FALANDO DE AVIÃO com Oscar Bürgel ©

Seção principal do AeroFórum para troca de informações.

Moderador: Moderadores

Regras do fórum
As regras do fórum estão disponíveis CLICANDO AQUI.
AeroEntusiasta
Fundador
Fundador
Mensagens: 9732
Registrado em: Dom Dez 19, 2004 09:00
Localização: Porto Alegre - RS
Contato:

FALANDO DE AVIÃO com Oscar Bürgel ©

Mensagem por AeroEntusiasta »

FALANDO DE AVIÃO: # FOLLOW ME
------------------------------------------

(* Informações de aviação para iniciantes e pessoas leigas)

Elaborado por Oscar Bürgel ( oscarburgel@gmail.com )

Veiculo de orientação ao piloto no taxiamento # FOLLOW ME

Quase tão complicado quanto a aproximação para pouso, era o procedimento de taxiamento até o local definido para o desembarque dos passageiros, apos o pouso em alguns aeródromos pelo mundo.

Imagem

As pistas de taxiamento (Taxiway) são identificadas por placas na lateral e nos cruzamentos, bastante próximas ao solo para não atrapalhar o deslocamento dos aviões e suas espaçosas asas. As dificuldades aumentavam quando havia nevoeiro colado na grama, aviador feito um pouso avistando a pista nos mínimos, num procedimento de precisão ILS, e os controladores falam um idioma especifico deles, não fazem nenhum esforço para serem entendidos.

Imagem

A torre (controle de solo) possui disponível um veiculo com luminoso que vai buscar o avião, cabendo a este segui-lo até a posição, o FOLLOW ME.

Não esqueçam que avião não possui marcha a ré, e poderia entrar numa pista de rolagem contra-mão e encontrar outra aeronave taxiando em sentido contrário.

Nos aviões clássicos, aqueles de reloginhos, em que o aviador tinha de possuir um pouco mais de ¨cabelo no peito¨ e boa memoria, o mapa das ruas no solo era entendido, memorizado, e frequentemente consultado.

Certamente todos nós tivemos uma estoria com o besouro da VW, quer seja de aventura, hilariante ou até de intimidades, dos tempos que assistíamos corrida de submarinos a bordo do veiculo.

Pois para homenagear a ELE (e a nós) recebi a foto do amigo Anton Arnet (cmte. ex-pioneira, agora na Azul) e resolvi escrever o texto, com o coringa FUSCA-VW, quiça mil e duca=1.200Cc ( a alemoada aqui do Rio Grande do Sul falava " a Fuka",) que chegou a ser utilizado para esta nobre atividade.

Imagem
alyssoncunha

Re: FALANDO DE AVIÃO: # FOLLOW ME (por Oscar Bürgel)

Mensagem por alyssoncunha »

Parabéns, sempre bom recordar e entender essas estorias. Adoro fusca e aviação e aqui uma combinação nostálgica e brilhante.
AeroEntusiasta
Fundador
Fundador
Mensagens: 9732
Registrado em: Dom Dez 19, 2004 09:00
Localização: Porto Alegre - RS
Contato:

FALANDO DE AVIÃO com Oscar Bürgel

Mensagem por AeroEntusiasta »

NÃO É ESTE, É O OUTRO! # por Oscar Bürgel ©

Imagem
Boeing 727 - PP-VLG

Em Guarulhos havia nevoeiro e chuva. conforme a informação recebida pelo ATIS que é a gravação contendo as condições do aeródromo, vento, pista, pressão, etc., seria executado um procedimento de precisão (ILS) possivelmente avistando nos mínimos, conforme constante na carta Jeppesen a 60 metros acima da pista.
Solicitado check list de aproximação e iniciado a redução de velocidade, com consequente extensão gradativa de graus de flaps (5, 15, 25..... para aumentar a asa e o belíssimo 727 continuar voando pendurado nestes hiper sustentadores).

Os itens realizados foram solicitados pelo piloto que estava operando o avião naquela aproximação e pouso (a próxima seria realizada pelo outro piloto)> Sua tarefa era pilotar a máquina voadora, sem diferenciação do seu posto na carreira (comandante ou copiloto), sendo executados as tarefas de mexer nas alavancas e botões pelos outros dois no cockpit, piloto e engenheiro de voo.

Após distensão do trem de pouso, feito o check list de pouso, na final curta e o avião se aproximando da passagem da altitude de decisão. Caso a pista não fosse avistada deveria cancelar o pouso e arremeter, o aviador concentrado nos seus instrumentos, fez um sinal com a mão direita/dedo indicador apontando para cima, na direção do painel onde ficavam o limpador do parabrisa (Wiper) e o repelente (Rain Repellent)

Imagem

O copiloto interpretou que era para acionar o liquido gosmento avermelhado que suja o vidro se a chuva é fraca e pressionou o botão da esquerda.

O aviador berrou : - Não é este, é o outro!

Copiloto nervoso, piora a situação e ¨ao pé da ordem¨ aciona o botão do lado que era o RAIN REPELLENT do parabrisa direito, sujando parcialmente ambas as janelas com o líquido.

O aviador berra de novo e diz: – o L I M P A D O R, ..orra!

O assustado auxiliar da pilotagem, querendo minimizar os efeitos anteriores, ligou os 2 limpadores ao mesmo tempo. Desta forma piorou tudo, pois as palhetas espalharam os borrifos do liquido borrando ambos os vidros, do piloto e do copiloto, ficando tudo uma meleca.

