VARIG - Liquidação extra-judicial
Enviado: Ter Mar 15, 2005 19:33
Meus prezados:
O vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, informou ontem que a figura jurídica em estudo para a Varig é a liquidação extrajudicial, "com alguns compromissos, inclusive com a situação dos funcionários e dos aposentados". Alencar é a primeira autoridade a admitir publicamente a liquidação.
"Estamos estudando um processo de blindagem", disse o ministro, confirmando a idéia do governo de facilitar e ajudar a financiar a criação do que ele chamou de uma "nova Varig", depois da liquidação extrajudicial da atual.
Falando por telefone com a Folha, o ministro confirmou que a TAM e a Gol também participam das negociações: "Sendo do ramo, elas poderão ter interesse [na nova Varig], mas só elas podem falar a respeito".
Em tom bem-humorado, mas nitidamente de advertência, Alencar disse: "Eu não vou fazer nada contra ninguém. Se não quiserem [os gestores e funcionários da Varig], nada será feito. Aliás, essa seria a melhor notícia que eu poderia receber: a de que não precisam de nada".
Mico e investimento
Alencar não quis falar de valores, mas, conforme a Folha apurou, o governo está disposto a "micar" débitos de R$ 5 bilhões e a despejar de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para tentar salvar a Varig.
A idéia, desde o início, prevê a liquidação extrajudicial da atual Varig, comandada pela Fundação Rubem Berta, com a criação de uma nova companhia. Agora, o governo exige que essa nova empresa assuma a grande maioria dos atuais 11,5 mil funcionários e o fundo de pensão (e, portanto, os aposentados). Os recursos do BNDES iriam principalmente para cobrir dívidas trabalhistas.
Em contrapartida, a nova empresa -cujo nome mais provável é "Super Varig"- herdaria o leasing de aeronaves, a estrutura dos aeroportos e as concessões de linhas internas e internacionais da atual companhia, consideradas o "filé" do mercado.
Parcerias, acordos e a divisão de linhas estão sendo negociados com a TAM e a Gol, e o governo justifica que as duas entram na operação com um sentido prático e outro político.
O prático: ambas devem assumir mais linhas internacionais acertadas pelo governo brasileiro com os demais governos e distribuídas em regime de concessão às empresas brasileiras. A fatia de mercado delas deve aumentar.
O político: como o governo é o principal credor da Varig, há críticas e temores de que a nova empresa se torne estatal. A participação acionária de empresas privadas contornaria esse problema.
Pressa
Desde sua posse no Ministério da Defesa, no dia 8 de novembro, Alencar dá prioridade à questão da Varig. Ele mesmo explica que é empresário e tem mais vocação nessa área, mas o fato é que houve uma determinação direta do Planalto nesse sentido, porque a situação da Varig está se deteriorando e a da Vasp já é dramática.
A Vasp perdeu condições de aval e de financiamento, está reduzida a cerca de 2% do mercado e pode acabar de uma hora para a outra, numa hora de grande incerteza sobre o futuro da Varig.
A ordem do Planalto, conforme a Folha apurou, é não poupar nem esforços nem recursos para salvar a marca, o maior número de empregos e os direitos dos aposentados. São orientações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, repassadas pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu.
Eliana Cantanhêde, para a Folha de São Paulo.
Um abraço e até mais...
O vice-presidente e ministro da Defesa, José Alencar, informou ontem que a figura jurídica em estudo para a Varig é a liquidação extrajudicial, "com alguns compromissos, inclusive com a situação dos funcionários e dos aposentados". Alencar é a primeira autoridade a admitir publicamente a liquidação.
"Estamos estudando um processo de blindagem", disse o ministro, confirmando a idéia do governo de facilitar e ajudar a financiar a criação do que ele chamou de uma "nova Varig", depois da liquidação extrajudicial da atual.
Falando por telefone com a Folha, o ministro confirmou que a TAM e a Gol também participam das negociações: "Sendo do ramo, elas poderão ter interesse [na nova Varig], mas só elas podem falar a respeito".
Em tom bem-humorado, mas nitidamente de advertência, Alencar disse: "Eu não vou fazer nada contra ninguém. Se não quiserem [os gestores e funcionários da Varig], nada será feito. Aliás, essa seria a melhor notícia que eu poderia receber: a de que não precisam de nada".
Mico e investimento
Alencar não quis falar de valores, mas, conforme a Folha apurou, o governo está disposto a "micar" débitos de R$ 5 bilhões e a despejar de R$ 1 bilhão a R$ 1,5 bilhão do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para tentar salvar a Varig.
A idéia, desde o início, prevê a liquidação extrajudicial da atual Varig, comandada pela Fundação Rubem Berta, com a criação de uma nova companhia. Agora, o governo exige que essa nova empresa assuma a grande maioria dos atuais 11,5 mil funcionários e o fundo de pensão (e, portanto, os aposentados). Os recursos do BNDES iriam principalmente para cobrir dívidas trabalhistas.
Em contrapartida, a nova empresa -cujo nome mais provável é "Super Varig"- herdaria o leasing de aeronaves, a estrutura dos aeroportos e as concessões de linhas internas e internacionais da atual companhia, consideradas o "filé" do mercado.
Parcerias, acordos e a divisão de linhas estão sendo negociados com a TAM e a Gol, e o governo justifica que as duas entram na operação com um sentido prático e outro político.
O prático: ambas devem assumir mais linhas internacionais acertadas pelo governo brasileiro com os demais governos e distribuídas em regime de concessão às empresas brasileiras. A fatia de mercado delas deve aumentar.
O político: como o governo é o principal credor da Varig, há críticas e temores de que a nova empresa se torne estatal. A participação acionária de empresas privadas contornaria esse problema.
Pressa
Desde sua posse no Ministério da Defesa, no dia 8 de novembro, Alencar dá prioridade à questão da Varig. Ele mesmo explica que é empresário e tem mais vocação nessa área, mas o fato é que houve uma determinação direta do Planalto nesse sentido, porque a situação da Varig está se deteriorando e a da Vasp já é dramática.
A Vasp perdeu condições de aval e de financiamento, está reduzida a cerca de 2% do mercado e pode acabar de uma hora para a outra, numa hora de grande incerteza sobre o futuro da Varig.
A ordem do Planalto, conforme a Folha apurou, é não poupar nem esforços nem recursos para salvar a marca, o maior número de empregos e os direitos dos aposentados. São orientações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, repassadas pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu.
Eliana Cantanhêde, para a Folha de São Paulo.
Um abraço e até mais...