Aeronáutica agora desiste de alugar caças usados
Daniel Rittner De Brasília - Valor Online
Nem a antiga licitação internacional, nem o aluguel de caças usados. A solução temporária para não deixar a Força Aérea Brasileira (FAB) a pé quando os Mirage III-E/Br forem aposentados em dezembro deverá ser caseira e relativamente barata. A tese que ganha cada vez mais força é a utilização dos jatos F-5, fabricados nos Estados Unidos e em operação pela FAB desde o início dos anos 70, remodelados para desempenhar missões de defesa e ataque aéreos a partir de janeiro de 2006.
Com isso, torna-se pouco provável que o governo opte por firmar um contrato de aluguel de caças quando os Mirage III-E/Br forem desativados. Mesmo que se decida comprar novos jatos agora, a entrega do equipamento levaria pelo menos três anos. É preciso, portanto, encontrar uma solução temporária. O Comando da Aeronáutica já recebeu cinco propostas de aluguel ou arrendamento.
Duas dessas propostas incluem justamente a transferência ao país de modelos bem parecidos com o Mirage III-E, o tipo de jato que está a ponto de encerrar seu período de vida útil no Brasil. O governo da África do Sul, por exemplo, ofereceu o caça Cheetah, uma versão revitalizada do mesmo modelo. E Israel fez uma oferta para um lote dos jatos Kfir C10, uma variante do Mirage, com outra configuração.
Um alto oficial da Aeronáutica afirmou que essas opções são caras e pouco atraentes e perdem na relação custo-benefício quando comparadas com os jatos F-5 após a sua remodelação. A Embraer trabalha atualmente em um programa que praticamente transformará esses caças, com uma modernização completa envolvendo a incorporação de armamentos nacionais às aeronaves, como bombas e foguetes.
Os primeiros jatos serão entregues até o fim de março, segundo o Comando da Aeronáutica, e os protótipos do caça remodelado já estão em fase de testes em Natal (RN). A expectativa dos militares é que o programa abranja pelo menos 13 aeronaves até o fim de 2005. Ao todo, a FAB dispõe de aproximadamente 50 unidades.
Segundo um brigadeiro-do-ar ouvido pelo Valor, os F-5 modernizados "não devem nada" em termos tecnológicos às propostas de caças alugados, além de serem superiores ao atual Mirage III-E/Br nesse tipo de comparação. Evidentemente, há desvantagens. A velocidade dos F-5 é menor do que a dos demais jatos e eles não são capazes de fazer pousos em porta-aviões. Não são caças voltados originalmente para missões de ataque e defesa.
Além disso, a opção por dispensar os contratos de aluguel e usar apenas os modelos F-5 modernizados diminuiria o total de aviões da frota, com a aposentadoria dos Mirage, e poderia desfalcar algumas bases aéreas. Mas a Aeronáutica destaca o aproveitamento da tecnologia nacional, além de frisar que a parte eletrônica e de sistemas dos F-5 são absolutamente de ponta. Eles ganhariam mais 20 anos de vida.
Há cerca de 15 dias, o Alto Comando da Aeronáutica, instância que reúne os oficiais mais experientes da força, deliberou sobre o assunto e determinou a realização de estudos mais aprofundados sobre todas as possibilidades. Não há posição consensual nem final sobre o chamado "período de transição", mas a tese de dispensar contratos de aluguel e usar os F-5 modernizados parece ganhar força. A decisão poderá sair na próxima reunião do Alto Comando, ainda sem data marcada.
Os oficiais deixam claro, porém, que a compra dos novos caças continua sendo urgente e indispensável. A licitação internacional do projeto FX expirou em 31 de dezembro do ano passado, sem a escolha de nenhuma das cinco propostas apresentadas. A fabricante russa dos jatos Sukhoi já renovou espontaneamente, por mais um ano, a proposta que valia até o fim de 2004. Mas a possibilidade mais forte, agora, é a compra direta (sem licitação) de um lote de caças de família mais moderna. O preferidíssimo da Aeronáutica é o francês Rafale, da Dassault, que ofereceu os Mirage de geração mais recente em parceria com a Embraer na ultrapassada licitação.
"A falta de definição sobre a compra dos caças, no ano passado, acabou sendo uma decisão sábia e vantajosa para o país", diz esse oficial.
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jambock
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A FAB é que está comprando!
Prezado SBSP:
A velocidade dos F-5 é menor do que a dos demais jatos e eles não são capazes de fazer pousos em porta-aviões.
Mas é a FAB que está comprando, não a Marinha
A capacidade de pouso em porta-aviões nunca foi quesito da concorrência do F-X.
O jornalista "viajou"
Os F5-BR podem, perfeitamente, equipar três esquadrões e ainda ter alguns como reserva. O que precisaria é a aquisição de mais uns três ou quatro F5-F (biplace) para instrução, após convertê-los ao padrão F5-BR.
Com os mísseis VBR (voando a mach 2 ou 3!) vê-se que as contramedidas eletrônicas, chaft e flare, são tão ou mais importantes que velocidade!
Um abraço e até mais...
A velocidade dos F-5 é menor do que a dos demais jatos e eles não são capazes de fazer pousos em porta-aviões.
Mas é a FAB que está comprando, não a Marinha
A capacidade de pouso em porta-aviões nunca foi quesito da concorrência do F-X.
O jornalista "viajou"
Os F5-BR podem, perfeitamente, equipar três esquadrões e ainda ter alguns como reserva. O que precisaria é a aquisição de mais uns três ou quatro F5-F (biplace) para instrução, após convertê-los ao padrão F5-BR.
Com os mísseis VBR (voando a mach 2 ou 3!) vê-se que as contramedidas eletrônicas, chaft e flare, são tão ou mais importantes que velocidade!
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Cláudio Severino da Silva
jambockrs@gmail.com
Na aviação, só a perfeição é aceitável
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