Aerus também contesta a venda da VarigLog para fundo norte-americano
FABIANA FUTEMA
da Folha Online
Pelo menos dois credores da Varig já se manifestaram contra a venda de 95% da VarigLog (empresa de carga) para o fundo de investimento norte-americano Matlin Patterson. São o fundo de pensão Aerus e o Sindicato Nacional dos Aeronautas --que representa os funcionários que são credores de dívidas trabalhistas da companhia aérea.
No começo da semana, a Varig pediu autorização para o juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio, Alexander Macedo, para vender a VarigLog. O juiz deu 24 horas --contados a partir da publicação (ocorrida ontem)-- para os credores se manifestarem. Depois disso, o Ministério Público terá 48 horas para opinar, e só então o juiz decidirá.
O prazo de manifestação dos credores vence hoje. Mas o Aerus informou que se manifestou ontem, pois entendia que para o fundo o prazo acabava antes. "Assim que tomamos conhecimento [do processo de venda] demos ciência ao juiz. Por isso, nosso prazo de 24 horas acabava ontem e não hoje", disse Andrea Vanzillotta, diretora de Seguridade e Administração do Aerus.
Segundo ela, o Aerus não pode concordar com a venda da VarigLog, pois entende que não tem informações suficientes sobre o negócio. "Não tivemos acesso à documentação de avaliação do valor de venda da VarigLog."
Vanzillotta disse que a única informação que o Aerus tem sobre o valor da VarigLog é de 2003. Na época, a Varig deu como garantia de pagamento de uma dívida com o Aerus 5% da VarigLog. "Na ocasião fizemos estudos para avaliar a VarigLog, que indicaram que ela valia R$ 760 milhões (US$ 314 milhões). O valor pode estar defasado, mas não temos outra base para avaliar o preço da empresa."
Pelo contrato a ser fechado com a Matlin Patterson, a VarigLog foi avaliada em US$ 100 milhões. Mas a empresa só receberá US$ 38 milhões pela VarigLog, pois do valor de avaliação foram descontados o passivo de US$ 60 milhões e a participação de 5% que a Varig manterá na transportadora aérea de carga.
O advogado Marcelo Carpenter, do escritório de Sérgio Bermudes, disse que os credores que reclamam do negócio não apresentam uma alternativa para a Varig. "Quero saber se eles [credores] encontraram alguém disposto a pagar US$ 300 milhões pela VarigLog."
O Sindicato Nacional dos Aeronautas também vê com cautela essa operação. "Questionamos não apenas o valor de venda, mas também o impacto dessa operação para o futuro da Varig", disse a presidente do sindicato, Graziella Baggio.
Segundo ela, o negócio também precisa ser aprovado pelos acionistas da Varig --a Fundação Ruben Berta), pelo DAC (Departamento de Aviação Civil) e pela Procuradoria de Fundações.
O administrador judicial da Varig, João Vianna, também entregou sua petição ao juiz da 8ª Vara Empresarial. Ele não é contra a venda, mas contesta a forma como a operação está sendo conduzida. Entre os pontos contestados estaria uma cláusula que determina que o dinheiro a ser pago pelo fundo seria depositado numa conta no exterior. Ele também alerta sobre o atendimento da lei, que limita em 20% a participação de estrangeiros em empresas aéreas brasileiras.
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