Sidestick x Manche: "A Batalha"

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Anonymous

Sidestick x Manche: "A Batalha"

Mensagem por Anonymous »

Participantes do AeroFórum

Como falei em outro tópico, estou postando um tópico sobre os dois meios de comando mais utilizados nas aeronaves.

Apesar da brincadeira no título, isso não é uma batalha! Gostaria de uma troca de opiniões com argumentos e bem balizada. Vamos evitar argumentos muito subjetivos como "prefiro este porque eu acho mais bonito" ou algo assim. Busquemos um embasamento sólido, técnico e profissional.

Isto também não uma guerra Airbus x Boeing. Vamos deixar isso de lado, por favor! Imaginem que é o sidestick do F-16 e o manche Hércules!

Portanto, com tudo isso em mente, vamos trocar idéias sobre o assunto civilizadamente e alicerçadamente.

Algumas características de ambos:

1. Sidestick:
1.1. Prós
- Desobstrui fisicamente o espaço à frente dos pilotos;
- Desobstrui a visão dos instrumentos;
- Ocupa menos espaço;
- Permite o uso da mesinha à frente da poltrona.
- Absorve o conceito "uma mão no controle e a outra no motor";
- É perfeito para o conceito Fly-By-Wire, pois neste não é necessário o uso da força humana nos comandos.
1.2. Contras
- Pequena amplitude movimento;
- Em muitos casos, não se movem com o piloto automático acionado, ou seja, a informação da posição é dada somente pelas telas;
- Não permite voar com as duas mãos nas ocasiões onde uma das mãos não precisa estar nas manetes;
- Necessita de uma adaptação (não complexa) dos pilotos que vêm de aeronaves com manche.

2. Manche
2.1. Prós
- Grande amplitude de movimento;
- Em muitos casos, move-se conforme as superfícies de comando, mesmo com o piloto automático acionado, dando uma informação tátil aos pilotos da situação, não somente visual;
- Permite voar com as duas mãos nas ocasiões onde uma das mãos não precisa estar nas manetes;
- Cerca de 90% dos pilotos vêm de aeronaves com esse meio de comando, ou seja, dispesam a adapatação (mesmo essa não sendo complicada);
- Permite colocar as cartas na frente do piloto;
- Possibilita grande uso da força humana (se naõ for Fly-By-Wire).
2.2. Contras
- Obstrui o espaço à frente dos pilotos;
- Muitas vezes obstrui a visão de alguns instrumentos;
- Ocupa mais espaço;
- Para as refeições, por exemplo, obriga o piloto a recuar a poltrona e utilizar uma "base" para a bandeja. Isso também impede o movimento amplo do manche;
- Na maioria das situações, o lado interno não é utilizado, pois uma das mãos está manete;
- No conceito Fly-By-Wire, a possibilidade de uso da força humana proporcionada por ele é inútil.

Eu somente voei aeronaves com stick tipo "porrete", no caso o Aero Boero AB115. Todos os demais eram de manche convencional. Mas, pelo exposto acima, quando o conceito Fly-By-Wire está presente na aeronave, prefiro o sidestick. Quando for mecânico ou hidráulico, prefiro o manche.

Saudações

Caravelle
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Constellation
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Side stick

Mensagem por Constellation »

Caro Caravelle,

Eu considero o side stick melhor, pois é bem confortável e ergonômico (embora hoje em dia o piloto mal coloque a mão em qualquer um deles).

Já pilotei muito avião (zinho) com manche convencional (e sem piloto automático), como o Skylane e o Bonanza, e é cansativo a beça, os sticks cansam menos, ainda que sejam de Aero Boero ou de Ipanema.

Os side stick do Airbus necessitam de um certo esforço físico para serem acionados, pois existe um sistema de sensibilidade artificial para que o piloto "sinta" que está no comando de uma aeronave, e não de um simples computador.

