Hércules na FAB: proezas do avião e da tripulação
Enviado: Qua Ago 31, 2005 23:01
Meus prezados:
Eis três "causos" que retratam fielmente a grande capacidade de improviso das tripulações dos C-130 da FAB e o elevado espírito de responsabilidade, no sentido de que "a missão tem que ser cumprida!" .
-x-x-x-x-x-x-
Desafio interessante enfrentou o Raposo (Aldir Raposo Martins) para conseguir levar um Ônibus Escolar para Fernando de Noronha.
O embarque em Recife foi uma epopéia: quando o ônibus começava a subir na rampa, a frente de seu teto batia no teto do C-130;
solução 1 - esvasiar os pneus! Não foi suficiente. solução 2 - arriar o feixe de molas! Ainda não deu. solução 3 - tirar os pneus dos aros e passar uma camada de borracha, ficando igual às rodas de empilhadeiras! Quase... solução 4 - encher o ônibus de soldados até que a parte da frente livrasse o teto do avião e daí por diante, suspender a traseira do ônibus... finalmente entrou. A saída ninguém se aventurava a fazer um prognóstico que fosse.
Em Noronha parecia que o desembarque seria "mamão com açúcar" pois havia uma carreta da mesma altura da rampa do GORDO! O comprimento da carreta (fora o cavalo mecânico) era maior que o ônibus, que beleza...
Operação em marcha e o montruoso veículo começa a deslizar por sobre a carreta! Mas, na metade do caminho empacou. Nem para frente nem para trás. Foi quando o Raposo, muito inspirado, notou que o centro de gravidade do ônibus já estava sobre a carreta. Concluiu: se o ônibus não sai do avião, o avião vai sair do ônibus!
Deu a partida e ,com muita cautela, taxiou a máquina resolvendo o grande problema.
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Aprendi com o Cúrcio Filho que se o C-130 fosse feito para transportar passageiros, seria fino e comprido! Mas, às vezes, nem sendo aquele enorme caixote, é fácil acomodar determinadas cargas pesadas.
O Esquadrão foi designado para transportar o 5° BEC de Gravataí para Santarém. Coube-me em uma das pernas levar um trator D-8. O monstro nunca havia sido carregado no Gordo! Pesava 25 toneladas e o máximo permissível era 20!
Nos contatos com a Unidade do Exército, afirmaram que seria possível "aliviar" as 5 toneladas excedentes. Acreditamos. Retiraram o garfo, a lâmina, a esteira, cabine e outros pedaços - dizendo que pesavam as 5 toneladas!
Bem, o embarque foi um sufoco: pranchas e mais pranchas para que o trator pudesse se movimentar só com as rodas! Espaço não sobrava para lado nenhum, mas o brutamontes subiu. Agora, como fazer o balanceamento? Simples - era só fazer coincidir o centro de gravidade do trator com o do avião! Mas quem saberia onde era o do trator? Ninguém, é claro. Ainda bem que o nosso "Loadmaster" era um "Master Marietta" (antigo tripulante que fizera o curso do avião ainda na fábrica). Com toda sua experiência, deu uma olhada na porta da tripulação que já estava quase encostada no chão e vaticinou peremptoriamente:
"Sempre conferi a distância da porta ao chão, tem que dar para passar a ponta da minha bota! Esta está quase encostada... cheguem o trator um pouco para trás."
Sua instrução obedecida, bastou afastar alguns centímetros a grande máquina e a porta subiu o suficiente para seu pé poder passar por baixo! Estava feito o balanceamento. A decolagem gastou toda a pista, mas dentro do que calculamos nos gráficos. O balanceamento fora perfeito. A viagem era à noite para aproveitarmos o frio, porque teríamos que pousar em Brasília de madrugada e decolar em seguida, senão o comprimento da pista não seria suficiente, mas o balanceamento...
-x-x-x-x-x-x-
Ainda no tempo dos "Master Marietta" um C-130 foi buscar na América um Simulador de Vôo de 737 da VASP. A embalagem era um caixote de madeira do tipo 3X3, ou seja praticamente do tamanho do compartimento de carga do GORDO. Para que o caixote deslizasse no piso havia roletes, não seria problema, mas nas laterais o espaço era muito reduzido e se encostasse poderia causar dificuldades e emperrar.
Dito e feito: ao ser empurrado o enorme caixote pesado a madeira cedia um pouco e fugia do alinhamento, esbarrando nas laterais, impossibilitando o deslizamento.
Ninguém arriscava um palpite sequer a não ser a desistência. Mal sabiam da existência de um "Mestre de Cargas - Master Marietta" com um jeitinho brasileiro: foi ao BX, comprou barras de sabão e passou-o em toda a lateral do caixote! Como emperrar agora...
