Amorim critica veto dos EUA à Embraer
CLÁUDIA DIANNI
IGOR GIELOW
da Folha de S.Paulo
O governo brasileiro já tinha indícios de que os Estados Unidos estavam tentando bloquear uma operação de compra da Venezuela de aviões de treinamento militar da Embraer --conforme denunciou o presidente venezuelano Hugo Chávez. É o que afirmou ontem o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.
Segundo ele, o Brasil é contra a decisão de coibir as vendas para evitar transferência de tecnologia. Em sua visão, isso prejudicaria os esforços do Brasil de intermediar o diálogo entre os Estados Unidos e a Venezuela.
O governo, afirmou Amorim, ainda está verificando os detalhes do que está acontecendo. Na realidade, do ponto de vista estritamente comercial, o Brasil não pode fazer muita coisa já que a Embraer é uma empresa privada.
O ministro disse que ainda vai conversar detalhes do assunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Em geral, o Brasil se posiciona contra essas restrições de transferência de tecnologia, sobretudo quando não há nenhum tipo de sanção internacional e não há no caso da Venezuela", afirmou Amorim.
Anteontem, Chávez disse que a Venezuela não pode assinar o contrato de compra com a Embraer "porque os Estados Unidos não autorizam a companhia a fazer aviões para a Venezuela, porque a Embraer utiliza tecnologia norte-americana".
A Embraer, que não divulga se houve alguma restrição contratual com fornecedores americanos, está em posição delicada. Primeiro, os Estados Unidos são o maior mercado de aviação do mundo (para a Embraer e para todos os fabricantes). Segundo, a empresa está numa competição dura para fornecer aviões-radar para o Exército dos EUA. Seu jato ERJ-145 havia sido selecionado inicialmente, num consórcio liderado pela Lockheed (EUA). Um negócio de até US$ 8 bilhões.
A empresa brasileira até abriu uma unidade na Flórida para a produção, mas o Exército suspendeu o processo alegando que o ERJ-145 não suportaria todos os sistemas planejados para ele.
Disputa
Não faltou quem visse na mudança um efeito do lobby da Boeing, que quer fornecer uma versão do seu 737 para o programa --com efeito, o avião americano e outro modelo maior da Embraer, o EMB-190, estão na disputa agora.
Para Amorim, uma resposta negativa da Embraer seria contraproducente para os esforços diplomáticos brasileiros.
Na avaliação de Amorim, os aviões (de patrulha amazônica e de treinamento) que a Venezuela está tentando comprar do Brasil não ameaçam os Estados Unidos. "Se tratam de aviões de boa qualidade e acabamos de vender aviões semelhantes para a Colômbia. Não são aviões de poder ofensivo que possam ameaçar a segurança da maior potência do mundo", afirmou o ministro.
O negócio, que envolveria a venda de 36 aviões, é estimado em US$ 500 milhões e, segundo Amorim, faz parte da aliança estratégica entre Brasil e Venezuela, que inclui troca de tecnologias. Além disso, recentemente a aliada americana Colômbia comprou 25 Super Tucanos semelhantes aos que Chávez quer, e até agora não houve restrições formais ou de bastidor.
Segundo Chávez, em novembro do ano passado, os Estados Unidos tentaram bloquear uma venda da Espanha à Venezuela de 12 aviões de transporte militar e oito barcos de patrulha, calculada em cerca de US$ 2 bilhões. Mas a Espanha ignorou a oposição americana e oficializou a negociação. Há outras pressões. Os Estados Unidos se negam a dar manutenção aos F-16 comprados pela Venezuela na década de 80.
Na terça-feira, o subsecretário do Departamento de Estado para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, que estava em Brasília, evitou responder perguntas sobre o assunto.
Amorim critica veto dos EUA à Embraer
Moderador: Moderadores
Regras do fórum
As regras do fórum estão disponíveis CLICANDO AQUI.
As regras do fórum estão disponíveis CLICANDO AQUI.
- Marcelo Areias
- MASTER

- Mensagens: 3373
- Registrado em: Seg Dez 20, 2004 08:15
- Localização: Jundiaí-SP
Amorim critica veto dos EUA à Embraer
_________________
Marcelo Areias
Marcelo Areias