Plano da Gol é ganhar escala
SÃO PAULO, 30 de janeiro de 2006 - Em cinco anos de operação, a Gol, com aviões novos, preços baixos e alta eficiência, alcançou a vice-liderança no mercado doméstico de aviação. Comprovando que o modelo da nova aviação regional é vitorioso, a empresa fechou o ano passado com 27,29% de participação, segundo o Departamento de Aviação Civil (DAC), e ficou atrás apenas da TAM, que teve 43,52% do mercado.
Agora, para os próximos cinco anos, o projeto da companhia é dobrar de tamanho. Enxuta e com excelente capacidade tecnológica, a Gol quer operar uma frota de 86 aeronaves até 2010. Hoje, são 42 aviões e, até o final do ano, o número deve passar para 54.
O foco da companhia, no entanto, continuará sendo Brasil e América do Sul. Não há grande interesse nos vôos intercontinentais, por enquanto. "Vamos permanecer focados na América do Sul por razões óbvias. Queremos continuar com os mesmos modelos de aeronave", disse o vice-presidente de marketing da Gol, Tacísio Gargioni. A companhia opera com aviões Boeing 737. "Longo curso é um outro negócio, exige uma outra estrutura, outra frota, e não temos planos para entrar nesse mercado", afirmou.
A nova frota vai ser empregada para reforçar a malha doméstica com novos horários e novos trechos. Já no final do ano passado, a aérea anunciou intenção de iniciar no biênio 2006-2007 operações em Santarém, no Pará, Imperatriz, no Maranhão, e Presidente Prudente, em São Paulo. Também há previsão de vôos para Santiago, capital do Chile.
Embora a empresa sustente que as tarifas praticadas são similares às de 2003, analistas consideram que o aumento da demanda no mercado de aviação tem feito com que os preços das passagens da Gol se aproximem gradualmente das tarifas praticadas por empresas tradicionais. "Hoje, os preços estão muito próximos da Varig e da TAM", afirmou o presidente da Associação Brasileira de Agências de Viagens (Abav), Juarez Cintra Filho. Para o presidente da Associação Brasileira de Operadoras de Turismo (Braztoa), José Zuquim, a Gol opera com tarifas competitivas, "mas não muito abaixo das demais companhias. Eventualmente, vemos tarifas mais baixas, mas isso depende da promoção da vez".
De acordo com o vice-presidente de marketing da Gol, no entanto, o conceito baixo-custo, baixa-tarifa continuará sendo o principal desafio da companhia. "Isso é uma busca diária. Continuamos a procurar aeronaves cada vez mais econômicas e pretendemos aumentar a escala para reduzir os custos nos aeroportos", disse. Gargioni diz que os custos subiram, mas que a Gol conseguiu compensar a elevação com ganho de eficiência.
(Paulo de Araujo - InvestNews)
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