Varig assina compromisso com a TAP
Enviado: Dom Mai 15, 2005 10:44
Varig assina compromisso com a TAP
BRUNO LIMA
da Folha de S. Paulo
A Varig assinou anteontem, no Rio, memorando de entendimentos com a companhia aérea portuguesa TAP. A informação foi confirmada ontem pelo presidente do conselho de administração da Varig, David Zylbersztajn.
Segundo o executivo, trata-se ainda de negociações iniciais relacionadas à capitalização das duas empresas. Zylbersztajn não informou se o documento se refere à compra de ações da aérea brasileira. Afirmou ainda que um acordo de confidencialidade o impede de dar detalhes sobre o acordo.
Ontem, a TAP disse à Folha que existe um documento assinado com a Varig, mas que seus efeitos ainda estão em fase de avaliação pela companhia. A TAP é controlada pelo governo português e tem como administrador delegado o brasileiro e ex-presidente da Varig Fernando Pinto.
Por mais que não haja garantias da conclusão das negociações, na avaliação dos especialistas, um compromisso registrado em papel é um passo importante.
Pinto veio ao Brasil para conversar com a Varig e, na sexta-feira, reuniu-se com Zylbersztajn para assinar o memorando. Segundo informações da TAP, o executivo já retornou a Portugal.
Foi o primeiro encontro oficial entre a TAP e a nova administração da Varig, que começou a trabalhar na segunda-feira passada.
Em março deste ano, mês em que completou 60 anos de existência, a TAP passou a integrar a Star Alliance, da qual a Varig já faz parte, ao lado de companhias aéreas como a Air Canadá, a Spainair, a americana United e a alemã Lufthansa. Ao todo, a parceria envolve 16 empresas.
Em texto divulgado neste ano pela aérea portuguesa, Fernando Pinto afirma que "o ano de 2005 significa para a TAP a entrada numa era marcada pela mudança e pelas novidades". O executivo diz ainda que a empresa venceu as dificuldades enfrentadas pelo transporte aéreo nos últimos anos, readquiriu seu equilíbrio financeiro, reposicionou-se estrategicamente e caminha agora para a sua consolidação.
A aproximação mais direta com a Varig, facilitada pelo comando de Pinto na aérea portuguesa, foi confirmada no início do mês.
No último dia 4, a Varig afirmou ter recebido proposta da TAP, dizendo apenas que a portuguesa estava interessada em participar de seu processo de reestruturação. No mesmo dia, o governo português também disse à Folha que havia negociações entre as duas empresas.
A imprensa portuguesa e analista da aviação daquele país têm analisado a sobrevivência da Varig como essencial para a manutenção das conquistas da TAP e dizem que sua aérea "está a voar para a Varig". Há quem diga que a TAP precisa garantir sua participação na Varig para evitar que a espanhola Iberia o faça.
Outros portugueses
Na sexta-feira, o grupo português Pestana desmentiu declarações dadas pelo advogado Pedro Lobo Alexandre, também português, que procurou há alguns meses a FRB-Par (braço de investimentos da Fundação Ruben Berta, controladora da Varig), com uma proposta de 200 milhões para assumir a Varig.
Alexandre diz representar um consórcio de investimentos denominado Fontidec, que envolve brasileiros, americanos e portugueses -entre os quais estaria o grupo Pestana. Segundo ele, a intenção do Fontidec é ser "controlador absoluto" da Varig e comprar, com 44 milhões, 80% das ações da Fundação Ruben Berta. O restante do dinheiro reforçaria o caixa da companhia.
A legislação brasileira só permite a venda de 20% do capital votante a investidores estrangeiros. Com a parceria de brasileiros, o problema inexiste.
Segundo especialistas em direito comercial, há várias estratégias, como os acordos entre acionistas, para transferir o controle de uma empresa a um investidor específico, mesmo que ele disponha de uma quantidade minoritária de ações com direito a voto.
O grupo Pestana confirma sua intenção de adquirir participação acionária na Varig, mas nega que faça parte do Fontidec e que tenha apresentado a proposta formal citada por Pedro Lobo Alexandre.
Alexandre informou que chegou a se reunir com o vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar.
Na Fundação Ruben Berta, a proposta foi considerada, várias vezes, como a melhor entre as recebidas para a transferência do controle da Varig. O problema, de acordo com o que a Folha apurou, é que Alexandre, além de não apresentar as garantias do negócio no prazo pedido pela fundação, chegou a desistir da compra, mas reconsiderou a decisão. Agora, nem Alexandre nem a fundação comentam a proposta.
Apesar da crise financeira, a Varig, que, segundo estudo do Unibanco, tem dívida de R$ 9,4 bilhões, ainda é a maior companhia brasileira em receita.
A empresa completou 78 anos no último dia 7 -data em que realizou assembléia que renovou sua administração e culminou com o afastamento de seu então presidente, o comandante Carlos Luiz Martins. No dia anterior, haviam sido divulgados pelo DAC (Departamento de Aviação Civil) dados que revelaram que, em abril, a "pioneira" (como é chamada por seus funcionários) perdeu a vice-liderança no mercado doméstico para a novata Gol, criada em janeiro de 2001. A TAM é líder desde novembro de 2003.
No mercado das linhas internacionais, a Varig mantém, com folga, a primeira posição, com 82% de participação de mercado.
