Meus prezados::
Jornal da Ciência 31 Agosto 2005
O Brasil diante do oligopólio nas telecomunicações por satélite.
O país estava certo quando decidiu criar seu próprio satélite numa área oligopolizada e de tamanha importância estratégica.
A Intelsat, operadora de satélites de comunicação, comprou por US$ 3,2 bilhões a PanAmSat, líder de outras operadoras no mesmo ramo.
Se for aprovada pelas autoridades de Washington, será a fusão do ano, dando à luz um novo e poderoso monopólio espacial: a maior frota de satélites comerciais do mundo, com receita calculada em US$ 1,9 bilhão.
Com sede nas Bermudas, a Intelsat surgiu em 1964 de uma associação de empresas de serviços de satélite de 147 países. Ela já tinha em órbita 22 satélites, prestando serviços a redes de televisão, empresas e Governos.
Agora, se tudo der certo, ficará com 53 satélites, que terão apoio de fibras óticas e capacidade para operar programas de TV a cabo, radiofonia e transmissão de dados de empresas e de Governo.
Terá clientes em mais de 220 países e territórios, conforme se anuncia em grande estilo. Portentosas corporações privadas ou mistas estão entre seus investidores: Lockheed Martin (EUA), France Telecom e VSNL (Índia).
Sua maior concorrente será a empresa SES Global, que conta com a maior rede de satélites do mundo, mas é economicamente menos poderosa.
A transação já teve aprovação unânime das diretorias das duas empresas. Falta a aprovação dos acionistas da PanAmSat, tida como certa dada a considerável valorização das ações.
Falta também a concordância das agências reguladoras dos EUA – a área antitruste e a Comissão Federal de Comunicações. Mas não se esperam surpresas. O acordo poderá estar concluído num prazo de seis a 12 meses.
O que este fato tem a ver com o Brasil e os países em desenvolvimento em geral? Diminuiu o campo de opções no mercado das comunicações globais.
Teremos serviços melhores por custo menor? Provavelmente, não. É o que aprendemos de outras mega fusões havidas na última década.
Do ponto de vista estratégico, é evidente que o campo de controle das comunicações globalizadas ficou ainda mais restrito.
Isso, com certeza, vem reforçar os motivos que, em boa hora, levaram o Governo brasileiro, através da Agência Espacial Brasileira, a incluir no novo Programa Nacional de Atividades Espaciais o projeto de criação no país de um satélite de telecomunicações.
Tratava-se de lacuna lamentável e difícil de justificar, mantida desde os anos 70. Perdemos muito tempo e agora, provavelmente, teremos que enfrentar dificuldades ainda mais vultosas.
Mas a idéia é consistente e indispensável, se quisermos de fato preservar uma área de efetiva autonomia, pelo menos, na rede de comunicação que liga nossos principais atores e agências governamentais.
Isso é parte integrante e obrigatória de qualquer esforço de inserção soberana neste mundo globalizado.
Um abraço e até mais...
Brasil face à INTELSAT
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Cláudio Severino da Silva
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