José de Mattos Souza Cel.Av. R/R, autor. A quem rendo minhas homenagens.
Um abraço e até mais....
Eis três "causos" que retratam fielmente a grande capacidade de improviso das tripulações dos C-130 da FAB e o elevado espírito de responsabilidade, no sentido de que "a missão tem que ser cumprida!" .
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Desafio interessante enfrentou o Raposo (Aldir Raposo Martins) para conseguir levar um Ônibus Escolar para Fernando de Noronha.
O embarque em Recife foi uma epopéia: quando o ônibus começava a subir na rampa, a frente de seu teto batia no teto do C-130;
solução 1 - esvasiar os pneus! Não foi suficiente. solução 2 - arriar o feixe de molas! Ainda não deu. solução 3 - tirar os pneus dos aros e passar uma camada de borracha, ficando igual às rodas de empilhadeiras! Quase... solução 4 - encher o ônibus de soldados até que a parte da frente livrasse o teto do avião e daí por diante, suspender a traseira do ônibus... finalmente entrou. A saída ninguém se aventurava a fazer um prognóstico que fosse.
Em Noronha parecia que o desembarque seria "mamão com açúcar" pois havia uma carreta da mesma altura da rampa do GORDO! O comprimento da carreta (fora o cavalo mecânico) era maior que o ônibus, que beleza...
Operação em marcha e o montruoso veículo começa a deslizar por sobre a carreta! Mas, na metade do caminho empacou. Nem para frente nem para trás. Foi quando o Raposo, muito inspirado, notou que o centro de gravidade do ônibus já estava sobre a carreta. Concluiu: se o ônibus não sai do avião, o avião vai sair do ônibus!
Deu a partida e ,com muita cautela, taxiou a máquina resolvendo o grande problema.
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Aprendi com o Cúrcio Filho que se o C-130 fosse feito para transportar passageiros, seria fino e comprido! Mas, às vezes, nem sendo aquele enorme caixote, é fácil acomodar determinadas cargas pesadas.
O Esquadrão foi designado para transportar o 5° BEC de Gravataí para Santarém. Coube-me em uma das pernas levar um trator D-8. O monstro nunca havia sido carregado no Gordo! Pesava 25 toneladas e o máximo permissível era 20!
Nos contatos com a Unidade do Exército, afirmaram que seria possível "aliviar" as 5 toneladas excedentes. Acreditamos. Retiraram o garfo, a lâmina, a esteira, cabine e outros pedaços - dizendo que pesavam as 5 toneladas!
Bem, o embarque foi um sufoco: pranchas e mais pranchas para que o trator pudesse se movimentar só com as rodas! Espaço não sobrava para lado nenhum, mas o brutamontes subiu. Agora, como fazer o balanceamento? Simples - era só fazer coincidir o centro de gravidade do trator com o do avião! Mas quem saberia onde era o do trator? Ninguém, é claro. Ainda bem que o nosso "Loadmaster" era um "Master Marietta" (antigo tripulante que fizera o curso do avião ainda na fábrica). Com toda sua experiência, deu uma olhada na porta da tripulação que já estava quase encostada no chão e vaticinou peremptoriamente:
"Sempre conferi a distância da porta ao chão, tem que dar para passar a ponta da minha bota! Esta está quase encostada... cheguem o trator um pouco para trás."
Sua instrução obedecida, bastou afastar alguns centímetros a grande máquina e a porta subiu o suficiente para seu pé poder passar por baixo! Estava feito o balanceamento. A decolagem gastou toda a pista, mas dentro do que calculamos nos gráficos. O balanceamento fora perfeito. A viagem era à noite para aproveitarmos o frio, porque teríamos que pousar em Brasília de madrugada e decolar em seguida, senão o comprimento da pista não seria suficiente, mas o balanceamento...
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Ainda no tempo dos "Master Marietta" um C-130 foi buscar na América um Simulador de Vôo de 737 da VASP. A embalagem era um caixote de madeira do tipo 3X3, ou seja praticamente do tamanho do compartimento de carga do GORDO. Para que o caixote deslizasse no piso havia roletes, não seria problema, mas nas laterais o espaço era muito reduzido e se encostasse poderia causar dificuldades e emperrar.
Dito e feito: ao ser empurrado o enorme caixote pesado a madeira cedia um pouco e fugia do alinhamento, esbarrando nas laterais, impossibilitando o deslizamento.
Ninguém arriscava um palpite sequer a não ser a desistência. Mal sabiam da existência de um "Mestre de Cargas - Master Marietta" com um jeitinho brasileiro: foi ao BX, comprou barras de sabão e passou-o em toda a lateral do caixote! Como emperrar agora...
José de Mattos Souza Cel.Av. R/R, autor. A quem rendo minhas homenagens.
Um abraço e até mais....
