Valor Econômico
Ruben Berta reduz tamanho e tenta sobreviver à Varig
Controladora da companhia aérea não recebe dividendos desde 1995 e cortou benefícios
Vanessa Adachi Do Rio
Desde 1995 sem receber dividendos da Varig, a Fundação Ruben Berta, sua controladora, precisou encolher suas atividades assistenciais aos funcionários do grupo. Adicionalmente, vem tentando buscar fontes alternativas de receita em duas frentes: a prestação de serviços de alimentação e saúde a terceiros e a criação de novas empresas para atuar em outros nichos de negócio.
"Todo esse problema com a Varig trouxe à tona a questão da sustentabilidade da FRB. Não podemos ficar exclusivamente dependentes das empresas do grupo, sob o risco de afundarmos junto", diz Osvaldo Cesar Curi, presidente do conselho de sete curadores da FRB.
A fundação foi criada em 1945 pelo então presidente da Varig, Ruben Martin Berta, com o objetivo de prestar assistência social aos funcionários e aposentados da companhia aérea. Ao mesmo tempo, o controle da Varig foi entregue aos próprios funcionários, por meio da fundação. Invariavelmente, hoje, a FRB costuma ser responsabilizada pelo estado falimentar da Varig. Curi reconhece a existência de problemas de governança corporativa do passado que, segundo ele, contribuíram para a crise. Mas os considera superados.
Mesmo sem distribuir dividendos, as empresas do grupo Varig ainda são a principal fonte de recursos para a FRB. A fundação é remunerada, entre outras coisas, por fornecer refeições e prestar atendimento médico a Varig, VarigLog (carga), VEM (manutenção de aviões), Sata, Tropical Hotéis e outras. No ano passado, recebeu dessas empresas R$ 16,38 milhões. A verdade é que, sem esses contratos, a Fundação tende a desaparecer, a despeito dos esforços para diversificar os negócios.
E tal risco é real, já que a Varig está em processo de recuperação judicial e há dois desfechos possíveis. Ou partes do negócio serão vendidas a novos controladores, ou todo ele irá à falência. "Está claro para nós que vamos perder o controle acionário da Varig", diz Curi.
Para tentar manter a fundação de pé nesse cenário, Curi quer estabelecer uma condição nas negociações com possíveis compradores. "Queremos que a Fundação continue prestando os mesmos serviços ao novo controlador durante alguns anos." Além, diz ele, de manter uma participação acionária que seja considerada "aceitável" na empresa que vier a suceder a atual Varig. O curador evita falar em percentuais.
Nos últimos anos, a FRB não escapou de uma redução drástica em suas atividades de assistência aos 83 mil funcionários ativos e aposentados e seus dependentes. Em 2001, foram concedidos benefícios da ordem de R$ 14,6 milhões, entre medicamentos distribuídos com desconto, material escolar, cestas de alimentos e outros. O número minguou para R$ 9,8 milhões em 2002, R$ 2,9 milhões em 2003 e R$ 3,03 milhões no ano passado. Para 2005, a previsão era de R$ 1,5 milhão de janeiro a maio, mas a FRB só conseguiu conceder R$ 933 mil.
"Antes, a fundação cobria 50% do preço dos remédios para todos os funcionários. Hoje, cobre 30% apenas para quem ganha até R$ 1700", exemplifica João Manuel Correia, o diretor-executivo da FRB, que toca o seu dia-a-dia há dez anos.
Uma grande questão que Correia costuma enfrentar é até que ponto os serviços prestados pela FRB às empresas do grupo Varig são feitos a preços justos. Afinal, ela também é a controladora das companhias e poderia impor condições. "A fundação é competitiva e os preços cobrados são de mercado", diz ele. "Se não fosse assim, poderíamos prejudicar os resultados das empresas do grupo, o que não nos interessa", diz Curi.
Um executivo que há alguns anos cotou os serviços de alimentação da FRB, no entanto, diz que não fechou contrato por considerar os preços elevados. "A política do atual conselho de curadores é que a FRB vá a mercado prestar seus serviços para comprovar sua eficiência", diz Curi.
Nas áreas de fornecimento de refeições e atendimento médico, a FRB fechou alguns contratos. A FRB Serviços em Alimentação fornecerá até 2007 refeições para os operários da obra de ampliação do aeroporto Santos Dumont. Serão 220 mil refeições, a uma receita anual estimada em R$ 450 mil. O cliente é o consórcio das construtoras Odebrecht, Carioca e Construcap. O consórcio também contratou a FRB Serviços em Saúde para fazer atendimento em medicina ocupacional e ambulatorial. Outro contrato de fornecimento de refeições, para a obra do metrô de Copacabana, no Rio, foi fechado com a CBPO Engenharia, também do grupo Odebrecht. A assessoria de imprensa da construtora diz que a escolha foi baseada na excelente qualidade das refeições servidas e nos preços.
Além das empresas de alimentação e saúde, a FRB constituiu uma gráfica, uma corretora de seguros e uma empresa que comercializa suvenir como mochilas e canecas com as marcas do grupo Varig. Esses novos negócios estão fora dos domínios da FRB-Par, a empresa de participações que controla o grupo Varig.
A corretora de seguros, batizada com o pomposo nome de Solution & Insurance, deu lucro de R$ 377 mil no ano passado, valor que foi distribuído à fundação como dividendo. A FRB Serviços Gráficos lucrou R$ 391 mil em 2004, também encaminhados à FRB. Ambas têm na Varig e demais empresas da FRB-Par suas principais clientes.
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