A Varig acertou os termos da venda de 95% da VarigLog para o fundo americano de private equity Matlin Patterson Global Advisers, através de uma empresa brasileira - Volo Logistics, e depende agora da aprovação da 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.
A empresa foi avaliada em U$ 100 milhões, porém descontadas as dívidas o valor cai para U$ 40 milhões, mas receberá U$ 38 milhões (95%), que deverão ser utilizados, conforme o seu presidente, de três formas:
- Manutenção (pois há nove aviões parados por falta de recursos);
- Quitação de prestação de leasing de aeronaves (evita-se a devolução);
- Pagamento de salários atrasados (atualmente, um mês de atraso);
Com isto, a Varig Engª. e Manutenção (VEM) não deverá ser vendida.
Fonte: JB
Maurício.
VarigLog - Quase vendida
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Anonymous
Folha de São Paulo
Varig tenta vender empresa de transporte
Fundo americano negocia compra da Varig Log; operação, que envolve US$ 100 mi, precisa de aprovação da Justiça
JANAÍNA LAGE
DA FOLHA ONLINE, NO RIO
BRUNO LIMA
DA REPORTAGEM LOCAL
Em negociação financeira que ainda espera aprovação da Justiça, a Varig pretende vender sua empresa de transporte de cargas, a Varig Log, ao fundo norte-americano Matlin Patterson Global Advisors por US$ 38 milhões. Segundo a Varig, o número foi obtido após um "abatimento" de US$ 60 milhões referentes a dívidas da empresa que serão pagas pelo fundo comprador.
A operação também incluirá um empréstimo de pelo menos US$ 50 milhões, feito pelo fundo à aérea e garantido por igual valor em dinheiro que a brasileira tem a receber de passagens parceladas em cartões Visa. Quando a Visa repassar os pagamentos, o fará diretamente ao fundo, que terá recebido seu dinheiro de volta.
A Varig pediu ao juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que julgará a recuperação judicial da companhia, autorização para vender 95% das ações da Varig Log. Ontem, o juiz intimou os credores da aérea para se manifestar em 24 horas. Depois disso, o Ministério Público terá 48 horas para opinar, e só então o juiz decidirá.
"No pacote como um todo, a Varig fez o melhor negócio dentro das limitações de prazo impostas pela necessidade de caixa", disse ontem o presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha.
Com a operação aprovada, a injeção de recursos na companhia será de US$ 48 milhões até o fim do mês -desse valor, US$ 10 milhões já fazem parte do empréstimo que antecipa valores a receber da administradora de cartões Visa. O total emprestado pelo comprador pode chegar a US$ 65 milhões, se a Varig julgar necessário.
Segundo a Varig, o objetivo da venda é angariar recursos suficientes para atravessar a recuperação judicial. No mercado, há críticas sobre os valores. A Varig Log, que teve valor estimado pela própria Varig em US$ 100 milhões, será vendida, ao final da operação, por US$ 38 milhões.
Há rumores de que a FRB estimava o valor de venda em US$ 300 milhões. Segundo o presidente do Conselho de Curadores da FRB, Osvaldo Curi, o processo de avaliação da Varig Log ainda se encontra em andamento. "Temos que aguardar os resultados da avaliação da Ernest & Young [contratada para a operação]."
Os US$ 60 milhões de abatimento, referentes a dívidas da empresa, serão pagos diretamente aos credores. A Varig precisa manter 5% das ações da subsidiária porque já as deu como garantia ao fundo de pensão de seus funcionários, o Aerus.
Depois que o acordo for formalmente fechado dentro de um prazo estimado de 30 dias, a Varig receberá uma segunda parcela de US$ 40 milhões. No total, a venda da subsidiária e o empréstimo resultarão em uma entrada de verba de pelo menos US$ 88 milhões.
A empresa quer usar esses recursos para pagar leasing de aviões e salários dos funcionários e para a manutenção. Segundo o presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha, a empresa tem hoje "nove ou dez aviões parados", quando o normal seria ter três ou quatro em manutenção.