Um abraço.
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stratocaster
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Mensagem por stratocaster »

Caravelle, no dia que você “vestir” uma aeronave, como um 727, por exemplo, como se estivesse dirigindo um carro esporte, você certamente chegará à conclusão que um avião que foi feito para ser voado na mão jamais combinará com um sidestick. Como poucos aviões definem essa capacidade de integração entre a sensibilidade humana e a máquina, tratando-se de aeronaves comercias a jato de grande porte, então, com a atual geração de aviões, tanto faz se há sidestick ou manche tradicional, já que sempre voaremos em cima do automatismo, de uma certa forma.
Quanto à obstrução do campo visual com o manche, vale notar que a geração mais moderna de aeronaves, como o 777, é pouco afetada pelo posicionamento do manche.
A respeito da refeição na cabine, se for observado o que é recomendado, um dos pilotos sempre estará posicionado para assumir o comando da aeronave, enquanto o outro está mais recuado. É óbvio que isso nem sempre acontece. Porém, fico imaginando qual é o procedimento aplicado para evitar derramamento de líquido ou respingo de alimentos nos DU’s da família Airbus, principalmente no caso de uma turbulência repentina.
Um aspecto que você não citou é o prazer de conduzir um avião. Levá-lo nas pontas dos dedos, como numa aproximação na qual um piloto configura o avião e faz uma trimagem imperceptível para a velocidade e atitude desejadas, além de eventualmente posicionar as manetes de potência para o ponto que de fato a circunstância do vôo impõe - sem mais, nem menos, sem sobressaltos, trancos, “G’s”, etc – é uma sensação que nenhum engenheiro é capaz de determinar, mesmo incorporando todo tipo de sensibilidade artificial que as novas gerações possuem.

Constellation, não é nada pessoal, mas fazer qualquer comparação com o prazer de pilotagem de um Bonanza ou de um C182, dois exemplos fantásticos de grandes projetos de aeronaves, com um Aeroboero, mesmo no tocante à coluna do manche e voando por longas e longas horas, é impensável.

Sds a todos.
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Constellation
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Ergonomia dos aviões

Mensagem por Constellation »

Caro Stratocaster,

Mesmo fantásticos projetos como o Cessna 182 e o Beech Bonanza não são perfeitos, e o Aero Boero é mesmo uma tralha em termos de ergonomia, com assentos não reguláveis, pedais horríveis, alavanca de flap em posição esquisita, e outras mazelas.

Mas a disposição do manche antigo do Bonanza, com aquele tubo central, é bastante ruim, assim como a disposição das manetes. Também não gosto das manetes do C-182, prefiro as dos Piper (embora o manche dos Piper oculte o Manifold Pressure e outros instrumentos). Outro exemplo é o Beech Baron (antigo, como a maioria que a gente pilota por aí...), com aquele grupo de manetes no painel, despadronizado e exdrúxulo. Não é porque é um show de avião que não tenha defeito....

Vale dizer que tanto o Bonanza quanto o Cessna 182 são dois dos meus aviões favoritos.

Realmente, conduzir um Boeing 727 "na mão" não tem muito a ver com a pilotagem de um jato moderno, tipo A320 ou B777. é prazeroso, mas não é fácil, assim como um carro esporte. Segurar o nível 350 na mão em um 727 é uma experiência, no mínimo, interessante. Pergunte a quem voa.

Eu conheço vários pilotos que voaram 727 na Varig, Vasp e na LAB, que voam Airbus hoje. Nenhum tem saudade de operar o velho dois-setão, no dia-a-dia da empresa. Se for de vez em quando, só para curtir, beleza, mas não fazendo órbita no meio da CBzada, na "prateleira", em aproximações nos mínimos, chuva à noite, etc. Infelizmente, só alguns felizardos, como o John Travolta, podem se dar ao luxo de voar um Boeing só para curtir.

Avião é como mulher: a gente logo se apaixona pela máquina que tem na mão no momento. Já vi muito piloto criticando asperamente o Airbus, antes de operá-lo, e depois mudar de opinião e se apaixonar pelo bicho.

Acho que na vida as coisas são assim mesmo. Tem muito de gosto pessoal também. O que seria das morenas se todos gostassem das loiras? E o que seria dos Boeing se todos gostassem dos Airbus?´Conta muito o emocional, não acha.

Um abraço.
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Spetsnaz
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Mensagem por Spetsnaz »

1.2. Contras
- Pequena amplitude movimento;


Como assim amplitude?? se for no movimento da aeronave... isso é bem relativo.. no Airbus se você estiver no DirectLaw vc vai ter todo o movimento desejado.. caso contrario vc terá o movimento q o avião aguenta.. mto mais segurança... agora se você estiver em um F-16 ou em um Sukhoi Su-35 que também possuem side stick a amplitude de movimento é gigantesca.. alias o Su-35 é o caça mais manobravel do mundo com e tem side stick

- Em muitos casos, não se movem com o piloto automático acionado, ou seja, a informação da posição é dada somente pelas telas;

Em nenhum caso pelo menos que eu conheça.. o side stick não se move.. pois é Fly By Wire não tem como se mexer não tem cabos atuando.. isso é a unica critica real ao Fly By Wire.. aonde o piloto não consegue sentir oq o piloto automatico está fazendo pelo manche... ele tem q olhar para o MFD... 2 seg olhando vc descobre.. nada de mais.. nada que o costume não faça se acostumar a olhar..


