VARIG entrega plano anticrise à Justiça
Enviado: Seg Set 12, 2005 09:43
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Varig entrega plano anticrise à Justiça
Proposta em estudo prevê demissões e renegociação de dívidas
Às 10h desta segunda-feira, quando os administradores da Varig entregarem o plano de recuperação judicial no Palácio da Justiça do Rio de Janeiro, começa a ser escrito um capítulo inédito da história da aviação comercial brasileira.
Apresentado no sábado ao Conselho de Curadores da Fundação Ruben Berta (FRB), controladora da Varig, o plano será detalhado hoje pela direção da companhia. Inclui a renegociação da dívida com os credores da empresa e cortes no quadro de funcionários da empresa, que hoje emprega 17 mil pessoas.
Até dezembro, os cerca de 20 mil credores da companhia e a 8ª Vara Empresarial do Rio se manifestarão a respeito do plano. Desse processo, pode resultar a solução para a crise financeira ou o encerramento das operações da aérea. O plano, projetam analistas, deve prever a capitalização da empresa, realizada por meio da transferência de controle, hoje com a Fundação Ruben Berta, detentora de 87% das ações, a um ou mais investidores.
A fusão com outra companhia aérea estaria entre as propostas. A TAP, com a qual executivos da companhia conversam desde antes do início da recuperação judicial, informou à imprensa portuguesa que pretende primeiro conhecer o plano para depois se posicionar a respeito.
Venda de empresa de cargas ainda depende de aprovação
Com objetivo de garantir as operações da Varig nos próximos meses, a empresa acertou a venda de sua subsidiária de logística, a VarigLog, ao fundo norte-americano MatlinPatterson, por US$ 38 milhões (mas, que, com empréstimos e adiantamento de recebíveis, pode garantir quase US$ 100 milhões no curto prazo à companhia).
O negócio foi aprovado na sexta-feira em assembléia de acionistas, mas ainda precisa do aval do colégio deliberante da Fundação Ruben Berta e da própria Justiça.
Entenda o caso
O que acontecerá nos próximos meses:
> No próximo dia 24, ocorre a reunião dos credores da companhia aérea, que devem dar seu aval a uma das propostas apresentadas.
> Os credores estão divididos em três classes: trabalhadores, credores com garantia real (credores bancários e as instituições financeiras) e outros.
> O plano será considerado aprovado se obtiver posicionamento favorável das três classes (por maioria, não unanimidade). Contudo, na hipótese de apenas duas classes se posicionarem a favor, o plano será submetido à apreciação do juiz competente, o qual, respeitadas algumas condições, poderá considerá-lo aprovado.
> São cerca de 20 mil credores. Em valores, o maior credor é o governo (impostos e dívidas com estatais). Numericamente, os trabalhadores são donos da maior fatia (cerca de 19 mil).
> Até dezembro, o processo tem de estar concluído.
As propostas
> Até agora, dois interessados em comprar a Varig apresentaram ofertas à Justiça do Rio: o empresário Nelson Tanure e o agente Jaime Toscano, que diz representar um grupo de investidores espanhóis, portugueses e italianos. São grupos que apresentaram propostas à antiga direção da aérea, mas que foram preteridos e afastados das negociações assim que surgiu a proposta da estatal portuguesa TAP.
> Porém, analistas apontam que o interesse do fundo MatlinPatterson não se limitaria à VarigLog, mas em uma participação, mesmo que sem o controle, na companhia aérea. Para esses analistas, as principais pistas estão na proposta de compra da VarigLog apresentada pelos administradores.
> No documento, que explica a venda da VarigLog ao MatlinPatterson, são enumeradas instituições que "mantiveram contato" com representantes do Banco UBS, que auxilia a empresa no plano de recuperação judicial. São eles (excluído o MatlinPatterson, o único que "apresentou proposta concreta"): Silver Point/Mellon, Goldman Sachs, Sunburns, Ângelo Gordon & Co, Fortress, Dunn Capital e TAP/JP Morgan.
> O MatlinPatterson vai pagar US$ 38 milhões pela VarigLog. Com a antecipação de recebíveis, a injeção de capital imediata na Varig chegaria aos US$ 100 milhões no curto prazo.