O engenheiro de voo sentado bem no meio, com visão privilegiada de todos os instrumentos e da situação do voo, falou em voz ALTA e CLARA, para sobrepujar a bagunça instalada.

– MINIMUMS, arremeta! ( estávamos sem avistar nada devido parabrisas sujos ).

O aviador tomou ciência da situação e falou:

- ESTOU ARREMETENDO, (para 6.000 com curva à direita na proa de......)

Dando um manetaço para frente (avião sem TOGA - sem configuração para arremetida), ultrapassando os limites do motor corrigidos pelo F/E, enquanto o copiloto recolhia o trem de pouso, deixando o flap estendido.

Nova bagunça, o aviso de alerta tocou estridentemente, por desconfiguração: flap de pouso estendido com trem de pouso recolhido!!!

Posicionado o flap p/ 15 graus, a buzina silenciou e o nosso Boeing 727 perdoou a tudo e a todos, realizando uma confusa arremetida seguida por um seguro pouso naquele pássaro de prata, com sua bela cauda em T.

Moral da estória:

O fato hoje lembrado jocosamente acontecido com avião sem recursos eletrônicos, onde a coordenação entre os tripulantes técnicos tinha de ser perfeita, devido à quantidade de botões, chaves, relógios tinham de ser comandados, mostra o quanto uma cabine despadronizada pode levar a situações complicadas.

Não existe sinal com a mão, sem emissão de voz para nada dentro de um cockpit, nem uso de palavras não vinculadas tais como ¨NÃO É ESTE, É O OUTRO!¨.

WIPER, please, ou MEU LIMPADOR, por favor , são os termos MANDATÓRIOS para solicitar seja ligado o limpador de parabrisa.......
AeroEntusiasta
Fundador
Fundador
Mensagens: 9732
Registrado em: Dom Dez 19, 2004 09:00
Localização: Porto Alegre - RS
Contato:

Re: FALANDO DE AVIÃO com Oscar Bürgel ©

Mensagem por AeroEntusiasta »

FALANDO DE AVIÃO: # CONTROLADOR CRITERIOSO
-------------------------------------------------------------
(* Informações de aviação para iniciantes e pessoas leigas)

Elaborado por Oscar Bürgel ( oscarburgel@gmail.com )

Aproximação e pouso numa bonita tarde sobre a região que outrora era habitada pelas tribos Tupis - Potiguara.

- Flap 2 - pediu o co-piloto numa ensolarada tarde nos ceus Potiguarenses (neste etapa a pilotagem estava sendo feita pelo aviador da direita, identificado como PF=piloto voando/flying)

A belíssima maquina B727 estava começando a fase de AVIÃO SUJO, no jargão aeronáutico é quando Flaps, Slats, Trem de Pouso começam a ser usados, e com isto a limpeza aerodinâmica até então existente, passa a ser desmanchada, O controlador de trafego aéreo de Natal era bastante criterioso nas informações fornecidas aos aviadores, conhecido e valorizado por todos que operavam por lá.

Na medida em que ele solicitava que o avião reduzisse a velocidade, apesar de que desde que o avião entrou dentro do ¨condominio¨ja havia reduzido para 410km/h (antes era 850km/h) e com faróis ligados, cfr a norma ¨condominal¨, o aviador precisava ir sujando o avião, para aproximação até cruzar a cabeceira da pista com a metade disto, 220km/h.
Avião se encaixou na rampa, já com rodas em baixo (trem de pouso),e quase tudo feito, cobrado pelos check list, para o pouso do maquinaço.

- FLAP 30 - pediu o PF, prontamente atendido pelo piloto da esquerda comandante do voo, que nesta etapa assessorava a pilotagem, identificado como PM=piloto monitorando/monitoring, esticando a mão sobre as manetes pois a alavanca do trem é do lado direito.

A partir dai, o avião desliza na rampa, motores calçados com 1/4 de potencia e a velocidade (quase) constante até o toque na pista.

Na passagem sobre um marcador sonoro que toca (BIP, BIP, BIP) indicando a distancia que o avião esta da cabeceira, o PM solicitou ao controlador as condições do vento.

- Torre Natal, confirme o vento para o Varig 344.

Controlador responde:

- vento 120 com 10 (vento vinha do sudeste 120 graus e com 10 nós) - informação valiosa fez com o piloto corrigisse o nariz o lado do vento, e mudança da posição das manetes de potencia (aceleradores).

- Varig 344 - Livre Pouso, confirme o trem ? - diz o controlador

- Embaixo e travado, Varig 344 - respondeu o piloto assessorando PM

Logo em seguida, na final curta do avião, o controlador pretendendo fornecer mais detalhes coforme a sua característica de criterioso, entra via radio:

- Comandante, para sua informação VOCE ESTA LIGEIRAMENTE A ESQUERDA DO EIXO DA PISTA.

O comandante que também tinha a característica de não perder um bom momento, responde:

- Afirmativo, e o nosso CO-PILOTO ESTA LIGEIRAMENTE A DIREITA DO EIXO DA PISTA. Obrigado Torre Natal.

As risadas foram unanimes mas rápidas no cockpit para não perdermos o foco devido o momento, e também gargalhadas via radio das outras aeronaves que estavam na mesma frequência (118.1).

Isto faz parte do interessante mundo da aviação e seu cotidiano.

Imagem
Responder