- Não permite voar com as duas mãos nas ocasiões onde uma das mãos não precisa estar nas manetes;

Pra q q vc iria querer voar com as duas mãos no manche? qual seria a vantagem disso? alias c vc está utilizando o side stick ou manche... vc vai ter que estar com a mão nas manetes.. isso é coisa básica que aprende voando nos paulistinhas da vida... quase sempre as duas mãos vão estar ocupadas... a real necessidade de ter que estar com as duas mãos no manche seria em caso de pane hidraulica ou alguma outra necessidade de ter que fazer uma força extrema a ponto de ter que apoiar os pés nas barras do painel ... no caso do Side Stick não existe como fazer força .. pois o sistem que vai fazer a força vc só comanda ... alias quem já teve o prazer de dar uma pilotadinha no Airbus (Real ou Simulador CAE) sabe que o Side Stick ao contrario doq muitos pensam não é mole.. é bem duro.. vc tem uma sensação virtual por impulsos elétricos.. q alias depois que o piloto acostuma ao side stick o vôo fica muito mais preciso.


- Necessita de uma adaptação (não complexa) dos pilotos que vêm de aeronaves com manche.

É uma adaptação de horas se não minutos... e como eu citei acima: depois que o piloto acostuma ao side stick o vôo fica muito mais preciso.



Em suma na minha opinião.. a única desvantagem real do Side Stick é essa:


- Em muitos casos, não se movem com o piloto automático acionado, ou seja, a informação da posição é dada somente pelas telas;

Em nenhum caso pelo menos que eu conheça.. o side stick não se move.. pois é Fly By Wire não tem como se mexer não tem cabos atuando.. isso é a unica critica real ao Fly By Wire.. aonde o piloto não consegue sentir oq o piloto automatico está fazendo pelo manche... ele tem q olhar para o MFD... 2 seg olhando vc descobre.. nada de mais.. nada que o costume não faça se acostumar a olhar..


E mesmo assim é só acostumar a olhar pro painel.. não vai cair o olho nem quebrar o pescoço fazer isso..
Spetsnaz
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Mensagem por Spetsnaz »

Eu particularmente só vejo vantagens no Side Stick.. e no Fly By Wire..



Airbus

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F-16

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Su-35

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Boeing 737

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Um avião que o Manche atrapalha MUITO a visibilidade dos instrumentos é o ATR... atrapalha D+
stratocaster
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Mensagem por stratocaster »

Constellation, boa noite
Quando fiz aquele comentário sobre o Bonanza e o C182 x AB eu apenas quis salientar a disparidade entre as aeronaves, mesmo se limitássemos a pilotagem quanto à utilização de manche e aquilo que aquela aberração aeronáutica do AB (minha sincera opinião, desculpe-me) tem para mantê-lo voando. Quanto à ergonomia, concordo plenamente com você que algumas soluções dos projetistas da Beech, por exemplo, são no mínimo discutíveis. A respeito do tema do tópico, o meu ponto de vista é com relação a certos momentos do vôo, digamos, os mais cruciais, como a decolagem, subida, aproximação e pouso em vôo manual e de preferência sem F/D, A/T, auto-trim ou qualquer recurso salva-guarda da geração de pilotos video-game. O vôo de cruzeiro manual, principalmente em grandes altitudes, certamente será maçante, ou muitas vezes desconfortável, em qualquer aeronave, assim como dirigir por longas horas um BMW, e obviamente nem passou pela minha cabeça manter uma aeronave na mão em condições meteorológicas adversas, como no meio de uma região de trovoadas. Aí não há espaço nem para manche ou sidestick.
Acho válido o debate e a divergência de opiniões e não tenho a pretensão de denegrir a filosofia da Airbus a respeito do uso de comando diferenciado em relação aos demais fabricantes.
Qualquer dia me dê uma carona num Bonanza ou num C182. Há um bom tempo que não faço um vôo nessas máquinas.
Um abraço,
stratoc
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