BRUNO LIMA
da Folha de S. Paulo
A Varig assinou anteontem, no Rio, memorando de entendimentos com a companhia aérea portuguesa TAP. A informação foi confirmada ontem pelo presidente do conselho de administração da Varig, David Zylbersztajn.
Segundo o executivo, trata-se ainda de negociações iniciais relacionadas à capitalização das duas empresas. Zylbersztajn não informou se o documento se refere à compra de ações da aérea brasileira. Afirmou ainda que um acordo de confidencialidade o impede de dar detalhes sobre o acordo.
Ontem, a TAP disse à Folha que existe um documento assinado com a Varig, mas que seus efeitos ainda estão em fase de avaliação pela companhia. A TAP é controlada pelo governo português e tem como administrador delegado o brasileiro e ex-presidente da Varig Fernando Pinto.
Por mais que não haja garantias da conclusão das negociações, na avaliação dos especialistas, um compromisso registrado em papel é um passo importante.
Pinto veio ao Brasil para conversar com a Varig e, na sexta-feira, reuniu-se com Zylbersztajn para assinar o memorando. Segundo informações da TAP, o executivo já retornou a Portugal.
Foi o primeiro encontro oficial entre a TAP e a nova administração da Varig, que começou a trabalhar na segunda-feira passada.
Em março deste ano, mês em que completou 60 anos de existência, a TAP passou a integrar a Star Alliance, da qual a Varig já faz parte, ao lado de companhias aéreas como a Air Canadá, a Spainair, a americana United e a alemã Lufthansa. Ao todo, a parceria envolve 16 empresas.
Em texto divulgado neste ano pela aérea portuguesa, Fernando Pinto afirma que "o ano de 2005 significa para a TAP a entrada numa era marcada pela mudança e pelas novidades". O executivo diz ainda que a empresa venceu as dificuldades enfrentadas pelo transporte aéreo nos últimos anos, readquiriu seu equilíbrio financeiro, reposicionou-se estrategicamente e caminha agora para a sua consolidação.
A aproximação mais direta com a Varig, facilitada pelo comando de Pinto na aérea portuguesa, foi confirmada no início do mês.
No último dia 4, a Varig afirmou ter recebido proposta da TAP, dizendo apenas que a portuguesa estava interessada em participar de seu processo de reestruturação. No mesmo dia, o governo português também disse à Folha que havia negociações entre as duas empresas.
A imprensa portuguesa e analista da aviação daquele país têm analisado a sobrevivência da Varig como essencial para a manutenção das conquistas da TAP e dizem que sua aérea "está a voar para a Varig". Há quem diga que a TAP precisa garantir sua participação na Varig para evitar que a espanhola Iberia o faça.
Outros portugueses
Na sexta-feira, o grupo português Pestana desmentiu declarações dadas pelo advogado Pedro Lobo Alexandre, também português, que procurou há alguns meses a FRB-Par (braço de investimentos da Fundação Ruben Berta, controladora da Varig), com uma proposta de 200 milhões para assumir a Varig.
Alexandre diz representar um consórcio de investimentos denominado Fontidec, que envolve brasileiros, americanos e portugueses -entre os quais estaria o grupo Pestana. Segundo ele, a intenção do Fontidec é ser "controlador absoluto" da Varig e comprar, com 44 milhões, 80% das ações da Fundação Ruben Berta. O restante do dinheiro reforçaria o caixa da companhia.
A legislação brasileira só permite a venda de 20% do capital votante a investidores estrangeiros. Com a parceria de brasileiros, o problema inexiste.
Segundo especialistas em direito comercial, há várias estratégias, como os acordos entre acionistas, para transferir o controle de uma empresa a um investidor específico, mesmo que ele disponha de uma quantidade minoritária de ações com direito a voto.
O grupo Pestana confirma sua intenção de adquirir participação acionária na Varig, mas nega que faça parte do Fontidec e que tenha apresentado a proposta formal citada por Pedro Lobo Alexandre.
Alexandre informou que chegou a se reunir com o vice-presidente da República e ministro da Defesa, José Alencar.
Na Fundação Ruben Berta, a proposta foi considerada, várias vezes, como a melhor entre as recebidas para a transferência do controle da Varig. O problema, de acordo com o que a Folha apurou, é que Alexandre, além de não apresentar as garantias do negócio no prazo pedido pela fundação, chegou a desistir da compra, mas reconsiderou a decisão. Agora, nem Alexandre nem a fundação comentam a proposta.
Apesar da crise financeira, a Varig, que, segundo estudo do Unibanco, tem dívida de R$ 9,4 bilhões, ainda é a maior companhia brasileira em receita.
A empresa completou 78 anos no último dia 7 -data em que realizou assembléia que renovou sua administração e culminou com o afastamento de seu então presidente, o comandante Carlos Luiz Martins. No dia anterior, haviam sido divulgados pelo DAC (Departamento de Aviação Civil) dados que revelaram que, em abril, a "pioneira" (como é chamada por seus funcionários) perdeu a vice-liderança no mercado doméstico para a novata Gol, criada em janeiro de 2001. A TAM é líder desde novembro de 2003.
No mercado das linhas internacionais, a Varig mantém, com folga, a primeira posição, com 82% de participação de mercado.