele contou ao G1 o impacto que a tragédia teve em sua família e em sua vida, já que ele e o piloto eram muito próximos. "Meu tio, que era irmão da minha mãe, era meu padrinho, aliás, me chamo Roberto por ele. Ele me falava muito sobre seu trabalho, aeronaves e voos, então minha primeira vocação era ser piloto comercial. Mas, minha mãe ficou devastada durante anos pela trágica morte do irmão e se opôs que eu seguisse seus passos", conta.
Apesar de ter se tornado jornalista, Solans conta que aos 40 anos decidiu fazer um curso de piloto privado somente para provar a si mesmo que era capaz de pilotar um avião. Durante sua carreira na imprensa, ele se dedicou entre, outros temas, a segurança da navegação aérea. "Conheci vários pilotos que foram companheiros de meu tio na Aerolíneas Argentinas, que me falaram muito bem de seu profissionalismo e de sua larga experiência em voo", afirma.

Solans conta que a investigação do acidente apontou que seu tio, como comandante da aeronave, cometeu uma falha ao não supervisionar adequadamente o co-piloto a quem estava instruindo nas manobras de decolagem de Viracopos. "O Comet 4 requeria durante a decolagem alcançar pouco mais de 300 km/h. Os pilotos acionaram um comando para reconfigurar os motores, que equivalia em um carro a passar da primeira para a segunda marcha. Se não fosse feita, e o condutor quissesse continuar em primeira, o carro deixaria de acelerar e perderia a potência. Se um avião perde potência a 100 metros de altura, ele cai", conclui. Ainda segundo o jornalista, os aviões lançados posteriormente automatizaram seus motores e eliminaram essa manobra manual.

Emoção em Viracopos

Solans, que só conhecia Viracopos como o local do acidente que tirou a vida de seu tio, teve na década de 1990, durante uma viagem de trabalho ao Brasil, a oportunidade inesperada de desembarcar no aeroporto de Campinas. "A escala devia ter sido em Congonhas ou Guarulhos, mas o avião me deixou em Viracopos", conta.
"É fácil imaginar com que emoção desci desse avião. A primeira coisa que quis descobrir foi em que direção havia decolado meu tio naquela madrugada e imediatamente pude ver de longe o bosque de eucaliptos"

Ao descer no aeroporto e com a emoção à flor da pele, a primeira coisa que ele queria descobrir era o local exato da tragédia com o Comet 4. "É fácil imaginar com que emoção desci desse avião. A primeira coisa que quis descobrir foi em que direção havia decolado meu tio naquela madrugada e imediatamente pude ver de longe o bosque de eucaliptos", relembra o jornalista.

Segundo Solans, a tragédia ocorrida em Viracopos foi um verdadeiro choque para a população argentina na época, porque o Comet 4 era considerado uma das aeronaves mais modernas e avançadas. "Pagamos caro o salto tecnológico que significava passar a voar com o dobro da velocidade dos modelos de quatro hélices que o precederam. Seguiu o Comet 4 como primeiro avião comercial exitoso o Boeing 777, que aproveitou esse aprendizado tão custoso", finaliza.

O aeroporto

O aeroporto foi fundado na década de 30 e homologado oficialmente em 19 de outubro de 1960. O nome Viracopos foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Artístico e Cultural de Campinas (Condepacc), no final do ano passado como patrimônio cultural e bem imaterial.

Fonte: http://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/ ... -anos.html
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Re: Comet 4 da BOAC no Brasil

Mensagem por José Cursio »

Boa tarde amigos Forenses.

Jornal do Brasil 16/07/1959

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Re: Comet 4 da BOAC no Brasil

Mensagem por José Cursio »

No dia 25 de janeiro de 1960 – a B.O.A.C. – inicia serviços para o Brasil, Argentina, Uruguai e Chile – com o Comet IV.
Vale lembra que os vôos da BOAC com destino á São Paulo eram operados na Base Aérea de São Paulo em Cumbica.

Time-table da época

Abril de 1960 - http://i.imgur.com/bBdEF0p.jpg

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Abs. Cursio
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