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Vergonha! Bilhete Varig era emitido sem pagar

Enviado: Ter Jun 14, 2005 16:33
por Felipe Weber
Irregularidades na emissão de bilhetes aéreos no escritório da Varig em Londres evidenciam a fragilidade do sistema de controle das vendas da companhia.

Dono de uma agência de viagens na Inglaterra (comportamento condenado pelo código de ética da Varig), o gerente-geral da filial londrina emitia passagens em nome de clientes da agência, sem repassar o dinheiro à aérea.

Descoberta a fraude, a empresa pressionou o funcionário, que foi afastado e será demitido. A Varig afirma ter recuperado a maior parte dos valores, faltando 23 mil libras esterlinas (R$ 103 mil).

Como principal executivo do escritório, o gerente tinha autonomia para autorizar emissões e conceder prazos de pagamento a perder de vista. Na Varig, ninguém estranhou que passagens vendidas em janeiro de 2004 ainda não houvessem sido pagas no mês de novembro, já que as negociações tinham o aval do gerente.

A empresa diz que nada garante que não haja mais casos como esse, mas afirma tomar todos os cuidados para evitá-los. Para a companhia, burocratizar mais a negociação com as agências engessaria as vendas. "Risco zero não existe em nenhum negócio. Uma vez ou outra isso acontece, como acontecem cartões clonados", afirmou Marcelo Bottini, diretor de vendas da Varig. Segundo ele, a aérea investe muito em controle.

Márcia Regina da Silva, 41, que trabalhava na Varig havia 22 anos, era a responsável por Londres na controladoria de exterior, que fica em São Paulo. Foi demitida no último dia 1º. Ela diz que era considerada "exemplar" até denunciar à sua chefia direta as irregularidades na filial londrina. "Disseram a mim e aos meus colegas que a demissão era resultado da auditoria que ocorreu porque eu denunciei." Funcionários do Brasil e de Londres que conhecem Márcia disseram estranhar a demissão.

"Isso é apenas a ponta do iceberg", declarou o presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários no Estado de São Paulo, Uébio José da Silva. "É absurdo uma pessoa que demonstra onde está a sangria da empresa ser demitida em vez de ser condecorada."

Márcia apresentou documentos que noticiam a fraude, mas não prova que foi ela quem fez a denúncia. A Varig nega que tenha sabido das irregularidades pela funcionária: diz que a informação veio de carta enviada por um motorista de táxi, que prestava serviços ao escritório inglês. A aérea diz que a auditoria descobriu erros contábeis de Márcia.

A Folha não conseguiu contatar o gerente afastado pela Varig.


Fonte: Folha Online