Longo percurso
Além de ser autorizada pela Justiça do Rio, a operação precisa ser aprovada pelo DAC (Departamento de Aviação Civil) e pelos acionistas da Varig, principalmente a Fundação Ruben Berta, que detém 87% das ações.
Na fundação, o projeto terá de passar pela última instância de decisão, que é o Colégio Deliberante, órgão formado por funcionários do grupo. Como a Ruben Berta é uma fundação com sede no Rio Grande do Sul, a empreitada ainda precisará do aceite da Procuradoria de Fundações do Ministério Público daquele Estado. A assembléia dos acionistas da Varig deve ocorrer em 15 dias.
Para driblar o limite de 20% para a participação de estrangeiros em companhias de aviação, o fundo americano criou uma subsidiária no Brasil, a Velo. Ainda não há definição sobre o percentual que ficará com o fundo.
A Varig Log tem 11 aviões. A Varig ainda vai definir junto à Infraero como ficarão os terminais de carga da companhia. A subsidiária deverá continuar usando os porões da Varig.
Com a operação, a Varig ganha tempo para analisar se deve ou não vender sua subsidiária mais representativa, a VEM (Varig Engenharia e Manutenção), a maior do ramo no hemisfério sul.
Segundo Carneiro da Cunha, a VEM é uma empresa mais relacionada ao negócio principal da Varig. "Nosso objetivo não é sair totalmente da VEM, mas vender uma participação. Com essa operação teremos tempo suficiente para avaliar com mais calma e ver quanto vamos vender."
Varig tenta vender empresa de transporte
Fundo americano negocia compra da Varig Log; operação, que envolve US$ 100 mi, precisa de aprovação da Justiça
JANAÍNA LAGE
DA FOLHA ONLINE, NO RIO
BRUNO LIMA
DA REPORTAGEM LOCAL
Em negociação financeira que ainda espera aprovação da Justiça, a Varig pretende vender sua empresa de transporte de cargas, a Varig Log, ao fundo norte-americano Matlin Patterson Global Advisors por US$ 38 milhões. Segundo a Varig, o número foi obtido após um "abatimento" de US$ 60 milhões referentes a dívidas da empresa que serão pagas pelo fundo comprador.
A operação também incluirá um empréstimo de pelo menos US$ 50 milhões, feito pelo fundo à aérea e garantido por igual valor em dinheiro que a brasileira tem a receber de passagens parceladas em cartões Visa. Quando a Visa repassar os pagamentos, o fará diretamente ao fundo, que terá recebido seu dinheiro de volta.
A Varig pediu ao juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que julgará a recuperação judicial da companhia, autorização para vender 95% das ações da Varig Log. Ontem, o juiz intimou os credores da aérea para se manifestar em 24 horas. Depois disso, o Ministério Público terá 48 horas para opinar, e só então o juiz decidirá.
"No pacote como um todo, a Varig fez o melhor negócio dentro das limitações de prazo impostas pela necessidade de caixa", disse ontem o presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha.
Com a operação aprovada, a injeção de recursos na companhia será de US$ 48 milhões até o fim do mês -desse valor, US$ 10 milhões já fazem parte do empréstimo que antecipa valores a receber da administradora de cartões Visa. O total emprestado pelo comprador pode chegar a US$ 65 milhões, se a Varig julgar necessário.
Segundo a Varig, o objetivo da venda é angariar recursos suficientes para atravessar a recuperação judicial. No mercado, há críticas sobre os valores. A Varig Log, que teve valor estimado pela própria Varig em US$ 100 milhões, será vendida, ao final da operação, por US$ 38 milhões.
Há rumores de que a FRB estimava o valor de venda em US$ 300 milhões. Segundo o presidente do Conselho de Curadores da FRB, Osvaldo Curi, o processo de avaliação da Varig Log ainda se encontra em andamento. "Temos que aguardar os resultados da avaliação da Ernest & Young [contratada para a operação]."
Os US$ 60 milhões de abatimento, referentes a dívidas da empresa, serão pagos diretamente aos credores. A Varig precisa manter 5% das ações da subsidiária porque já as deu como garantia ao fundo de pensão de seus funcionários, o Aerus.
