É, saudades da TWA. Era uma grande companhia aérea. Sempre gosto de voar com ex-pilotos deles (muitos são comandantes na AA e AA Eagle devido à compra da TWA pela American Airlines). São o grupo de pilotos mais gente fina e que já conheci.
Esse negócio de publicidade é interessante... fazem questão de por JETstream pra impressionar, mesmo se tratando de um avião a pistão, completamente "defasado" (ao menos para as rotas mais luxuosas) - ao que me parece, o avião anunciado é o L-1649 Starliner, lançado quando os 707 já faziam vôos intercontinentais.
Não sei precisamente as datas, mas acho que a versão -320 do Boeing 707 se já não estava voando, em pouquíssimos meses já estavam atravessando o Atlântico, gerando uma concorrência praticamente desleal aos Starliners, DC-7's e Britannias de plantão.
Essa propaganda é de 1956, e o termo jetstream vinha da capacidade e da aurorização de se utilizar da corrente de jato que até certa data só era permitida aos militares. Somente voando em niveis mais altos é que podia pegar essa corrente. Quanto ao motor parado, foi resolvido com a retirada da manete que colocava os turbos compressores em paralelo, já que depois de certa altitude se troava de série para paralelo, causando alguma pane nos motores. Isso também ocorreu com os DC-7C da Panair, segundo relato do Cte.Coelho no seu livro "ascenção e queda de um piloto de linha".
O 1649A foi um sucesso e um desapontamento, especialmente quando visto pelo lado financeiro. Foi o mais alto grau de desevolvimento de uma aeronave comercial com motores a pistão.Sempre houve um desejo por parte das cias. aéreas daqueles tempos de poder operar um vôo New York - London em ambas as direções, durante o ano todo "non-stop" com "full" payload.
Os DC-7C e Super G Constellation operavam normalmente "non stop" no sentido este mas no sentido oeste com muita frequencia não o efetuavam devido aos fortes ventos contrários predominantes que os obrigava a efetuar alguma escala. Os vôos diretos seriam um motivos de maiores vendas para os Pax e de economia para as cias. aéreas que reduziriam os custos das operações.
Para comparar, vejam uma tabela de diferenças entre:
Max Take-off weight ( em libras)
L-1049H 137.500
DC-7C 139.000
L-1649A 156.000
Autonomia Máxima ( em milhas)
L-1049H 4,750
DC-7C 4,800
L-1649A 6,100
Capacidade de combustível ( em galões)
L-1049H 6,550
DC-7C 7,860
L-1649A 9,600
A Lockheed perdeu muito tempo estudando os projetos do L-1249
e L-1449 que deveriam ter motores turbo hélice, fazendo com que
o projeto do L-149A começasse 9 meses após o do DC-7C. A complexidade da nova asa causou mais um atraso de 3 meses fazendo com que ele estivesse realmente pronto para a entrega aos clientes
12 meses após o DC-7C. Isto foi um tempo demasiado longo para as cias. que enfrentavam um incremento de tráfego esperassem por ele.
O outro fator preponderante foi que as grandes cias já estavam começando a encomendar os jatos.
Este dois fatores em conjunto acabaram por "matar" o L-1649A
A TWA foi a maior compradora com 25, a Air France 10, a Lufthansa 4 e a LAI com 4 (quando foi comprada pela Alitalia passaram para a TWA totalizando 29).
Uma coisa que poucos sabem foi que a Varig encomendou dois, depois trocados por mais 3 Super G.
A TWA recebeu 10 em Maio de 1957, seis em junho, 5 em julho 2 dois cada em Agosto e Setembro.
A AF recebeu oito entre junho e setembro de 1957 e os quatro da LH foram entregues um cada entre Setembro e Dezembro de 1957 e os outros dois em Janeiro de 1958.
Em Fevereiro de 1958 a AF recebeu os dois últimos e a TW os últimos quatro entre Março e Junho de 1958 .
Os primeiros 707 já estavam entrando em serviço em Dezembro de 1958 !
Isto fez com que as vendas totais do L-1649A fossem de somente 43 , houve um quadragésimo quarto o protótio utilizado para testes e certificação mas que nunca entrou em serviço com uma cia. aérea.
Para comparar a Douglas vendeu 18 DC-7C (!)
A Lockheed teve uma perda finaceira considerável com este avião.
A TWA como já foi dito nominou-os "Jetstream" não só pelo fato de que ele tirava vantagem nos tempos de vôo utililizando as "Jetstreans" do Hemisfério norte mas também com que o público relacionasse o nome com os jatos.
A Lufthansa o chamava de Super Star o que acabou sendo utilizado pela Lockheed quando adotou o nome Starliner. A Air France os denominou Super Starliner.
Foram empregados pela TWA entre New York e diversas cidades européias e numa nova rota polar entre entre a costa este dos USA e Londres.
A Air France utilizou-os nas rotas entre Paris e New York e depois na rota polar Paris - Tokyo com uma escala técnica em em Anchorage no Alasca, a Lufthansa os usou para voar non-stop entre Frankfurt e New York.
Apesar da breve carreira o avião apresentou um bom grau de segurança
e partidas "on-time"e a capacidade de agradar a todos os Passageiros.
A combinação de um vôo tranquilo, assentos confortáveis e viagens mais rápidas por causa de não ter que efetuar escalas de reabastecimento fez com que o L1649A fosse a última palavra em transporte aéreo de longo curso naqueles tempos
Não foi operado nunca em linha aérea regular para o Brasil que eu saiba.
Espero ter podido dar uma idéias a todos sobre a importância deste avião no desenvolvimento da Aviação Comercial da época.
desculpem-me se escreví demais.
Acabei de incorrer em um erro, lembrei-me que o Starliner operou
no Brasil sim.
Existiu a cia. Trans Atlântica Argentina que voava da Argentina para a Suiça.
A loja deles ficava no Rio na Av. 13 de maio grupo 910 e em São Paulo
na Rua Barão de Itapetininga 275 - 11° andar.
Esta cia. foi fundada por oficiais da Força Aérea Argentina em Março de 1958 . Em Setembro de 1960 recebeu o 1° L-1649A arrendado da TWA com opção de compra.
Chegou a receber mais tres totalizando 4 até o término dos serviços em Fevereiro de 1962 devido a dificuldades financeiras
As aeronaves eram:
O LV-GLH foi danificado ao pousar no GIG em 19 de junho de 1961 após ter o trem de pouso arrancado ao colidir com uma elevação na cabeceira da pista. A fuselagem, os flaps, os trens de pouso motores e hélices foram bastante danificados pois a aeronave deslizou na pista até parar.
Os danos eram reparáveis mas a aeronave ficou "stored" até que foi desmontada. Não tenho a data. talvez alguém de voces tenha maiores detalhes. Parece que esta aeronave apareceu na revista O Cruzeiro da época em um artigo.
Starliner escreveu:
O LV-GLH foi danificado ao pousar no GIG em 19 de junho de 1961 após ter o trem de pouso arrancado ao colidir com uma elevação na cabeceira da pista. Parece que esta aeronave apareceu na revista O Cruzeiro da época em um artigo.
Starliner
No Airliners tem a foto em P&B deste avião (1960 em LHR).