Caros aeroforenses
Inicialmente, quero dizer que tanto o holandês Fokker 50 quanto o franco-italiano ATR 42/72 são excelentes aeronaves. O ATR 42 é o modelo de cerca de 48 assentos e o ATR 72 de cerca de 68 assentos.
Nunca viajei em alguma delas (o único turboélice que voei foi um Neiva NE-821 Carajá, por uns 20 minutos), mas me baseio em relatos e em dados.
O Fokker F-27 e derivdos (como os fabricados pela Fairchild norte-americana), aeronaves fantásticas e de grande sucesso, são da década de 50, ou seja bem antigas, apesar de terem sido modernizadas e fabricadas até cerca 1985 (Fokker F-27 Mk. 500). Então, em 1987, o Fokker F-27 "super" moderno entrou em produção, ou seja, o Fokker 50, que difere por ter motores Pratt & Whitney Canada aor invés de Rolls-Royce Dart, seis pás, porta dianteira, aviônicos modernizados, etc. O ATR 42 começou a ser produzido em 1985, logo antes do Fokker 50, na sua versão 42-300, com os motores Pratt & Whitney Canada. Apesar de ambos serem quadripás, não podemos comparar o ATR 42 com o Fokker F-27 em termos de modernidade. O franco-italiano é bem mais moderno. Atualmente, o modelo de produção dos ATR 42/72 são a "Geração 500", com hélices de seis pás e várias modificações.
Assim como o Brasília e o Bandeirante, alguns amigos que viajaram no ATR "Geração 500" dizem que é bastante barulhento. Como são leigos em aviação, não sei se era barulho ou vibração. Dados da Fokker e da ATR dizem que o ruído é em torno de 80 decibéis. O ATR 42/72 possui um moderno sistema anti-ruído passivo. Imagino que o ruído e a vibração sejam inerentes aos turboélices.
A cabine do ATR 42/72 é mais larga que a do Fokker 50, sendo a mais larga da categoria, junto com a do Bombardier CRJ - ambas têm 2,57 metros de largura, mas a do ATR 42/72 é mais alta, com 1,91 metros. As poltronas do ATR 42/72 são mais largas (17.3 polegadas) que as de um Boeing 737/757, que são da mesma largura que as dos Fokker 50 (17 polegadas). O ATR 42/72 é mais rápido, voando a cerca de 555 km/h. Ambos operam em pistas curtas, de cerca de 1.000 metros, e voam alto. Os ATR 42/72 possuem porta traseira, assim como o Fokker F-27, o que no meu ponto-de-vista é uma vantagem, pois permite uma rápida conversão para cargueiro e vice-versa.
A ATR - Avions de Transport Regional, apesar do nome em francês e da sede em Toulouse, na França, é um consórcio ítalo-francês, pois é a união da Alenia Aeronautica italiana e da EADS européia, cada um com 50% de participação. A ATR foi estabelecida como um grupo de interesse econômico (GIE) em novembro de 1981 quando a Aerospatiale (hoje parte da EADS) e a Aeritalia (hoje Alenia Aeronautica) uniram seus dois separados, mas similares, projetos de aeronave regional em um só. As companhias trabalhavam em seus respectivos conceitos de aeronave - o AIT 230 da Aeritalia e o AS35 da Aerospatiale - desde 1978. O ATR 42 foi oficilamente lançado em 4 de novembro de 1981.
A Alenia Aeronautica participou do programa AMX, juntamente com a Aermacchi italiana e a Embraer, e é especialesta no fornecimento de partes para grandes fabricantes de aeronaves, como a Airbus e a Boeing. Ela é parceira de risco do programa Boeing 787 e produz grande parte das fuselagens dos Boeing 767 e 777 e McDonnell Douglas MD-80. Também tem participação ativa na indústria espacial.
A fuselagem é feita pela empresa italiana e as asas pela Airbus France.
É um belo pedigree para este excelente turboélice!!!
Quanto à utilizção de jatos, além dos problemas já citados, eles não são lucrativos e, rotas de memos de 370 nm, além de oferecerem certas desvantagens em relação aos turboélices. Além disso, o ATR é bem mais espaçoso que o Embraer 145.
Saudações
Caravelle