Depois que o acordo for formalmente fechado dentro de um prazo estimado de 30 dias, a Varig receberá uma segunda parcela de US$ 40 milhões. No total, a venda da subsidiária e o empréstimo resultarão em uma entrada de verba de pelo menos US$ 88 milhões.
A empresa quer usar esses recursos para pagar leasing de aviões e salários dos funcionários e para a manutenção. Segundo o presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha, a empresa tem hoje "nove ou dez aviões parados", quando o normal seria ter três ou quatro em manutenção.
Longo percurso
Além de ser autorizada pela Justiça do Rio, a operação precisa ser aprovada pelo DAC (Departamento de Aviação Civil) e pelos acionistas da Varig, principalmente a Fundação Ruben Berta, que detém 87% das ações.
Na fundação, o projeto terá de passar pela última instância de decisão, que é o Colégio Deliberante, órgão formado por funcionários do grupo. Como a Ruben Berta é uma fundação com sede no Rio Grande do Sul, a empreitada ainda precisará do aceite da Procuradoria de Fundações do Ministério Público daquele Estado. A assembléia dos acionistas da Varig deve ocorrer em 15 dias.
Para driblar o limite de 20% para a participação de estrangeiros em companhias de aviação, o fundo americano criou uma subsidiária no Brasil, a Velo. Ainda não há definição sobre o percentual que ficará com o fundo.
A Varig Log tem 11 aviões. A Varig ainda vai definir junto à Infraero como ficarão os terminais de carga da companhia. A subsidiária deverá continuar usando os porões da Varig.
Com a operação, a Varig ganha tempo para analisar se deve ou não vender sua subsidiária mais representativa, a VEM (Varig Engenharia e Manutenção), a maior do ramo no hemisfério sul.
Segundo Carneiro da Cunha, a VEM é uma empresa mais relacionada ao negócio principal da Varig. "Nosso objetivo não é sair totalmente da VEM, mas vender uma participação. Com essa operação teremos tempo suficiente para avaliar com mais calma e ver quanto vamos vender."
O ESTADO DE S.PAULO
Varig receberá US$ 88 milhões até setembro
US$ 38 milhões referem-se à venda de 95% da VarigLog para fundo americano
Alberto Komatsu
Colaborou: Mariana Barbosa
RIO - A Varig espera receber US$ 88 milhões até setembro como parte de seu plano de reestruturação. Deste total, US$ 38 milhões referem-se à venda de 95% das ações da VarigLog ao fundo americano de investimentos Matlin Patterson, que está disposto a desembolsar mais US$ 50 milhões por meio de uma antecipação de recebíveis, com a receita da venda de passagens da companhia aérea com o cartão de crédito Visa.
A Varig detalhou ontem a negociação com o fundo Matlin, antecipada pelo Estado semana passada. O presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha, também informou sobre planos de reduzir os custos atuais em até 40%. Para isso, poderá negociar redução de salários em algumas áreas e cortes de pessoal em departamentos mais inchados. "A Varig tem uma infra-estrutura para trabalhar com 118 aviões, mas tem 78", diz o executivo. A empresa também planeja operar com apenas duas configurações de aviões. Hoje, usa 13 tipos diferentes.
O acordo com o fundo americano tem duas etapas. Na primeira, está previsto o pagamento de US$ 48 milhões até o fim deste mês, incluindo a venda da VarigLog mais US$ 10 milhões da primeira parte da antecipação de recebíveis. O fundo só pode ficar com 20% de participação na VarigLog, conforme a lei do setor, e constituiu uma filial brasileira, a Volo Logistics, para poder ter o controle.
Já os US$ 40 milhões restantes da antecipação de receita seriam pagos até o fim de setembro. Todas essas negociações ainda terão de passar por aprovação da assembléia de acionistas - cuja convocação está sendo feita hoje - e pelo juiz responsável pela recuperação judicial da Varig, Alexander Macedo, da 8.ª Vara Empresarial do Rio, que já avalia o negócio. Existe a possibilidade de mais uma operação de recebíveis, que envolveria US$ 15 milhões e elevaria o valor da operação para US$ 103 milhões. A Fundação Ruben Berta (FRB), controladora da Varig, também realizará uma assembléia nos próximos 15 dias para discutir o negócio.
