Empresa de satélite gravou sinais do avião após seu desaparecimento
Investigação aponta para queda em Oceano Índico, diz CNN
Radares sugerem que mudança de rota de avião foi feita por piloto experiente; suspeita-se que transponder possa ter sido desligado propositalmente
Investigadores americanos consideram hipótese de pirataria
KUALA LUMPUR — Com as buscas do avião da Malaysia Airlines se expandindo pelo Oceano Índico, uma empresa de comunicação por satélites confirmou nesta sexta-feira que gravou sinais eletrônicos da aeronave mesmo depois de ela desaparecer no último sábado, e que os dados — que foram encaminhados às autoridades — podem ajudar a estimar sua localização. A análise já deve fazer as equipes de busca reduzirem o raio de buscas: após o desvio ao leste, o avião teria voado em direção à Baía de Bengala ou ao sudoeste do Oceano Índico, de acordo com fontes da rede CNN.
De acordo com dados eletrônicos e de satélite confidenciais a que a emissora americana teve acesso, o voo 370 pode ter desviado para o oeste e caído em dois locais: o Golfo de Bengala, localizado na parte nordeste do Oceano Índico, ou a sudeste do mesmo oceano, terceiro maior do mundo e com uma profundidade média de 3.900 metros.
A análise de inteligência tem informações suficientes para levar os Estados Unidos a moverem o USS Kidd, um navio guiado antimísseis, para o Oceano Índico, além de fazer com que órgãos oficiais da Índia comecem os esforços de buscas no Golfo de Bengala.
Mais cedo, fontes americanas, com base em informações de radares, reforçaram a teoria de que o Boeing 777-200 teria mudado intencionalmente de rota, num trajeto de coordenadas precisas sugerindo que seria comandado por um piloto experiente. Investigadores americanos, ouvidos sob a condição de anonimato, consideram ainda a hipótese de pirataria aérea.
A informação vinda da Inmarsat pode ajudar a restringir as buscas pela aeronave, que foi ampliada várias vezes e que já atinge milhares de milhas quadradas. A empresa britânica, que fornece sistemas de comunicação para navios e aviões, tinha equipamento a bordo do Boeing, explicou seu vice-presidente David Coiley. O equipamento automaticamente se comunica com satélites, como um celular após atravessar um túnel.
— Isso nos permite determinar onde o avião está em relação ao satélite — explicou Coiley, sem dar detalhes. — Isso nos permite reduzir a posição da aeronave.
Corredor aéreo
A revelação surge em meio a outros sinais de que o voo se desviou para Oeste — e aparentemente de forma deliberada. Uma fonte citada pela agência Reuters, que não teve seu nome identificado, afirma que as investigações abraçam cada vez mais a teoria de que alguém que sabia pilotar desviou o avião centenas de quilômetros da rota prevista de forma intencional.
— Estamos avaliando a possibilidade de sabotagem e sequestro — disse a fonte, um oficial de polícia da Malásia.
Acredita-se que o Boeing 777-200 seguiu um corredor aéreo com pontos de coordenadas bem precisas — o que indica que seus comandos foram executados por alguém com experiência em aviação — quando foi detectado pelos radares do Exército fora da costa noroeste do país.
O último registro sugere que o avião se dirigia às ilhas indianas de Andamã, um arquipélago localizado entre o Mar de Andamã e a Baía de Bengala — para onde os EUA enviaram nesta sexta um navio e um avião para ajudar nas buscas. O fato de que a aeronave tenha sida detectada a noroeste da Malásia fez com que as buscas se estendessem para o Mar de Andamã e o Oceano Índico.
Para uma autoridade dos EUA, que falou sob condição de anonimato, investigadores também consideram a hipótese que alguém causou o desaparecimento do voo, e que pode ter sido “um ato de pirataria”. Segundo a mesma fonte, o transponder parou de funcionar minutos depois de um sistema de mensagens ser desligado. E o avião poderia ter aterrissado em algum lugar.
Outro sistema de comunicação no avião continuou enviando sinal a um satélite por cerca de quatro horas após os controladores de voo perderem o contato — uma indicação de que a aeronave pode ter continuado voando por horas.
Autoridades haviam dito anteriormente que estavam investigando se algum dos membros da tripulação ou passageiro tinha problemas pessoais ou psicológicos que poderia dar pistas sobre o que aconteceu com o voo.
Nesta sexta-feira, especialistas da Universidade de Ciência e Tecnologia da China informaram ter detectado um movimento similar a um terremoto nos mares entre Malásia e Vietnã, que poderia ter sido causado pela a aeronave caso tenha se chocado com o mar. O evento foi registrado em um ponto a 116 quilômetros ao norte de onde ocorreu o último contato com os pilotos do avião.
Seis dias após o desaparecimento, ainda não foram encontrados destroços da aeronave. O voo, que partiu de Kuala Lumpur a Pequim, sumiu no sábado uma hora após a decolagem com 239 pessoas a bordo.
FONTE:
http://oglobo.globo.com/mundo/empresa-d ... o-11879405" onclick="window.open(this.href);return false;