Página 1 de 1

Infraero, BB e BR podem apresentar plano próprio para salvar

Enviado: Ter Out 18, 2005 22:46
por Marcelo Areias
Infraero, BB e BR podem apresentar plano próprio para salvar Varig
PATRÍCIA ZIMMERMANN
da Folha Online, em Brasília

Os credores públicos federais da Varig (Infraero, Banco do Brasil e BR Distribuidora) poderão apresentar uma solução alternativa às propostas de recuperação judicial que foram apresentadas pelos trabalhadores da empresa, pelos atuais gestores e pela companhia Docas, representada pelo empresário Nelson Tanure.

O presidente em exercício, José Alencar, admitiu hoje que "as propostas poderão ser complementares", ou seja, um misto do que já foi apresentado até agora. Segundo ele, os credores estatais deverão fazer novas reuniões durante o dia de hoje para analisar as propostas que serão colocadas em votação amanhã, na assembléia de credores, dentro do cronograma de recuperação judicial da empresa.

"O que está claro é o objetivo de buscar salvar a companhia", disse o ministro Luiz Marinho (Trabalho), após a reunião no Planalto, que contou também com a participação de representantes dos credores, além do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Murilo Portugal, do DAC (Departamento de Aviação Civil) e do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).

O ministro também confirmou que um outro plano pode ser construído, a partir da análise dos que já estão a disposição. "Pode aparecer inclusive a junção de planos", disse.

O empresário Nelson Tanure, autor de uma das propostas de recuperação da empresa, também esteve com Alencar ontem à noite e hoje, mas não falou com a imprensa. Representantes dos trabalhadores também participaram de parte da reunião.

Ajuda financeira

Alencar evitou tratar da recuperação da empresa como uma discussão do governo. Segundo ele, o assunto "está rolando no Judiciário".

Questionado sobre a possibilidade de aporte de recursos do BNDES para recuperar a companhia aérea, Alencar chegou a dizer que "não há ninguém postulando isso". Ele disse que a presença do BNDES na reunião sobre a Varig estaria relacionada à experiência que a instituição tem com relações societárias. "O governo tem que estar atento ao que está acontecendo, porque, sem estatização da companhia, o governo, se puder colaborar para uma solução que salve a companhia, o governo vai colaborar", disse.

Depois ele admitiu a possibilidade de participação financeira do governo se houver garantia absoluta. "O governo, através dos seus órgãos de financiamento, só faz [aporte financeiro] com garantia absoluta. Se houver garantir absoluta, se houver uma proposta, ele [governo] pode, por que não?", disse Alencar.

Segundo Luiz Marinho, a possível participação do BNDES no processo de recuperação da empresa só irá ocorrer se o plano escolhido tiver "consistência técnica".

A presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino, avaliou hoje que o governo está em "xeque", pois sempre defendeu uma solução de mercado para a empresa e agora tem que avaliar se as soluções de mercado propostas têm consistência para manter a companhia voando e saldar as suas dívidas.

Para os trabalhadores, a proposta dos atuais gestores deveria ser descartada, porque prevê demissões e a venda de ativos (Varig Log).