Segundo fontes que acompanham a negociação, integrantes da FRB são contrários à venda por considerarem o valor muito baixo, já que a VarigLog, conforme avaliação que teria sido feita pela própria empresa, custaria US$ 300 milhões. A fundação, acrescentam essas fontes, nunca foi simpatizante da idéia de "fatiar" a Varig, ou seja, vender seus ativos separadamente. De outro lado, já se especula na empresa que a compra da VarigLog seria apenas o início das negociações com o fundo Matlin, que mais para a frente poderia adquirir o controle, por meio de sócios no Brasil, da própria Varig.
O fatiamento da Varig seria o motivo da saída, ontem, do executivo Edson Arruda, da VarigLog, do Conselho de Curadores da fundação. Esta foi a quarta mudança desde abril. O Conselho de Curadores é formado por 7 representantes eleitos dentre o Colégio Deliberante da FRB, composto por 150 funcionários da empresa.
"Não vejo nenhum conflito. A fundação que eu conheço nunca chegou a falar que a VarigLog vale US$ 300 milhões. Se alguém achar que vale isso, que ofereça US$ 200 milhões", afirma Cunha. O presidente do Conselho de Curadores, Cesar Curi, por sua vez, diz que a VarigLog está passando por um momento de avaliação econômica, mas que o estudo ainda não foi concluído. Portanto, não poderia se manifestar se o valor é apropriado. Curi também nega que Arruda teria renunciado por descontentamento com a venda da VarigLog.
"Esse processo de avaliação é fundamental para termos uma posição correta por parte da fundação", diz Curi. A análise do valor dos ativos da Varig está sendo feita pela Ernst & Young. O valor real da VarigLog, diz Cunha, é de US$ 100 milhões, mas o preço cai para US$ 40 milhões por causa de contingências e passivo de US$ 60 milhões. Como 5% das ações estão em poder do fundo de pensão Aerus, há outro desconto proporcional a essa participação de US$ 2 milhões, que leva ao montante que está sendo negociado (US$ 38 milhões).
Varig receberá US$ 88 milhões até setembro
US$ 38 milhões referem-se à venda de 95% da VarigLog para fundo americano
Alberto Komatsu
Colaborou: Mariana Barbosa
RIO - A Varig espera receber US$ 88 milhões até setembro como parte de seu plano de reestruturação. Deste total, US$ 38 milhões referem-se à venda de 95% das ações da VarigLog ao fundo americano de investimentos Matlin Patterson, que está disposto a desembolsar mais US$ 50 milhões por meio de uma antecipação de recebíveis, com a receita da venda de passagens da companhia aérea com o cartão de crédito Visa.
A Varig detalhou ontem a negociação com o fundo Matlin, antecipada pelo Estado semana passada. O presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha, também informou sobre planos de reduzir os custos atuais em até 40%. Para isso, poderá negociar redução de salários em algumas áreas e cortes de pessoal em departamentos mais inchados. "A Varig tem uma infra-estrutura para trabalhar com 118 aviões, mas tem 78", diz o executivo. A empresa também planeja operar com apenas duas configurações de aviões. Hoje, usa 13 tipos diferentes.
O acordo com o fundo americano tem duas etapas. Na primeira, está previsto o pagamento de US$ 48 milhões até o fim deste mês, incluindo a venda da VarigLog mais US$ 10 milhões da primeira parte da antecipação de recebíveis. O fundo só pode ficar com 20% de participação na VarigLog, conforme a lei do setor, e constituiu uma filial brasileira, a Volo Logistics, para poder ter o controle.
Já os US$ 40 milhões restantes da antecipação de receita seriam pagos até o fim de setembro. Todas essas negociações ainda terão de passar por aprovação da assembléia de acionistas - cuja convocação está sendo feita hoje - e pelo juiz responsável pela recuperação judicial da Varig, Alexander Macedo, da 8.ª Vara Empresarial do Rio, que já avalia o negócio. Existe a possibilidade de mais uma operação de recebíveis, que envolveria US$ 15 milhões e elevaria o valor da operação para US$ 103 milhões. A Fundação Ruben Berta (FRB), controladora da Varig, também realizará uma assembléia nos próximos 15 dias para discutir o negócio.
