Alteração no contrato com Skymaster é normal, diz Correios
São Paulo - A Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos publicou hoje nos jornais um informe publicitário em que atribui a evolução dos valores contratados com a empresa Skymaster para operar linhas em sua Rede Postal Aérea Noturna (RPN) se deveu a "fatores de custo do segmento de transporte aéreo", como o combustível e o IGPM. Segundo denúncia publicada ontem na revista Época, por meio de tráfico de influência, a Skymaster teria conseguido elevação no valor de seu contrato com os Correios, após ter sido obrigada a participar de concorrência que havia reduzido os valores à metade.
Segundo a revista, após questionar o processo licitatório de renegociação dos preços dos serviços prestados, a Skymaster foi em 2003 à disputa no pregão e viu seu contrato de R$ 9,5 milhões mensais cair para R$ 4,7 milhões. Em 2004, a empresa pediu revisão das tarifas e em agosto o contrato subiu para R$ 5,3 milhões por mês. Em dezembro daquele ano, a Skymaster pediu cancelamento do contrato e, em novo pregão, o valor foi ampliado para R$ 9,8 milhões mensais, ou seja, maior que o original.
No anúncio publicado hoje a ECT lembra que a RPN, criada em 1974, é a base do sistema logístico dos Correios, que permite a entrega de cartas e encomendas em um dia em todas as capitais e principais cidades do País. "Hoje, operam nesta rede postal nove empresas contratadas por processo de licitação, realizando 23 linhas, cobrindo 57 mil km e transportando 750 toneladas de carga diariamente".
O texto lembra que a Skymaster passou a operar linhas da RPN a partir de junho de 2001 e que até abril de 2005 houve aumentos e reduções, mais ou menos significativos, nos valores contratados, em função do número e do tipo de linhas operadas, da maior ou menor demanda de serviços no setor e dos fatores de custo. Neste período, destaca o informe, o combustível teve variação de 197% e o IGPM de 69%.
O anúncio que os Correios publicaram hoje nos jornais não se fixa apenas na denúncia do contrato da Rede Postal Aérea Noturna. Cita também outros 11 assuntos citados em notícias sobre corrupção que têm envolvido o nome da estatal nas últimas semanas. A empresa presta esclarecimentos sobre as licitações nos Correios; Banco Postal; Correio Híbrido Postal; agências de publicidade; aquisição de cofres; compra de tênis para uso dos carteiros; do consórcio Alpha, que vendeu uma concorrência para fornecimento de microcomputadores e periféricos; do cancelamento de uma licitação de equipamentos, vencida pela HP; da relação indireta com a empresa Mandic; e dos patrocínios da ECT.
O texto do informe publicitário diz que a ECT "não pode se calar diante das declarações de lançam suspeição leviana e irresponsável, sem qualquer elemento de prova, e, na maioria das vezes, com dados incorretos e distorcidos (...) maculando injustamente sua imagem", diz o texto.
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Bruno Orofino
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