Venda de passagens ganha força em mercado paralelo
Zero Hora - RS - 03/04/2005
Um mercado paralelo de venda de passagens aéreas decola no país impulsionado pelos programas de fidelidade das companhias aéreas. Ao comprar e vender milhas e pontos de clientes desses programas, principalmente da Varig e da TAM, intermediários oferecem, na Internet, passagens aéreas com preços especiais. O valor de um bilhete adquirido pelo sistema de milhas cai para metade do valor de uma passagem comum, ou até menos, nos trechos mais longos. É assim, por exemplo, que a empresária I.P., que mora no norte do país e prefere não se identificar, visita regularmente a filha que vive em Porto Alegre. Foi por meio de amigos que a empresária descobriu o sistema. Se comprasse diretamente da companhia aérea, I. gastaria cerca de R$ 1,4 mil por passagem para viajar do Norte ao Sul do Brasil.
- Na última vez, eu comprei a passagem, pelo sistema de milhas, por R$ 550. Compro geralmente das mesmas pessoas, por telefone. Tive problema uma vez, mas logo recebi o número de um cartão, que o intermediário de Goiás me deu, e comprei outra passagem na hora, no balcão da empresa, facilmente- conta a empresária.
Os intermediários a quem I. se refere podem ser localizados na Internet, em anúncios virtuais ou mesmo em páginas na rede. O esquema consiste em comprar as milhas de pessoas que viajam muito, como de funcionários de grandes companhias que se deslocam a trabalho e, por isso, não utilizam toda a bonificação. Essas milhas ou pontos que sobram são usadas, então, na aquisição de passagens para outras pessoa, em qualquer lugar do Brasil.
- Eu tenho pessoas certas que trabalham comigo. Milhas eu tenho sempre sobrando - diz G., intermediário e proprietário de uma empresa localizada por meio da Internet e que anuncia a transação com "segurança total na negociação"
Companhias como a Varig e a TAM, geralmente citadas nos anúncios de compra e venda de milhagens, não limitam o uso desses bônus ao dono, mas alegam que vender milhas é proibido e que esse item consta nos contratos dos programas de fidelidade. Se identificado o uso irregular das milhagens ou pontos, o cliente perderá o programa e "responderá às medidas judiciais cabíveis". As empresas, porém, não especificam quais são essas medidas, não confirmam a existência de casos em que já as tenham adotado e não tratam do caso como um crime contra as companhias.
Outro usuário gaúcho do sistema de compra de milhagens, o representante comercial R.R, viajou recentemente para o Peru, pagando pela passagem de ida e volta R$ 1 mil, ante os cerca de R$ 2,8 mil que custaria se fossem adquiridas regularmente. O representante afirma que a maioria do grupo de cerca de 40 pessoas que estava com ele no Peru conseguiu voar mais barato comprado milhas. Seja negociando com intermediários ou adquirindo de pessoas conhecidas.
- Quem não sabia do sistema e viu o quanto nós economizamos ficou louco. E disse que vai comprar milhas nas próximas viagens. Um fica sabendo, conta para o outro e cada vez mais gente compra. É como uma bola de neve - conta R.
Como funciona o esquema - Depois de revelar o dia em que quer viajar e para onde, o interessado informa o nome completo e um telefone para contato. O intermediário que tem a posse de milhas compradas de sua rede de contatos envia esses dados para um deles, que deve reservar a passagem para o comprador. Para isso, ele recebe um valor combinado previamente, cerca de R$ 1 mil para cada 20 mil pontos ou milhas. O intermediário envia ao comprador a confirmação da reserva e solicita que ele faça um depósito de parte do valor combinado anteriormente para o trecho. Ao fazer o depósito em uma conta bancária determinada pelo intermediário autoriza a emissão do bilhete. O comprador, então, recebe um número com o qual ele própria retirará a passagem no balcão da empresa na cidade em que quiser. O pagamento é sempre exigido à vista. O negócio só é vantajoso, porém, para quem vai voar grandes distâncias, em que o preço das passagens fica próximo de R$ 1 mil ou mais. Os bônus dos programas de fidelidade dão direito a passagens aéreas gratuitas para longas distâncias, inclusive para países da América do Sul e, por isso, são compradas sempre no mesmo valor (cerca de R$ 500 cada quantidade de pontos ou milhas que dá direito a uma passagem). Assim, para o comprador, o negócio só será economicamente bom para grandes longos trechos.
Contrapontos - O que dizem as companhias
- TAM: Segundo nota enviada pela assessoria de imprensa: "É vedado ao cliente Fidelidade praticar todo e qualquer tipo de comercialização dos benefícios, vantagens ou bônus conquistados por meio do Programa Fidelidade. A comprovação de vendas ou permutas de pontos e/ou trechos-convite dá à empresa o direito de excluir o cliente do programa, assim como de tomar as medidas judiciais cabíveis"
- Varig: Conteúdo extraído do regulamento do programa Smiles: "Em relação à compra e/ou venda de milhas, o regulamento do programa Smiles, estabelece alguns parâmetros. É vedado ao participante qualquer tipo de comercialização de milhas ou prêmios do Programa Smiles, sob pena de serem tomadas as medidas judiciais cabíveis. No caso de não cumprimento deste regulamento por parte do participante, o Smiles se reserva o direito de suspender ou cancelar a respectiva conta em caráter temporário ou definitivo, como também não mais aceitar que o infrator utilize os prêmios e benefícios oferecidos pelo Programa Smiles. Eventuais Prêmios Smiles emitidos através de milhas creditadas em desacordo com este regulamento deverão ser ressarcidos ao Programa Smiles pelo participante".
MERCADO PARALELO DE PASSAGENS
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