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Interessados na Varig pedem apoio a sindicato

Enviado: Ter Jun 14, 2005 16:37
por Felipe Weber
Uma proposta bilionária recebida pela Varig e posta de lado pela nova administração da empresa, que dá preferência ao negócio com a TAP, causou uma divisão entre os curadores da Fundação Ruben Berta. Segundo a Folha apurou, pelo menos 3 dos 7 curadores consideram a oferta melhor do que a da aérea portuguesa.

O grupo brasileiro autor da proposta, que afirma contar com o aval de investidores europeus, procurou sindicalistas para pedir apoio: disse a eles que não entende por que está sendo preterido. Os investidores preferem que seu nome não seja publicado.

Os sindicalistas que tiveram acesso ao plano afirmam que não faz sentido "doar" a empresa à portuguesa TAP, que não investirá dinheiro próprio na Varig, se há uma opção "muito melhor" já apresentada. "A TAP comprar a Varig é como um pigmeu tentar engolir um gigante. Queremos saber por que a Varig não aceitou essa outra proposta", declarou o presidente do Sindicato dos Aeroviários no Estado de São Paulo, Uébio José da Silva. A Varig não se pronunciou sobre o assunto.

Também na tentativa de participar do processo de reestruturação da aérea, as associações de funcionários da Varig, entre elas a Apvar (Associação de Pilotos da Varig), levaram na semana passada ao governo proposta de transformar a dívida de R$ 2,2 bilhões que a companhia tem com o fundo de pensão Aerus em ações na nova configuração da empresa.

A idéia é usar as ações como garantia para obter um empréstimo no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para capitalizar a aérea. As entidades esperam participar da gestão compartilhada da Varig.

Segundo Rodrigo Marocco, presidente da Apvar, a proposta só chegou ao conselho de Administração da companhia depois que o ministro da Defesa, José Alencar, solicitou isso diretamente. "Estávamos tendo dificuldades para ser atendidos pela nova administração", disse Marocco.
Diferentemente de outros credores, as entidades dizem que o Aerus não foi procurado para negociar. "Com as ações, há possibilidade de recebermos. Se não der certo, o crédito está morto, o calote será o caminho mais provável."

Nesta sexta-feira, pelo menos quatro aeronaves terão de ser devolvidas pela Varig à ILFC (International Lease Finance Corporation), a quem a brasileira deve. A empresa ainda está tentando negociar para reverter a entrega, mas a conversa está difícil.


Fonte: Folha Online