Fonte: Zero Hora 12 set 2005
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambock@brturbo.com.br
Varig entrega plano anticrise à Justiça
Proposta em estudo prevê demissões e renegociação de dívidas
Às 10h desta segunda-feira, quando os administradores da Varig entregarem o plano de recuperação judicial no Palácio da Justiça do Rio de Janeiro, começa a ser escrito um capítulo inédito da história da aviação comercial brasileira.
Apresentado no sábado ao Conselho de Curadores da Fundação Ruben Berta (FRB), controladora da Varig, o plano será detalhado hoje pela direção da companhia. Inclui a renegociação da dívida com os credores da empresa e cortes no quadro de funcionários da empresa, que hoje emprega 17 mil pessoas.
Até dezembro, os cerca de 20 mil credores da companhia e a 8ª Vara Empresarial do Rio se manifestarão a respeito do plano. Desse processo, pode resultar a solução para a crise financeira ou o encerramento das operações da aérea. O plano, projetam analistas, deve prever a capitalização da empresa, realizada por meio da transferência de controle, hoje com a Fundação Ruben Berta, detentora de 87% das ações, a um ou mais investidores.
A fusão com outra companhia aérea estaria entre as propostas. A TAP, com a qual executivos da companhia conversam desde antes do início da recuperação judicial, informou à imprensa portuguesa que pretende primeiro conhecer o plano para depois se posicionar a respeito.
Venda de empresa de cargas ainda depende de aprovação
Com objetivo de garantir as operações da Varig nos próximos meses, a empresa acertou a venda de sua subsidiária de logística, a VarigLog, ao fundo norte-americano MatlinPatterson, por US$ 38 milhões (mas, que, com empréstimos e adiantamento de recebíveis, pode garantir quase US$ 100 milhões no curto prazo à companhia).
O negócio foi aprovado na sexta-feira em assembléia de acionistas, mas ainda precisa do aval do colégio deliberante da Fundação Ruben Berta e da própria Justiça.
Entenda o caso
O que acontecerá nos próximos meses:
> No próximo dia 24, ocorre a reunião dos credores da companhia aérea, que devem dar seu aval a uma das propostas apresentadas.
> Os credores estão divididos em três classes: trabalhadores, credores com garantia real (credores bancários e as instituições financeiras) e outros.
> O plano será considerado aprovado se obtiver posicionamento favorável das três classes (por maioria, não unanimidade). Contudo, na hipótese de apenas duas classes se posicionarem a favor, o plano será submetido à apreciação do juiz competente, o qual, respeitadas algumas condições, poderá considerá-lo aprovado.
> São cerca de 20 mil credores. Em valores, o maior credor é o governo (impostos e dívidas com estatais). Numericamente, os trabalhadores são donos da maior fatia (cerca de 19 mil).
> Até dezembro, o processo tem de estar concluído.
As propostas
> Até agora, dois interessados em comprar a Varig apresentaram ofertas à Justiça do Rio: o empresário Nelson Tanure e o agente Jaime Toscano, que diz representar um grupo de investidores espanhóis, portugueses e italianos. São grupos que apresentaram propostas à antiga direção da aérea, mas que foram preteridos e afastados das negociações assim que surgiu a proposta da estatal portuguesa TAP.
> Porém, analistas apontam que o interesse do fundo MatlinPatterson não se limitaria à VarigLog, mas em uma participação, mesmo que sem o controle, na companhia aérea. Para esses analistas, as principais pistas estão na proposta de compra da VarigLog apresentada pelos administradores.
> No documento, que explica a venda da VarigLog ao MatlinPatterson, são enumeradas instituições que "mantiveram contato" com representantes do Banco UBS, que auxilia a empresa no plano de recuperação judicial. São eles (excluído o MatlinPatterson, o único que "apresentou proposta concreta"): Silver Point/Mellon, Goldman Sachs, Sunburns, Ângelo Gordon & Co, Fortress, Dunn Capital e TAP/JP Morgan.
> O MatlinPatterson vai pagar US$ 38 milhões pela VarigLog. Com a antecipação de recebíveis, a injeção de capital imediata na Varig chegaria aos US$ 100 milhões no curto prazo.
Fonte: Zero Hora 12 set 2005
Um abraço e até mais...
Cláudio Severino da Silva
jambock@brturbo.com.br