Segundo fontes que acompanham a negociação, integrantes da FRB são contrários à venda por considerarem o valor muito baixo, já que a VarigLog, conforme avaliação que teria sido feita pela própria empresa, custaria US$ 300 milhões. A fundação, acrescentam essas fontes, nunca foi simpatizante da idéia de "fatiar" a Varig, ou seja, vender seus ativos separadamente. De outro lado, já se especula na empresa que a compra da VarigLog seria apenas o início das negociações com o fundo Matlin, que mais para a frente poderia adquirir o controle, por meio de sócios no Brasil, da própria Varig.
O fatiamento da Varig seria o motivo da saída, ontem, do executivo Edson Arruda, da VarigLog, do Conselho de Curadores da fundação. Esta foi a quarta mudança desde abril. O Conselho de Curadores é formado por 7 representantes eleitos dentre o Colégio Deliberante da FRB, composto por 150 funcionários da empresa.
"Não vejo nenhum conflito. A fundação que eu conheço nunca chegou a falar que a VarigLog vale US$ 300 milhões. Se alguém achar que vale isso, que ofereça US$ 200 milhões", afirma Cunha. O presidente do Conselho de Curadores, Cesar Curi, por sua vez, diz que a VarigLog está passando por um momento de avaliação econômica, mas que o estudo ainda não foi concluído. Portanto, não poderia se manifestar se o valor é apropriado. Curi também nega que Arruda teria renunciado por descontentamento com a venda da VarigLog.
"Esse processo de avaliação é fundamental para termos uma posição correta por parte da fundação", diz Curi. A análise do valor dos ativos da Varig está sendo feita pela Ernst & Young. O valor real da VarigLog, diz Cunha, é de US$ 100 milhões, mas o preço cai para US$ 40 milhões por causa de contingências e passivo de US$ 60 milhões. Como 5% das ações estão em poder do fundo de pensão Aerus, há outro desconto proporcional a essa participação de US$ 2 milhões, que leva ao montante que está sendo negociado (US$ 38 milhões).
MatlinPatterson pode avançar em resgate da Varig
Fundo fez acordo para comprar VarigLog por US$ 98 milhões, sendo US$ 60 milhões em dívidas
Vanessa Adachi e Cláudia Schüffner
De São Paulo e do Rio
O interesse do fundo americano MatlinPatterson pode ir muito além da compra da empresa de carga da Varig, a VarigLog, cuja intenção foi oficializada ontem. Segundo o Valor apurou, em duas passagens do acordo preliminar assinado na segunda-feira, o fundo se coloca como possível parceiro da Varig no processo de reestruturação como um todo.
De acordo com fontes que acompanham o processo, uma das possibilidades aventadas nas conversas até agora é que o MatlinPatterson ofereça uma opção de saída a credores que não estejam dispostos a participar do pacote de recuperação da aérea. Essa, aliás, é uma especialidade da firma americana.
O MatlinPatterson, especializado no investimento em companhias endividadas, ofereceu desembolsar US$ 38 milhões para ficar com a VarigLog. Além de assumir US$ 60 milhões em dívidas e contingências.
Os US$ 38 milhões são, portanto, o valor líquido que a empresa aérea vai receber. Num levantamento preliminar, a VarigLog foi avaliada em US$ 100 milhões e o fundo concordou em pagar US$ 98 milhões por 95% do seu capital, explicou o presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha.
Para concretizar a operação, o fundo abriu uma empresa no Brasil, a Velo, já que a legislação não permite que uma empresa estrangeira tenha mais de 20% do capital votante de uma companhia aérea.
A proposta do fundo foi formalizada num contrato preliminar. A documentação foi entregue ao juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Alexander dos Santos Macedo, responsável pela recuperação judicial da Varig, que terá que aprovar a transação.
