Eletropaulo corta energia da sede da Vasp
BRUNO LIMA
da Folha de S.Paulo
A sede administrativa da Vasp, que fica próxima ao aeroporto de Congonhas, na zona sul de São Paulo, está sem luz desde as 17h05 de ontem. O fornecimento de energia foi interrompido pela Eletropaulo, por falta de pagamento.
Segundo a Folha apurou, a Vasp deve à Eletropaulo um total de R$ 234 mil e tem faturas em aberto desde outubro do ano passado. A companhia também já havia tido os telefones cortados por débito com a Telefônica.
Após o início da intervenção, determinada pela Justiça em março deste ano, a Vasp fez pelo menos um pagamento à Eletropaulo --uma conta vencida em 23 de maio, no valor de R$ 61.917,24, foi regularizada em 9 de junho.
A comissão de intervenção da Vasp não foi localizada para comentar o assunto.
O Ministério Público do Trabalho, que acompanha o caso, diz que não há irregularidades nos pagamentos após o início da intervenção. O órgão afirma considerar injusto que o desligamento ocorra agora e recaia sobre a intervenção, que existe justamente para tentar salvar a Vasp e viabilizar o pagamento de seus funcionários. A cobrança, segundo a entidade, refere-se a débitos da administração de Wagner Canhedo, controlador da companhia.
O Ministério Público do Trabalho, ao lado dos sindicatos da categoria, é autor da ação civil pública que foi movida contra a empresa. O acordo em que Canhedo reconheceu o passivo trabalhista da aérea foi firmado nessa ação.
A obrigação da intervenção é manter em dia as contas vencidas após sua decretação. Sem luz, os trabalhos da comissão, que tem sofrido até ameaças de morte, ficarão bastante prejudicados.
A Eletropaulo informou que só faz o corte de fornecimento como último recurso, quando todas as outras possibilidades já foram tentadas. Segundo a concessionária, a Vasp, o DAC (Departamento de Aviação Civil) e a 14ª vara do Fórum Trabalhista de São Paulo, que determinou a intervenção na aérea, foram informados com antecedência de que o desligamento ocorreria ontem, caso não houvesse proposta de pagamento.
Ministério Público e Eletropaulo dizem acreditar em uma solução extrajudicial para o problema. O pagamento de uma conta vencida ontem, no valor de R$ 58.244,66 possibilitaria o religamento da energia elétrica.
Governo de São Paulo
Sindicatos de trabalhadores do setor aéreo cobram do governo do Estado de São Paulo, que tem, pelo menos, 4,6% das ações da Vasp, uma medida para auxiliar na recuperação da empresa.
"É lamentável que a empresa tenha chegado a esse ponto. Reputo essa situação ao governo do Estado de São Paulo, que é acionista, credor e deve ter responsabilidade sobre a situação dos trabalhadores, que estão em sérias dificuldades financeiras", afirma Graziella Baggio, presidente do Sindicato Nacional dos Aeronautas.
Representantes do Estado foram à audiência em que foi feito o acordo com os trabalhadores.
Mário Engler, secretário-executivo do Conselho de Defesa dos Capitais do Estado, diz que São Paulo é credor da Vasp e tem uma grande disputa judicial com a empresa. "Olhamos com preocupação o desenrolar dos acontecimentos, mas não temos como ajudar a empresa. Reestatizar a Vasp está totalmente fora de cogitação. Mas qualquer mudança de controle acionário da companhia terá o nosso apoio."
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