Web Jet quer 4% do mercado até 2007
Nova aérea estima faturamento no ano de R$ 100 milhões e faz planos para emissão de ações
Catherine Vieira Do Rio
Uma empresa de aviação com modelo de baixos custos e preços menores, montada por investidores de capital de risco e de olho no acesso ao mercado de capitais. Não é a Gol. Trata-se da Web Jet, companhia aérea que inicia suas atividades na segunda quinzena de abril.
Com dois aviões Boeing 737-300, adquiridos por meio de leasing operacional, a Web Jet começará com apenas uma rota, que, saindo de São Paulo, vai para Rio, Brasília e Porto Alegre.
Os vôos terão freqüência diária e serão divulgados em breve em campanha publicitária encomendada à agência paulista Z+.
O investimento inicial não é revelado, mas estimativas do mercado apontam para a quantia de US$ 10 milhões até o início das operações. A meta de faturamento para 2005 é de R$ 100 milhões.
A companhia não fala em projeções de fatia do mercado, mas, num espaço de dois anos, o plano é alcançar 4% do mercado doméstico. Para chegar lá, os próximos passos devem ser rotas que passam por Florianópolis e Salvador (subindo para o Nordeste). Mas ainda não há licença do Departamento de Aviação Civil.
Os investimentos feitos na companhia foram liderados pelo executivo Mauro Molchansky, ex-vice-presidente da Globopar, de onde saiu para criar a Real Assets. No ano passado, Molchansky iniciou a prospecção de investidores para a Web Jet e montou estrutura de empresa de capital de risco. "Os investidores são como acionistas, mas é possível que nos transformemos num fundo de participações", diz.
"O objetivo da Web Jet é, sem dúvida, acessar o mercado de capitais e uma das formas pode ser a oferta de ações, mas esta não é a única", completou.
Segundo ele, os investidores estão prontos para suportar uma fase de investimentos e expansão das rotas da WebJet ainda este ano.
O executivo escolhido para tocar a Web Jet é o próprio mentor do projeto, Rogério Ottoni. Advogado e apaixonado por aviação, Ottoni já atuou muito próximo a vários segmentos ligados ao setor: manutenção, seguros, comercial. "Passei por todas as fases e observei que existia potencial para uma empresa que investisse na logística correta como forma de reduzir custos", afirma.
Ele lembra que a empresa já tem a licença do DAC desde 2002, mas o aumento da demanda pelo leasing de aviões no ano passado acabou adiando um pouco o ritmo planejado para o início das operações. "Tivemos que escolher com cuidado os aviões que seriam mais adequados", diz o executivo.
A idéia, segundo o presidente da WebJet, é ter as tarifas médias mais baratas do mercado. "Podem haver tarifas mais altas e mais baixas, nosso objetivo é ter o menor preço na média", diz. Para Ottoni, o grande diferencial da empresa para baixar os custos será a logística. "Temos, por exemplo, uma base única, que será no Galeão, onde ficam os aviões e para onde os funcionários de bordo sempre voltam, isso corta custo de deslocamento", exemplifica.
O serviço de bordo também será bastante simplificado, diz. "Essa é uma tendência geral e não só das empresas 'low cost'. Criou-se essa idéia de que o serviço de bordo reduz o custo, mas na nossa visão não é bem assim, a simplificação é mais pela agilidade, nosso modelo é baseado em logística", conclui.

Foto: Bel Pedrosa/Valor
Mauro Molchansky, que montou a estrutura de capital da empresa: oferta pública de ações é uma possibilidade