O fechamento dessa operação tornou-se crucial para irrigar o caixa da Varig e permitir a sua sobrevivência até o fim do ano, quando o plano de recuperação terá que ser aprovado pelos credores para começar a ser implementado. Desde que pediu a recuperação, em junho, a Varig viu o seu já escasso acesso ao crédito secar de vez diante do ceticismo de antigos fornecedores e de bancos.
O fundo americano também concordou em emprestar dinheiro à companhia mãe. Vai descontar US$ 50 milhões a US$ 65 milhões em recebíveis de cartão de crédito Visa que a Varig não tem conseguido descontar com bancos.
Inicialmente, serão descontados US$ 10 milhões. Carneiro da Cunha ressaltou que não haverá deságio no desconto dos recebíveis. Ou seja, o MatlinPatterson não cobrará pelo empréstimo.
Além de dívida velha, desde que entrou em recuperação, a Varig já acumulou quase US$ 30 milhões de aluguel de aviões em atraso, o que criou um risco real de retomada de aeronaves nos Estados Unidos, apesar das liminares conseguidas até agora.
Na semana passada, Carneiro da Cunha esteve em Nova York para apresentar às companhias de leasing a operação de venda da VarigLog e explicar a sua necessidade. Alguns saíram do encontro convencidos de que a venda é apenas um paliativo.
A operação com o fundo funcionará assim: assim que o juiz aprovar a venda da VarigLog, o que se espera que aconteça na semana que vem, o MatlinPatterson adiantará os US$ 38 milhões à Varig. Esse valor será garantido por recebíveis. Caso a operação, por alguma razão não se concretize, os próprios recebíveis liquidarão o adiantamento, conforme forem vencendo. Na mesma ocasião, o fundo descontará outros US$ 10 milhões em recebíveis. O presidente da Varig espera colocar no caixa da aérea esses primeiros US$ 48 milhões até o fim deste mês.
A auditoria que determinará o valor preciso da VarigLog ainda levará 30 dias. Tão logo seja concluída e as ações sejam entregues ao novo controlador, o fundo abaterá o pagamento dos US$ 38 milhões do adiantamento dado e descontará outros US$ 40 milhões em recebíveis, que, somados aos US$ 10 milhões iniciais, totalizarão US$ 50 milhões em recebíveis. "Mais à frente temos ainda o direito de fazer uma segunda tranche de US$ 15 milhões", explicou Cunha.
Os dinheiro que entrará no caixa será usado integralmente para pagamento das empresas de leasing, dos salários atrasados e das despesas e peças de manutenção para colocar no ar nove aviões que estão parados. Com esse fôlego, os administradores da aérea ganham algum tempo inclusive para avaliar melhor a venda de outra subsidiária da Varig, a VEM, de manutenção de aviões.
A VarigLog transporta cargas com sua frota de 11 cargueiros e nos porões dos aviões de passageiros da Varig. Essa "barriga de aluguel" rende à aérea uma receita mensal de cerca de US$ 9 milhões. O MatlinPatterson se comprometeu a manter esses contratos inalterados até o fim deste ano.
O juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio deu prazo de 24 horas para que os credores da aérea se manifestem sobre a venda da VarigLog. E concedeu 48 horas para que o Ministério Público avalie a transação. A venda da VarigLog terá que ser aprovada em assembléia de acionistas da Fundação Ruben Berta Participações (FRB-Par), que deve ocorrer em 15 dias.
Fundo fez acordo para comprar VarigLog por US$ 98 milhões, sendo US$ 60 milhões em dívidas
Vanessa Adachi e Cláudia Schüffner
De São Paulo e do Rio
O interesse do fundo americano MatlinPatterson pode ir muito além da compra da empresa de carga da Varig, a VarigLog, cuja intenção foi oficializada ontem. Segundo o Valor apurou, em duas passagens do acordo preliminar assinado na segunda-feira, o fundo se coloca como possível parceiro da Varig no processo de reestruturação como um todo.
De acordo com fontes que acompanham o processo, uma das possibilidades aventadas nas conversas até agora é que o MatlinPatterson ofereça uma opção de saída a credores que não estejam dispostos a participar do pacote de recuperação da aérea. Essa, aliás, é uma especialidade da firma americana.
