ARG com lucro e sem dinheiro do governo

Notícias e artigos retirados da mídia em geral.

Moderador: Moderadores

Regras do fórum
As regras do fórum estão disponíveis CLICANDO AQUI.
FCM
MASTER
MASTER
Mensagens: 7557
Registrado em: Sex Dez 24, 2004 12:26
Localização: Porto Alegre

ARG com lucro e sem dinheiro do governo

Mensagem por FCM »

1ª vez em 20 anos: Aerolíneas Argentinas fecha 2025 com lucro e sem dinheiro do governo

Felipe Abílio
Publicado - 26/02/2026 - 13:29

Pela primeira vez em duas décadas, a Aerolíneas Argentinas conseguiu fechar um ano no azul sem precisar de aportes do Tesouro. O balanço de 2025 indica lucro operacional de US$ 112,7 milhões, quase o dobro do resultado obtido em 2024, quando a companhia já havia surpreendido ao registrar US$ 56,6 milhões positivos.

O dado é simbólico. Desde a reestatização, em 2008, a empresa acumulava prejuízos recorrentes e dependia de transferências bilionárias do governo argentino para manter as operações. Agora, segundo números divulgados pela própria companhia e confirmados pelo jornal La Nación, 2025 entra para a história como o primeiro ano, em 20 anos, sem necessidade de subsídios estatais.

Faturamento bilionário e mais de 12 milhões de passageiros

A receita total ultrapassou US$ 2,22 bilhões no período. Na prática, isso significa que a operação conseguiu se sustentar sozinha, cobrindo custos e ainda gerando excedente.

Ao longo de 2025, a Aerolíneas Argentinas transportou 12,78 milhões de passageiros, com média diária de 35 mil pessoas embarcando em seus voos. A malha aérea manteve cerca de 300 decolagens por dia, com fator de ocupação de 83%.

Outro número que chama atenção é a pontualidade: 99,4%. Em um setor marcado por atrasos e ajustes operacionais constantes, manter esse índice virou argumento forte na tentativa de reposicionar a marca diante do mercado.

Corte de dívida e reforço na frota

A reestruturação não ficou restrita ao caixa operacional. A dívida bancária e financeira foi reduzida em 41% em dois anos. O montante caiu de US$ 341,9 milhões, no fim de 2023, para US$ 207,4 milhões ao término de 2025.

Com o fôlego recuperado, a companhia iniciou o processo de incorporação de 18 novas aeronaves. A lista inclui quatro Airbus A330neo, oito Boeing 737 MAX 10, quatro Boeing 737 MAX 9 e dois Boeing 737 MAX 8. A estratégia é clara: aumentar eficiência, reduzir consumo de combustível e melhorar margens, tanto em rotas domésticas quanto internacionais.

Em comunicado, o presidente da empresa, Fabián Lombardo, afirmou que o desempenho confirma a rota adotada nos últimos dois anos. Segundo ele, houve foco direto em cortar custos e ampliar rentabilidade. “Este resultado reforça a direção que adotamos durante os últimos dois anos, nos quais colocamos o foco na redução de custos e na maximização da rentabilidade. Aerolíneas Argentinas demonstrou que pode competir em igualdade de condições com outras companhias da indústria, reafirmando seu compromisso indeclinável com a segurança operacional e a qualidade de seu serviço”, declarou.

“Mostramos que é possível competir em igualdade com outras empresas do setor, mantendo nosso compromisso com segurança e qualidade de serviço.”

Mudança de cenário após anos de prejuízo

Entre 2008 e 2023, a realidade era bem diferente. A companhia registrava perdas operacionais médias de US$ 400 milhões por ano. No acumulado, os repasses públicos superaram US$ 8 bilhões. O peso político e econômico dessa dependência sempre foi tema sensível na Argentina.

O novo resultado não apaga o passado, mas muda o discurso. Em vez de discutir rombos anuais, o debate passa a girar em torno de eficiência, frota e expansão.

O balanço de 2025 ainda passa por validação da KPMG e deve ser oficialmente aprovado pelo Conselho de Administração até meados de 2026. Mas os números preliminares já são suficientes para marcar uma virada.

Para o setor aéreo sul-americano, o movimento também chama atenção. Em um mercado pressionado por custos em dólar, alta volatilidade cambial e concorrência agressiva, registrar lucro consistente sem ajuda estatal não é detalhe.

Se o resultado se sustentar nos próximos anos, a Aerolíneas Argentinas pode deixar de ser exemplo de dependência crônica para virar estudo de recuperação operacional. Ainda é cedo para cravar uma transformação definitiva, mas 2025 já entrou para a história da aviação argentina.


Fonte: https://www.mercadoeeventos.com.br/noti ... o-governo/
Responder