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Impedida de vender ativos, Varig ameaça parar de voar !

Enviado: Seg Ago 29, 2005 19:41
por Felipe Weber
O presidente do Conselho de Administração da VARIG, David Zylbersztajn, afirmou nesta segunda-feira que a decisão da Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro de impedir a venda da unidade de logística da empresa para um grupo norte-americano coloca em risco as operações da linha aérea.

"Isso coloca em risco a operação da Varig", disse Zylbersztajn. "Enquanto a Varig tiver segurança e qualidade de pessoal, ela vai continuar operando, mas chega um momento que ninguém funciona sem capacidade financeira. Não vamos colocar em risco a operação da empresa quanto à segurança", acrescentou.

Na prática, a decisão impede a venda da subsidiária de transporte de carga para o grupo norte-americano Matlin Patterson porque inclui os ativos da VarigLog no processo de recuperação judicial da Varig. A companhia aérea tinha anunciado planos de venda da VarigLog para o grupo dos Estados Unidos na terça-feira passada. Zylbersztajn disse que a Varig não tem nenhuma outra estratégia no curto prazo, além da venda da VarigLog, para melhorar o fluxo de caixa. "Não tem plano B, já falei ao pessoal que está sendo contra que só tem um plano e uma saída (...) Me impressiona a falta de percepção real das pessoas que não sabem a situação da empresa. As consequências podem ser muito sérias e graves (...) Parece um suicídio coletivo."

Nesta segunda-feira, a juíza Giselle Bondim Lopes Ribeiro, da 19ª vara do TRT-RJ, concedeu liminar ao sindicato de trabalhadores da indústria de aviação e à Federação Nacional do Trabalhadores da Aviação Civil que determina o arresto do braço de manutenção da Varig, VEM, e da VarigLog, unidade de logística.

Os trabalhadores, que moveram a ação na sexta-feira, argumentam que haveria fraudes e ilegalidades no processo de recuperação da Varig, que fechou o segundo trimestre com prejuízo de R$ 342,4 milhões e passivo descoberto de 6,8 bilhões de reais.

A Varig pretende vender a VarigLog para obter recursos para operar durante os seis meses de recuperação judicial, disse o presidente da empresa, Omar Carneiro da Cunha, na semana passada.


Fonte: Invertia