O MatlinPatterson, especializado no investimento em companhias endividadas, ofereceu desembolsar US$ 38 milhões para ficar com a VarigLog. Além de assumir US$ 60 milhões em dívidas e contingências.
Os US$ 38 milhões são, portanto, o valor líquido que a empresa aérea vai receber. Num levantamento preliminar, a VarigLog foi avaliada em US$ 100 milhões e o fundo concordou em pagar US$ 98 milhões por 95% do seu capital, explicou o presidente da Varig, Omar Carneiro da Cunha.
Para concretizar a operação, o fundo abriu uma empresa no Brasil, a Velo, já que a legislação não permite que uma empresa estrangeira tenha mais de 20% do capital votante de uma companhia aérea.
A proposta do fundo foi formalizada num contrato preliminar. A documentação foi entregue ao juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, Alexander dos Santos Macedo, responsável pela recuperação judicial da Varig, que terá que aprovar a transação.
O fechamento dessa operação tornou-se crucial para irrigar o caixa da Varig e permitir a sua sobrevivência até o fim do ano, quando o plano de recuperação terá que ser aprovado pelos credores para começar a ser implementado. Desde que pediu a recuperação, em junho, a Varig viu o seu já escasso acesso ao crédito secar de vez diante do ceticismo de antigos fornecedores e de bancos.
O fundo americano também concordou em emprestar dinheiro à companhia mãe. Vai descontar US$ 50 milhões a US$ 65 milhões em recebíveis de cartão de crédito Visa que a Varig não tem conseguido descontar com bancos.
Inicialmente, serão descontados US$ 10 milhões. Carneiro da Cunha ressaltou que não haverá deságio no desconto dos recebíveis. Ou seja, o MatlinPatterson não cobrará pelo empréstimo.
Além de dívida velha, desde que entrou em recuperação, a Varig já acumulou quase US$ 30 milhões de aluguel de aviões em atraso, o que criou um risco real de retomada de aeronaves nos Estados Unidos, apesar das liminares conseguidas até agora.
Na semana passada, Carneiro da Cunha esteve em Nova York para apresentar às companhias de leasing a operação de venda da VarigLog e explicar a sua necessidade. Alguns saíram do encontro convencidos de que a venda é apenas um paliativo.
A operação com o fundo funcionará assim: assim que o juiz aprovar a venda da VarigLog, o que se espera que aconteça na semana que vem, o MatlinPatterson adiantará os US$ 38 milhões à Varig. Esse valor será garantido por recebíveis. Caso a operação, por alguma razão não se concretize, os próprios recebíveis liquidarão o adiantamento, conforme forem vencendo. Na mesma ocasião, o fundo descontará outros US$ 10 milhões em recebíveis. O presidente da Varig espera colocar no caixa da aérea esses primeiros US$ 48 milhões até o fim deste mês.
A auditoria que determinará o valor preciso da VarigLog ainda levará 30 dias. Tão logo seja concluída e as ações sejam entregues ao novo controlador, o fundo abaterá o pagamento dos US$ 38 milhões do adiantamento dado e descontará outros US$ 40 milhões em recebíveis, que, somados aos US$ 10 milhões iniciais, totalizarão US$ 50 milhões em recebíveis. "Mais à frente temos ainda o direito de fazer uma segunda tranche de US$ 15 milhões", explicou Cunha.
Os dinheiro que entrará no caixa será usado integralmente para pagamento das empresas de leasing, dos salários atrasados e das despesas e peças de manutenção para colocar no ar nove aviões que estão parados. Com esse fôlego, os administradores da aérea ganham algum tempo inclusive para avaliar melhor a venda de outra subsidiária da Varig, a VEM, de manutenção de aviões.
A VarigLog transporta cargas com sua frota de 11 cargueiros e nos porões dos aviões de passageiros da Varig. Essa "barriga de aluguel" rende à aérea uma receita mensal de cerca de US$ 9 milhões. O MatlinPatterson se comprometeu a manter esses contratos inalterados até o fim deste ano.
