18 de novembro de 2007 - ZERO HORA
Aberto ao mundo
Neste mês de novembro, Ruben Berta, faria cem anos, se não houvesse nos deixado em 1966, em plena atividade, dedicado por inteiro ao transporte aéreo. Sim, pois ele não foi apenas o presidente da antiga Varig, nela onipresente em tudo, mas o homem que modificou a concepção da aviação comercial no Brasil e no mundo, fazendo-a "servir à comunidade", em vez de servir-se dela como mero mascate de ir e vir.
A data passou em branco, anônima. A única menção ao seu nome foi a notícia de um crime horripilante, em que traficantes mataram e incineraram três pessoas, uma delas de seis anos, em Porto Alegre, no bairro Ruben Berta...
Eu próprio só recordei o 6 de novembro através de uma carta em que o comandante Vítor Stepansky, que durante 33 anos pilotou jatos da Varig (e é um atilado observador do que ocorre em terra e ar), comparou os tempos de "seu Berta" com os dias atuais na aviação comercial. Ruben Berta queria ser médico mas, aos 20 anos, foi ser "o faz tudo" (varredor, mensageiro e contador) no galpão do bairro de São João, em que Otto Ernst Meyer fundou em 1927 a Viação Aérea Rio-Grandense SA, primeira empresa aérea do país. Em 1933 já era diretor suplente e, em 1941, presidente. No ano seguinte, as rotas estendidas pelo Estado chegaram a Montevidéu e em 1946 a São Paulo e Rio. Nos tempos da II Guerra Mundial, a Varig de Berta produziu e instalou equipamentos para uma rede de comunicações que abrangeu mais de 130 cidades, além de radiofaróis para vôos noturnos e luzes de pista de alta intensidade nos aeroportos.
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Anterior ao Ministério da Aeronáutica, a antiga Varig deu as pautas da aviação no Brasil e na América do Sul.
O salto transformador surgiu em dezembro de 1945: cria-se a Fundação dos Funcionários da Varig e os empregados passam a donos da empresa. A base teórica fora a encíclica Rerum Novarum, do papa Leão XIII, como me lembra agora o comandante Stepansky, mas o gesto era ousado e único em si mesmo. Nos anos 1960, "o alemão" Berta (de avós húngaros) orgulhava-se em dizer que dirigia "uma empresa socialista", ele que nunca lera Marx e não tinha qualquer vínculo político com a esquerda.
Era um trabalhador arrojado, mais do que um empresário, na acepção usual de alguém afeito apenas ao capital e às cifras. Era um pragmático, mas num pragmatismo de consciência moral e objetivos sociais. Um ser aberto ao mundo.
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Lembro-me dele na Campanha da Legalidade, em 1961, ao lado do governador Leonel Brizola, na pista do aeroporto Salgado Filho, dando ordens ao jato Caravelle, que foi a Montevidéu trazer João Goulart de volta ao país para assumir a presidência da República. Em 1962, quando os açambarcadores de gêneros no centro do país (com o apoio político da direita) sabotaram o arroz gaúcho no Rio de Janeiro, Berta organizou a ponte aérea com que o governo do primeiro-ministro Brochado da Rocha os enfrentou. Até então, só os EUA, no bloqueio de Berlim, na Guerra Fria, haviam transportado alimentos por avião.
Brochado quis fazê-lo ministro, num tempo em que isso significava poder e ação, mas ele preferiu seguir na empresa e na fundação que, após sua morte, adotou o seu nome.
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Nos anos 1950, eu viajava às reuniões da UNE, no Rio, em aviões cargueiros, em meio a fardos e caixas, com as passagens G.U. (grátis urgente) que "seu" Berta nos dava. A área do aeródromo de São João (hoje aeroporto), onde a Varig instalou-se em 1927, era parte da Chácara do Freitas, que pertencera a meu bisavô materno, e serviu de elo para aproximar-me desse homem aparentemente áspero, mas lúcido, que criou uma gestão empresarial modelar.
Mais do que uma empresa, criou uma prestadora de serviços à comunidade. O lucro vinha depois. Era conseqüência, não um fim, ao contrário da situação atual no transporte aéreo.
Ruben Berta morreu em dezembro de 1966 em seu gabinete de trabalho, na sede da empresa, no Rio.
FLÁVIO TAVARES | Jornalista e escritor
AO MUNDO(ÓTIMO)...VARIG/RUBEM BERTA(por FLAVIO TAVARES)
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Em que pese a sua importância para a aviação comercial brasileira, a biografia do Sr. Rubem Berta será para sempre manchada pela sua participação no episódio da "quebra" da Panair do Brasil.
Um leitura obrigatória é o livro do Daniel Leb Sasaki chamado "Pouso Forçado", onde ele narra o quanto foi decisiva a participação do Sr. Rubem Berta neste capítulo negro da história aeronáutica brasileira.
Abs
Um leitura obrigatória é o livro do Daniel Leb Sasaki chamado "Pouso Forçado", onde ele narra o quanto foi decisiva a participação do Sr. Rubem Berta neste capítulo negro da história aeronáutica brasileira.
Abs
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Augusto Bilhalva Goulart
- CMTE.

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- Registrado em: Sáb Jan 06, 2007 23:26
- Localização: Alegrete, RS
Coisas da ditadura. Mas qual seria o motivo pelo qual resolveram encerrar as atividades da Panair? Isso jamais saberemos. Mas uma coisa é certa: não foi para benefiaciar a Varig. A RG teve cumplicidade no momento em que cumpriu a missão de assumir as linhas da Panair, porque isso já estava muito bem articulado pelos militares, o que, naturalmente, foi muito bom para a Varig, como seria para outra qualquer.SBLO escreveu:Em que pese a sua importância para a aviação comercial brasileira, a biografia do Sr. Rubem Berta será para sempre manchada pela sua participação no episódio da "quebra" da Panair do Brasil.
Um leitura obrigatória é o livro do Daniel Leb Sasaki chamado "Pouso Forçado", onde ele narra o quanto foi decisiva a participação do Sr. Rubem Berta neste capítulo negro da história aeronáutica brasileira.
Abs
Pensam que hoje em dia não articulam negócios? Por trás do recente caso Varig tem muita coisa inexplicada onde quem perderam foram os funcionários que nem seus direitos trabalhistas foram preservados (só na Argentina), justamente contrariando a ideologia do visionário Ruben Berta.

