Gol ganha destaque com a dificuldade das concorrentes

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Gol ganha destaque com a dificuldade das concorrentes

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Balanço Setorial

Gol ganha destaque com a dificuldade das concorrentes

Analistas recomendam compra das ações enquanto aguardam ainda para este ano oferta pública da TAM


Por Felipe Frisch De São Paulo

A perspectiva de saída do mercado de aviação civil de mais uma grande participante, a Varig, anima investidores e analistas com relação aos futuros resultados e aos papéis preferenciais da Gol, estreante da bolsa no ano passado. A demanda por ações do setor, em recuperação nesse ano, é tanta que especialistas já vêem espaço reservado para as ações da TAM, com grandes chances de vir a mercado ainda em 2005.

Uma oportunidade maior ainda nas ações da Gol estaria no fato de os papéis estarem em queda nesse ano, de 2,9% até o dia 15, portanto mais baratos do que no fim de 2004. Contudo, a valorização das ações desde a estréia a R$ 26,57 já é de 46,78%, para R$ 38,80 ao valor de ontem. Em 2004, a Gol praticamente triplicou seu lucro líquido, dos R$ 113 milhões de 2003 para R$ 317,5 milhões. A receita líquida avançou 40%, para R$ 1,96 bilhão.

Um problema para a Gol citado por analistas pode ser justamente a recuperação do setor. A BRA, hoje operadora de vôos charter - que não têm horário fixo e só levantam vôo a partir de um determinado percentual de ocupação - pediu recentemente autorização no Departamento de Aviação Civil (DAC) para funcionar como companhia aérea regular. Ela assumiria o compromisso de novas rotas e horários, mesmo menos rentáveis, mas poderia entrar na Ponte Aérea Rio-São Paulo.

A transformação da BRA em companhia aérea foi uma exigência do DAC após pedido de autorização da BRA para a compra de seis novas aeronaves, para somar às nove atuais. Segundo cálculo da equipe de análise do Banco Brascan, se a BRA já fosse considerada uma empresa aérea regular em 2004, teria apresentado uma participação de 5,3% no mercado nacional. A Gol teve uma fatia de 24,3%, frente a 41,2% da TAM e 31,6% da Varig.

A BRA é vista pelo mercado como uma potencial concorrente direta da Gol por atuar no mesmo segmento, de baixas tarifas - o chamado "low cost, low fare" -, com 45% dos clientes vindos da classe D. A recomendação do Brascan é de compra para os papéis PN da Gol, com preço alvo de R$ 51,42. A Unibanco Research, tem projeção próxima, de cotação justa a R$ 51,90 e recomendação também de compra.

Os programas de milhagens utilizados pelas companhias aéreas também são uma fonte de dificuldades freqüentemente citadas pelos analistas. As companhias com estratégias de tarifas mais baixas, caso da Gol e da BRA, não utilizam esses incentivos e, com isso, estariam de fora da expectativa de perdas que o setor tem mundialmente, caso todos os clientes do sistema decidam utilizar suas milhas.

Já outro ponto negativo para a Gol citado pelos analistas e que pode ainda não ter sido colocado no preço das ações é o futuro custo de manutenção dos aviões. Como a aparelhagem da companhia é nova, os gastos com cuidados técnicos são menores. "No futuro, a empresa terá de aumentar sua receita por passageiro por quilômetro voado, isso porque o seu custo por assento também se elevará", diz um analista.

Ele se refere aos indicadores de receita "Rask" (revenue average per seat kilometer), e de custo "Cask" (cost average per seat kilometer), usados no setor. Segundo ele, empresas em dificuldades acabam tirando aviões de circulação para retirar peças necessárias na manutenção de outros. Já no caso da TAM, os custos de conservação não devem aumentar muito, pois a manutenção pesada já é atividade presente devido ao maior tempo de atuação e idade dos equipamentos. Por isso também, o momento seria oportuno à oferta. "O mercado está demandante", diz.

A TAM não confirma a data em que virá ao mercado, mas quem acompanha a empresa diz que o momento oferece a "janela de oportunidade" esperada desde 1997, quando fundos de investimento passaram a fazer parte do capital da aérea. "A TAM é uma empresa excepcional e já passou do tamanho ideal de um 'private equity' (fundos que investem em empresas fechadas) e é difícil imaginar uma sobrevida da Varig sem uma mudança radical", diz o gestor Gustavo Alcântara, da Mercatto Gestão de Recursos.

A recuperação da Varig ficou ainda mais distante com a sinalização de que o Unibanco teria saído da parceria que visava elaborar um plano de reestruturação. No ano passado, a TAM registrou lucro líquido de R$ 341 milhões, um crescimento de 96,3% em relação a 2003, com aproveitamento de 66% das aeronaves.

Durante 2004, a TAM apresentou o maior índice de eficiência operacional do mercado doméstico, 87,42%, no item que leva em conta regularidade e pontualidade. A companhia é vista pelos analistas como uma forte candidata a assumir as rotas domésticas e principalmente as internacionais da Varig, área em que a Gol estaria dando suas primeiras decolagens.

FONTE: VALOR ONLINE
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