O juiz da 8ª Vara Empresarial do Rio deu prazo de 24 horas para que os credores da aérea se manifestem sobre a venda da VarigLog. E concedeu 48 horas para que o Ministério Público avalie a transação. A venda da VarigLog terá que ser aprovada em assembléia de acionistas da Fundação Ruben Berta Participações (FRB-Par), que deve ocorrer em 15 dias.
Valor Econômico
Fundo dos EUA é gerido por ex-executivos do CSFB
De São Paulo
A MatlinPatterson Global Advisers define-se como uma firma especializada em investimentos em empresas com problemas de endividamento. Ganhou notoriedade por adquirir créditos podres da gigante de telecomunicações americana WorldCom, hoje MCI, e, na qualidade de maior credor da empresa, participar ativamente do plano que a tirou da concordata.
Procurada ontem para comentar as negociações com a Varig para adquirir o controle da VarigLog, a empresa, com sede em Nova York, informou que não faria declarações públicas.
A MatlinPatterson foi formada em 2002, fundada por David Matlin, Mark Patterson e Lap Chan, executivos egressos do banco de investimento Credit Suisse First Boston (agora, oficialmente, apenas Credit Suisse). Chan seria o responsável pela operação com a Varig, segundo o Valor apurou.
Na verdade, o time já trabalhava junto há anos e desde 2001 geria o fundo CSFB Global Opportunities, que fora criado para aproveitar as oportunidades de lucrar com a crise do alto endividamento das companhias de telecomunicações e de outros setores no fim dos anos 90.
Em 2002, o fundo, com patrimônio de US$ 2,2 bilhões, foi cindido da estrutura do CSFB e passou a ser tocado como uma firma independente pelos executivos que também deixaram o banco, dando origem à MatlinPatterson. O CSFB continuou como o principal cotista do fundo.
Em outubro do ano passado, a MatlinPatterson fechou a captação do seu segundo fundo, com patrimônio de US$ 1,66 bilhão. Na ocasião, Mark Patterson disse que o primeiro fundo já havia retornado aos investidores US$ 1 bilhão dos US$ 2,2 bilhões captados. O executivo disse ainda que o objetivo era investir os recursos em companhias do setor de energia, papel e celulose e commodities. (VA)
Fundo dos EUA é gerido por ex-executivos do CSFB
De São Paulo
A MatlinPatterson Global Advisers define-se como uma firma especializada em investimentos em empresas com problemas de endividamento. Ganhou notoriedade por adquirir créditos podres da gigante de telecomunicações americana WorldCom, hoje MCI, e, na qualidade de maior credor da empresa, participar ativamente do plano que a tirou da concordata.
Procurada ontem para comentar as negociações com a Varig para adquirir o controle da VarigLog, a empresa, com sede em Nova York, informou que não faria declarações públicas.
A MatlinPatterson foi formada em 2002, fundada por David Matlin, Mark Patterson e Lap Chan, executivos egressos do banco de investimento Credit Suisse First Boston (agora, oficialmente, apenas Credit Suisse). Chan seria o responsável pela operação com a Varig, segundo o Valor apurou.
Na verdade, o time já trabalhava junto há anos e desde 2001 geria o fundo CSFB Global Opportunities, que fora criado para aproveitar as oportunidades de lucrar com a crise do alto endividamento das companhias de telecomunicações e de outros setores no fim dos anos 90.
Em 2002, o fundo, com patrimônio de US$ 2,2 bilhões, foi cindido da estrutura do CSFB e passou a ser tocado como uma firma independente pelos executivos que também deixaram o banco, dando origem à MatlinPatterson. O CSFB continuou como o principal cotista do fundo.
Em outubro do ano passado, a MatlinPatterson fechou a captação do seu segundo fundo, com patrimônio de US$ 1,66 bilhão. Na ocasião, Mark Patterson disse que o primeiro fundo já havia retornado aos investidores US$ 1 bilhão dos US$ 2,2 bilhões captados. O executivo disse ainda que o objetivo era investir os recursos em companhias do setor de energia, papel e celulose e commodities. (VA)

