CÉU PARA POUCOS

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Regis
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CÉU PARA POUCOS

Mensagem por Regis »

"CÉU PARA POUCOS

Redução das tarifas beneficia a classe média, mas baixa renda ainda só voa eventualmente, dizem companhias

Guerra de preço não populariza viagem aérea

MAELI PRADO
DA REPORTAGEM LOCAL

O atual perfil do passageiro de companhia aérea regular no Brasil não aponta para a propalada popularização entre a baixa renda. As promoções-relâmpago introduzidas pela Gol no mercado a partir de 2001 atraem consumidores eventuais com esse perfil, mas eles não aderem com força aos vôos com tarifas tradicionais.
Os preços dos bilhetes caíram, conseqüência da guerra tarifária que ocorreu no setor entre 2002 e 2003, mas o principal efeito foi que quem já viajava de avião, principalmente a classe média, começou a fazê-lo com mais freqüência. Ou trocou de companhia, escolhendo a menor tarifa.
O passageiro das classes C e D passou a comprar bilhetes aéreos, mas por companhias de vôos fretados, como o caso da BRA.
Com exceção de uma queda de demanda em 2003, a quantidade de passageiros vem aumentando, segundo o DAC (Departamento de Aviação Civil). Comparando 2004 com 2000, a alta foi de 16%.
"As promoções fazem muito sucesso e atraem um consumidor com outro perfil, mas não é um passageiro que vai voltar em uma situação comum", diz Luiz Henrique Barreto do Amaral, gerente de marketing da TAM.
"Foram as classes A e B que mais aproveitaram os descontos", reforça João Pereira Martins Neto, presidente da Abav (Associação Brasileira das Agências de Viagem). "A popularização é no sentido de atender às necessidades da classe média, que hoje pode viajar mais", completa.
Tarcísio Gargioni, vice-presidente de marketing e serviços da Gol, defende que mais pessoas começaram a viajar de avião nos últimos anos em todas as classes. "Muita gente de alta renda não viajava de avião e passou a voar, assim como há o passageiro que viajava de ônibus e hoje está viajando de avião", afirma.
Uma pesquisa da Gol, segundo o executivo, aponta que, em 2002, 4% dos passageiros da companhia aérea viajaram pela primeira vez de avião. O percentual subiu para 10% em 2004.
Entretanto, outra pesquisa da aérea, realizada na baixa temporada com 3.000 passageiros, mostra um movimento de usuários com maior poder aquisitivo ganhando mais participação.
De acordo com esses números, em 2002, 28% deles tinham renda superior a R$ 5.000. O percentual subiu para 39% em 2004. A escolaridade também subiu, segundo as pesquisas. Em 2004, 70% dos passageiros possuíam curso superior, ante 56% em 2002.
Em contrapartida, na faixa de R$ 1.000 a R$ 3.000, a participação caiu de 31% para 25% na mesma comparação. No caso de passageiros cuja renda é até R$ 1.000, houve uma queda de 12% para 7%. Quem não possui renda representava 10% dos passageiros da empresa, hoje são 5%.
Gargioni atribui a mudança à rápida penetração da companhia aérea no mercado corporativo.
No primeiro semestre de 2002, a Gol tinha uma participação de 1,21% nas passagens corporativas vendidas no mercado doméstico, mostram dados do Favecc (Fórum das Agências de Viagens Especializadas em Contas Comerciais). No mesmo período de 2004, teve 13,03%.
No caso da TAM -que já liderava o mercado corporativo em 2002 (cerca de 46%) e que, portanto, não enfrentou uma mudança maior nesse sentido- a participação das classes A e B passou de 90%, há três anos, para 85%. Barreto lembra que pode haver alguma alteração nesses números neste ano, já que a aérea incorporou boa parte dos passageiros da Vasp, que parou de operar.
A Varig informou que não tem nenhuma pesquisa sobre o perfil de seus passageiros em vôos com tarifas tradicionais.
A tarifa mais baixa atrai com força as classes C e D em promoções-relâmpago, como os vôos corujões -cujas tarifas são muito mais baixas- ou em companhias charter, como a BRA.
Um vôo entre São Paulo e Rio de Janeiro (aeroportos de Congonhas e Santos Dumont), por exemplo, custa em média R$ 300 pela Gol e R$ 360 na Varig e na TAM. A BRA cobra R$ 89 entre os aeroportos de Guarulhos e Galeão, menos da metade do preço."

Fonte: Jornal Folha de São Paulo- Folha Dinheiro de 27/03/05.
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Mal dá para comer!

Mensagem por jambock »

Meus prezados:

O salário médio do trabalhador brasileiro anda beirando os R$800,00.
O DIESE afirma , e comprova, que o salário mínimo deveria ser de uns R$ 1.450,00. Isto é, o pobre do trabalhador não ganha nem o salário mínimo real, como vamos querer que ele viaje? Outra coisa, a viagem não se restringe ao ato de voar, tem a hospedagem. Se for para visitar familiares, ainda fica mais barato. Mas, mesmo assim, gastar um salário para visitar parentes? Nem pensar! Olha que eu não estou falando de turismo. Ontem, no programa do Huck, uma moça estava disputando um prêmio de R$ 10 mil, para ver se podia pagar contas atrasadas e apresentar a filha, de dois anos, aos avós que moram no norte do País.
A grande massa que poderia, realmente, movimentar o setor aéreo são os nortistas e nordestinos radicados no eixo Rio-São Paulo, mas esses não têm dinheiro para irem ao norte. Quando conseguem ir vão de
ônibus. Muitos, até de ônibus clandestinos, pois não conseguem pagar por um regular.
Para mim, o que movimenta o setor aéreo, principalmente na baixa estação, é o setor corporativo. Empresas pagando as viagens de seus empregados.
O que as autoridades e, por consequência, os dirigentes das cias. aéreas precisam entender é que o brasileiro é pobre. Todo o sistema produtivo e prestador de serviço está voltado para 15% da população! Então, não venham me falar em turismo interno, com diárias internacionais, mesmo se as passagens aéreas estejam um pouco mais baratas. Como voar não é um fim, apenas meio, o problema transcende o setor aéreo.
Aí, fica aquele nó górdio: A passagem é cara porque poucos voam. Poucos voam porque a passagem é cara.

Um abraço e até mais...
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambockrs@gmail.com

Na aviação, só a perfeição é aceitável
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