Santa Maria, 19 de novembro de 2005. Edição nº 1075

Mesmo sem nunca ter andado de avião, Juanei Cielo é apaixonado por eles. O marceneiro já fez 30 réplicas de aeronaves militares (foto Lauro Alves, Banco de Dados/Diário – 15/11/2005)
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Gente
Nem o céu é o limite para Juanei
Marceneiro é craque em fazer réplicas de aviões. Mas nunca voou de verdade
IARA LEMOS-----------------------------------------------
Inspirado por um extenso campo verde, que serve de uma espécie de pista de pouso, o marceneiro Juanei Cielo, 22 anos, tira de dentro de casa suas relíquias e as faz voar. Um vôo rasante, com a velocidade imprimida pelos braços do marceneiro. Zum, zum, zum... O som que corta os campos do interior de Silveira Martins também é produção de Juanei, que não esquece nenhum detalhe na hora de mostrar suas aeronaves. São réplicas de caças AMX, Sukhois, helicópteros e outras aeronaves que, nas mãos do marceneiro, voam como se fossem de verdade.
- Aqui, eu tenho avião de todo o mundo. Mas os que eu gosto mais são o Sukhoi e o AMX. Eles são mais bonitos - afirma ele, cujo sobrenome significa céu em espanhol.
A paixão de Juanei por aviões começou aos oito anos, quando ele saiu de Vila Catani, no interior de Silveira Martins, para visitar a Expoaer, na Base Aérea de Santa Maria. Ao chegar perto de um avião, ele teve a inspiração: fazer réplicas das aeronaves com pedaços de madeira.
A primeira delas, empoeirada em um canto do galpão, em nada se parece com as aeronaves feitas hoje. A madeira continua sendo o principal material. Mas, agora, Juanei se tornou um especialista na produção de réplicas. Tudo sem fazer aulas ou projetos. Apenas olhando nas revistas.
- Não tem técnica nenhuma. Eu olho na revista, imagino o tamanho e corto a madeira - conta Juanei, que já tem mais de 30 réplicas em casa.
As aeronaves de madeiras estão em todos os lugares: na sala, no quarto, na varanda, no galpão. Os pais de Juanei (Danilo, 66 anos, e Dalvina, 63) até construíram prateleiras para guardar as relíquias do filhoa.
- Ele (Juanei) é tão louco por avião que, se passa um e ele está almoçando, deixa o prato de lado e sai correndo para ver. É a alegria dele - conta a mãe do rapaz.
O amor pelas réplicas é tanto que Juanei não se anima a vendê-las. Mas aceita negociar uma encomenda. A única que saiu de casa foi feita especialmente para o seu primo, que é aviador. Outra, que o marceneiro havia dado de presente para um sobrinho, acabou voltando.
- Ele quebrou e eu peguei de volta. Não gosto de ver aviões quebrados - afirma Juanei.
Réplicas são feitas depois do trabalho
É depois que chega do trabalho, no final da tarde, que o marceneiro se dedica a sua grande paixão. No galpão ao lado da casa, Juanei tem tudo que precisa: furadeira, lixa, martelo, pregos, massa corrida e tinta para camuflar os aviões.
Garrafas pet são usadas para fazer a cabina, que tem todos os detalhes de uma aeronave de verdade: tanque de combustível, míssil, portas e tudo mais. Cada réplica chega a demorar dois meses para ficar pronta. Enquanto monta os pequenos aviões, Juanei sonha com o dia em que poderá andar em um de verdade pela primeira vez.
- Meu maior sonho é andar de avião. Não sei como, mas é tudo que eu quero - revela.

Juanei mostra sua produção
Foto: Lauro Alves, Banco de Dados/Diário - 16/11/2005
Aeropaixão
Contato -------------------------------------
- O marceneiro Juanei Cielo, 22 anos, começou a gostar de avião aos oito anos, quando visitou a Expoaer, em Santa Maria. Ele mora em Silveira Martins
- Apesar de nunca ter feito curso ou aula, passou a fazer réplicas de madeira de aeronaves que aparecem em revistas
- Os modelos produzidos são caças AMX, Sukhois, helicópteros e outras aeronaves
- O material usado inclui furadeira, lixa, martelo, garrafas pet, pregos, massa corrida e tinta para camuflagem
- As réplicas demoram até dois meses para ficar prontas. É por causa dos detalhes: tanque de combustível, mísseis e portas, entre outros
(55) 3224-1346 A partir das 19h

Ele tem mais de 30 modelos e não vende nenhum, mas aceita encomendas
Foto: Lauro Alves, Banco de Dados/Diário - 16/11/2005
