Ex-diretor do Bradesco negocia com a Varig

Notícias e artigos retirados da mídia em geral.

Moderador: Moderadores

Regras do fórum
As regras do fórum estão disponíveis CLICANDO AQUI.
MARR
CMTE.
CMTE.
Mensagens: 972
Registrado em: Ter Dez 21, 2004 19:08

Ex-diretor do Bradesco negocia com a Varig

Mensagem por MARR »

Ex-diretor do Bradesco negocia com a Varig
O Estado de S. Paulo - 02/04/2005
O projeto mais cotado de aquisição do controle da Varig é de um grupo de investidores portugueses representados no Brasil pelo executivo Maurício Quadrado. A negociação está sendo intermediada pela corretora Planner Investment Banking. "Recebemos um mandato da Varig para encontrar um investidor no mercado", disse Quadrado, que foi diretor de Mercado de Capitais do Bradesco nos anos 90. Segundo ele, até quarta-feira haverá uma definição por parte da companhia. "Conseguimos um grupo português que atendeu as exigências da Fundação Ruben Berta (FRB, controladora da Varig) e estou confiante em que a nossa proposta será vencedora."

Terça-feira, está prevista uma reunião dos sete integrantes do Conselho de Curadores da FRB com os representantes dos conselhos de administração das principais empresas do Grupo Varig para analisar todas as propostas. Além daquela que está sendo conduzida por Quadrado, estão na mesa as propostas dos empresários Nelson Tanure e German Efromovich (da Ocean Air). O primeiro ofereceu R$ 90 milhões pelo controle da empresa, sem assumir seu passivo, que ultrapassa R$ 6 bilhões, além de mais quase R$ 3 bilhões em contingências.

Há duas semanas, depois que o governo deu sinais de que não via com bons olhos a proposta de Tanure , o presidente da FRB, Ernesto Zanata, levou Quadrado a Brasília para apresentar a proposta ao ministro da Defesa e vice-presidente, José Alencar.

Quadrado não revelou o nome dos investidores nem quanto eles estariam dispostos a investir. "É um grupo de investidores portugueses que não tem ligação com o setor aéreo", limitou-se a dizer. Fontes próximas a negociação revelam que há ainda um banco da Suíça. A Planner entraria como sócia brasileira na operação. Pela legislação brasileira, a participação estrangeira em uma companhia aérea está limitada a 20%.

Uma das alternativas em negociação, de acordo com as mesmas fontes, envolve uma operação de aumento de capital que venha a reduzir a participação da FRB para 20% - hoje ela detém 55% do capital total e 87% do capital votante. Assim, ela não perderia nenhuma ação e a operação não dependeria de um parecer do Ministério Público de Fundações.

Segundo Quadrado, o alto endividamento da companhia não assusta os estrangeiros. "A qualidade do passivo não é tão ruim assim. Dos R$ 6 bilhões, o mais crítico é a dívida com o setor privado - as empresas de leasing e mais Infraero, Banco do Brasil e BR Distribuidora - que representa quase R$ 1 bilhão", afirma. "Com o encontro de contas com o governo resolve-se quase R$ 4 bilhões. O restante é dívida com o fundo de pensão Aerus, que é de longo prazo."

Fontes na Varig revelam que, caso a proposta se concretize, Quadrado tem chances de assumir o direção executiva da companhia. Questionado sobre isso, porém, ele afirma que não tem interesse no cargo. Além da passagem pelo Bradesco, Quadrado foi presidente da rede de academias Runner. Há alguns anos, ele fundou a corretora Advis Bancorp, que depois foi adquirida pela Planner.

Qualquer que seja a proposta, ela precisa ser aprovada pelo Colégio Deliberante, grupo composto por 165 funcionários eleitos diretamente pelos demais trabalhadores. Uma assembléia com esse fim estava prevista para o próximo sábado (dia 9). Porém, para que seja realizada uma assembléia, o Conselho de Curadores precisa convocar o colégio com oito dias de antecedência - mas isso não aconteceu ontem. É provável que a convocação aconteça até meados da próxima semana, depois que os curadores, conselheiros e diretores chegarem a um consenso sobre a principal proposta.
Responder