agostinho escreveu:
É verdade, caros Jaime e Chileno,as minhas perguntas parecem ser difíceis para obter respostas e tb é verdade que 12 anos já lá vão que não ponho os pês na terra mãe. Mas, faço estas perguntas porque vivo apreensivo, vejo tanta coisa a correr mal neste país...
Vcs sabem como é qdo se vive fora, até o menor probl que se passa em nossa terra e família, é motivo para estarmos alarmados e eu que gosto tanto da nossa aviação, lógico, organizada.
Bom Agostinho vou tentar responder e ao mesmo tempo ser politicamente correcto;
Primeiro, 50% de Gestão 50% de politica, esta é a realidade de qualquer negocio que tenha grandes barreiras de entrada e grande controlo do estado.
Segundo, os investidores, e a sociedade em geral continuam a achar que um piloto, ou engenheiro aéronautico, é automaticamente um gestor com competencias para gerir um companhia aérea.
Terceiro, os negocios são feitos de frente para tráz, os gestores primeiro "descobrem" que margens querem ter, e em seguida constroem toda a rubrica de custos. Neste contexto acham que qualquer avião, qualquer modelo de operação, qualquer estructura, será rentavél.
Poderia ficar aqui dias e dias a listar os problemas mas uma frase resume-os:
"Não se constroi uma casa começando pelo tecto, mas sim pelas fundações"
A serviceAir tinha uma estructura demasiadamente pesada (Custos salariais altissimos), e ao mesmo tempo muitos cozinheiros na cozinha, pouca harmonia e muita ineficiencia.
Os aviões não serviam para o mercado Angolano. Os taxistas usam Hiaces e tenhem sucesso (Chaves para tal, viatura barata, facil manutenção, uma capacity que se enquadra a demanda, bom valor residual). Os gestores aéronauticos vão comprar, aviões grandes demais para o mercado, com custos de operação altissimos, com custos de manutenção altissimos, e que mais ninguém quer.

. Se somar a isso tudo uma falta de rigor de gestão, acaba com uma torneira de despesas com um caudal incrivel e uma torneira de receitas a conta gotas. Rapidamente surjem as dificuldades de tesouraria, e a falta de liquidez, terminando numa falência Administrativa.
Eu sei que parece facil falar, contudo, temos de ser honestos e reconhecer quando não temos capacidade para levar o navio a bom porto.
Já aqui falei e a pergunta foi ao Chileno 777; O têma era a re-certificação. Algumas cias aqui em Angola estão a atravessar grandes dificuldades para cumprir com o processo, o que poderá causar mais algumas vitimas até ao final do ano se o INAVIC apertar o cerco.
A moral da historia caro Agostinho é que a aviação tem um "glamour" que atrai muita gente. Contudo gerir um negocio aéronautico seja ele qual for não é para quem quer, mas sim para quem pode, quem entende do negocio e entende de gestão.
