Fumaceiro, à medida em que lia esse tópico, estava pensando exatamente nesse acidente que foi relativamente próximo de mim por razões que não vem ao caso agora, aí ví que seu link levava à uma narrativa do mesmo (ainda que seja uma narrativa mais "dramatizada").
O acidente na verdade foi causado pela forma inadequada que a tripulação buscou atingir o teto operacional do CRJ, utilizando-se do "VS" hold do MCP (pratica comum dessa e muitas outras companhias), selecionando 500pés por minuto já na última fase da subida, porém descuidando da velocidade indicada, que chegou a baixar a 160Kt indicados nessa fase - extremamente inadequado para a subida de um jato e bem para o lado de trás da curva de potência.
O piloto automático é "burro" nesse sentido e buscava manter os 500 pés por minuto aumentando o ângulo de ataque, quando na verdade em condições ideais de velocidade a aeronave só teria condições de subir uns 300 pés por minuto nessa altitude.
Quando finalmente chegaram ao FL410, estavam com grande ângulo de ataque, comprometendo a admissão dos motores devido ao ângulo acentuado do vento relativo.
O resultado é que a aeronave não conseguiu acelerar após o nivelamento, mas pior, continuou à perder velocidade, gerando um estol em curva pela esquerda, seguido do "Flame-out" (apagamento) se não estou enganado do motor esquerdo primeiro, seguido do motor direito.
Seguiu-se, claro uma descida de emergência, onde a tripulação por medo de consequencias profissionais declarou a perda de apenas um motor, enquanto tentava seguir os procedimentos de reacendimento em vôo.
Quando chegaram de volta na faixa dos 30.000 pés, onde já podiam acelerar para 300Kt indicados (necessário para o reacendimento em vôo sem utilizar a "partida"), a tripulação falhou e nunca passou dos 240kt indicados, insuficientes para girar os rotores em cata-vento.
Conseguiram então dar a partida no APU e com isso ganharam novamente o "motor de partida" (ar comprimido) porém devido à um problema no desenho desses motores, os mesmos não voltariam a girar.
A tripulação mais uma vez falhou em aproar um aerodromo enquanto ainda estavam altos e quando finalmente pediram vetores para a pista mais próxima, já tinham pouca altura e acabaram por colidir com o solo à 2 milhas da cabeceira, o que à noite é quase sempre fatal (como foi de fato).
Foram, se não estou enganado, quase 15 minutos de vôo em descida onde poderiam haver pousado em cerca de 8 pistas (alcançe de vôo planado), no entando só nos últimos 3 minutos pediram vetores e já não foi mais suficiente.
A raiz do problema, está no fato de não haverem optado por manter uma velocidade adequada na subida (coisa de Mach 0.72) ao invés de optarem pelo modo "VS". Tivessem mantido velocidade elevada, aceitando uma razão de subida baixa, a aeronave teria atingido e mantido com sucesso o FL410, acelerando para a velocidade normal de cruzeiro, já que a aeronave se encontrava vazia (era um vôo de translado).
No entanto, como resultado, todos os operadores de CRJ no mundo passaram a proibir suas tripulações de subirem além do FL370 já que a margem de erro daí para cima fica muito pequena, dentro do envelope de vôo do CRJ.